19 de Fevereiro de 2019,

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Quinta-Feira, 07 de Fevereiro de 2019, 16h:59 | Atualizado:

BELO EXEMPLO

Professora adota índio surdo com down em Cuiabá

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A psicopedagoga Beatriz Mello, de 62 anos, que adotou um bebê indígena com Síndrome de Down surdo-mudo, em 2006, em Cuiabá, afirmou que aprende com o filho todos os dias e que ele inspira a família a ver o melhor da vida. Antônio Paulo Kaban Cinta Larga Mello, hoje com 13 anos, nasceu em uma comunidade da etnia Cinta Larga e seria sacrificado por ter a síndrome.

À época, Antônio era o 12º filho de um casal de índios que vivia na aldeia localizada na zona rural de Aripuanã, a 976 km de Cuiabá. Com medo de ver o filho ser sacrificado, o casal o entregou à Fundação Nacional do Índio (Funai), que o colocou para adoção. “Tínhamos toda a documentação necessária dos pais dele que, oficialmente, o entregaram para a adoção. No entanto, houve contestação e quiseram abrir uma jurisprudência, pois ele era uma criança indígena”, contou.

Beatriz disse que passou quatro anos tentando fazer um acordo com a Justiça para conseguir oficializar a adoção do filho. “Foi muito complicado, gastei muito com advogado para conseguir oficializar, mas tudo isso valeu a pena. Aprendemos com ele todos os dias”, pontuou.

Além das dificuldades para a adoção, nesse mesmo período, Beatriz lutou pela vida do filho, que tinha problemas respiratórios e, aos 4 anos, o rim e o fígado dele apresentaram problemas. “Nos primeiros anos de vida, ele dependia de home care, mas atualmente vive muito bem. Melhorou muito os problemas respiratórios. Ele é proativo e sempre está à disposição para nos ajudar”, contou.

Segundo Beatriz, há três anos, ela foi informada que os pais biológicos gostariam de conhecê-lo. “Eu disse que não havia problema, mas eles nunca apareceram”, relatou. Apesar de saber que não é filho biológico de Beatriz e que é indígena, Antônio convive bem com a família adotiva. “Ele sabe que é índio e para ele tudo é natural, ele é compreensivo. Tenho mais três filhos e uma neta, todos se dão muito bem. São carinhosos e se amam muito”, ressaltou.

Aos 7 anos, Antônio começou a usar aparelho auditivo para conseguir se comunicar melhor, mas não conseguiu se adaptar a linguagem verbal. Foi então que ele começou a fazer um curso de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). “Raramente, ele usa o aparelho, pois o barulho o incomoda”, disse.

Por se comunicar apenas em Libras e conviver em um meio social no qual a linguagem cotidiana é verbal, a comunicação de Antônio ficou limitada, segundo Beatriz. “Quando criança, era tranquilo, mas agora ele fica muito irritado, pois quer expressar seus sentimentos e não consegue. Então, resolvemos fazer a matrícula dele em uma escola para surdos para que possa evoluir a comunicação em Libras”, contou.

Antônio estudou em escola particular quando criança e depois passou para uma escola pública para ser melhor acolhido, mas não conseguiu fazer amizade, segundo a mãe. “No início foi tranquilo, mas, a partir dos 7 anos, começaram a tratar ele com indiferença. Ele fica muito isolado, pois ninguém fala em libras”, ressaltou.

Beatriz contou que o preconceito sempre começa pelos adultos. “É difícil viver com isso. Ficamos chateados, pois os pais começam a falar para as crianças sair de perto com medo de se machucarem, mas ele é muito carinhoso, nunca tive problemas com isso”, relatou.

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Comentários (2)

  • Simone | Quinta-Feira, 07 de Fevereiro de 2019, 22h06
    10
    0

    Bia sendo Bia, a melhor educadora da cidade. Que benção o Antônio recebeu.

  • liliana maria almeida | Quinta-Feira, 07 de Fevereiro de 2019, 18h53
    11
    0

    nossa sua familha e uma Benaça de DEUS... linda atitude, Antonio um amor de ser humano ... DEUS os pague.

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