21 de Março de 2019,

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Sexta-Feira, 11 de Janeiro de 2019, 11h:05 | Atualizado:

CERTEZA DE IMPUNIDADE

"Tenho dinheiro", diz torturadora de jovem

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A Polícia Civil teve acesso a prints de conversas de WhatsApp, em que as suspeitas conversam, logo após a sessão de tortura a uma menina de 16 anos, em Campo Grande. Em um dos trechos, a adolescente de 17 anos comenta que a vítima era para estar morta e que acredita na impunidade.

"Era pra ela tá morta, mais as outras mina q tava cmg n deixo"

"Mais quem torturo foi eu"

Em seguida, uma amiga dela pergunta se ela foi para a Unidade Educacional de Internação (Unei), local onde são encaminhados adolescentes que praticam atos infracionais. E a suspeita responde que "somente assinou papéis".

"N po...To suave tenho dinheiro adevogado"

Já em entrevista à TV Morena a vítima comentou parte dos momentos de terror que passou ao lado das suspeitas. O caso ocorreu no início desta semana, em uma casa no bairro Guanandi, região sul de Campo Grande. Além de ser agredida com socos e pontapés por 2h30, ela teve o corpo riscado por faca e foi obrigada a ligar para ex, dizendo que não queria mais nada com ele, ainda conforme a polícia.

"Elas falavam assim: Pega a corda, pega a corda, vamos amarrar ela. Vamos levar ela para outro lugar. Eu fiquei com medo de morrer. Elas diziam que estavam esperando uma arma. Não conseguia me olhar no espelho. Ontem eu olhei e comecei a chorar", disse.

Ao G1 o delegado Fábio Sampaio, responsável pelas investigações, disse que quatro pessoas prestaram depoimento, entre elas duas das agressoras, que confessaram o crime.

"Uma delas confirmou as agressões e falou que tinha uma desavença anterior, já que ela e a vítima eram amigas, depois se desentenderam e a adolescente teria passado a ameaçá-la. A suspeita de 18 anos é a dona da casa onde tudo ocorreu e ela teria obrigado a menina a entrar em contato com o ex, dizendo que não queria mais nada com ele. Já a outra adolescente ainda não conseguimos trazer na delegacia", explicou o delegado.

Ainda conforme Sampaio, a suspeita de 18 anos mantinha um relacionamento com um rapaz. Após algum tempo, ele teria mantido relação sexual com a adolescente e terminado o relacionamento com o outra. "Para se vingar, juntamente com as outras, elas teriam planejado o crime. Elas vão responder pelo artigo do ECA [Estatudo da Criança e o Adolescente], que é constranger com violência e grave ameaça, principalmente pelo fato delas obrigarem a menina a ligar para o ex", ressaltou.

Além das ameaças, a menina também recebeu socos e pontapés. "A investigação aponta que elas usaram a faca e até por isso a menina foi internada. Elas está com lesões nos braço e costas. O próximo passo é ouvir o motorista do Uber, que levou a vítima, além do rapaz que seria o pivô da agressão e a vítima, que deve prestar novo depoimento. Ela também fará uma cirurgia no nariz e passará por novo exame de corpo de delito, onde será caracterizada a natureza da lesão corporal", explicou Sampaio.

O caso ocorreu no início desta semana, em uma casa no bairro Guanandi, região sul de Campo Grande. De acordo com a irmã da vítima, ela ficou sabendo após receber prints das agressões, de um grupo no WhatsApp chamado "As bandidas".

Entre as conversas, uma das supostas agressoras escreveu: "Eu não deixei marca nenhuma, sou besta não...eu só bati nela, porque ela falou pra mim: demorô". A irmã da adolescente comentou que ficou "muito preocupada", assim que começou a receber as mensagens. "Ela saiu de casa às 6h30 [de MS] e estas meninas fizeram chamada de vídeo e outras pessoas que eu conheço mandaram os prints. Minha irmã ficou sendo torturada por 2h30 e fizeram imagens por chamada de vídeotambém. Se eu não tivesse ido atrás, minha irmã poderia estar morta agora", lamentou.

A adolescente foi internada na Santa Casa e teve alta médica, segundo a família.

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