15 de Novembro de 2018,

Opinião

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Quinta-Feira, 13 de Setembro de 2018, 13h:00 | Atualizado:

Roberto Boaventura

Das chamas às facadas

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No último dia 07/09, nós, brasileiros, tivemos poucos motivos para festejar a Independência. Contudo, não faltaram e não faltam traumas. 

Assim que setembro chegou, assistimos, perplexos, à extinção, por conta de um incêndio, de cerca de 20 milhões de peças raras do Museu Nacional. 

Nós, que estamos a vivenciar um presente dificílimo da história, e um futuro incerto a ser legado às novas gerações, agora, temos, do passado, preciosos registros transformados em cinzas. O que não se perdeu em chamas, perdeu-se em lamas. Em incêndios tais, a água é tão danosa aos objetos quanto o fogo. 

No dia 06, outra faceta de nossa lama: o país assistiu – perplexo e em tempo real – ao atentado contra Jair Bolsonaro, candidato que, infelizmente, lidera as pesquisas à presidência da República; aliás, cada vez mais, menos res pública.

Em plena campanha eleitoral, um fato como esse é de lascar, até por conta dos imprevisíveis desdobramentos. A democracia – desconsiderada, deslegitimada e humilhada por Bolsonaro, defensor do militarismo e desqualificador dos direitos das minorias, como quilombolas, índios, gays et alii – levou uma facada; e no sentido literal. Pior: a vítima foi o próprio Jair. 

Sem dó nem piedade, o pedagogo Adélio Bispo enfiou a faca no abdômen do candidato do PSL, que, no dia anterior, em visita ao Acre, dissera que fuzilaria a “Petralhada”; que “botaria esses picaretas para correr do Acre”. 

Mais: “Já que eles (petistas) gostam tanto da Venezuela (em crise e com um governo anticapitalista), essa turma tem que ir pra lá. Só que lá não tem nem mortadela... Vão ter que comer é capim". 

Nas imagens hostis que acompanham esse discurso, Bolsonaro simula um fuzilamento. 

Como quase todos, os enunciados acima – proferidos por Bolsonaro – fazem parte do conjunto de discursos do ódio. A Adélio Bispo e a todos que jamais votariam em Jair, seus discursos são “nojentos”. 

Todavia, pelo menos até o episódio da faca, mesmo diante de repugnâncias discursivas bolsonaristas, nada passava da parole. Até o tiro encenado por Bolsonaro era mise en scène. Ademais, o candidato Jair terá de explicar a agressão verbal e a encenação do fuzilamento. Por pior que fosse, ninguém tinha o direito de furar, de forma concreta, o plano simbólico deste tenso momento. 

Em outras palavras, a facada de Adélio ultrapassou o figurativo; ela transpassou o abdômen de Jair, que defende o livre uso de armas à população. Aliás, especialistas falam da “sorte” de Bolsonaro não ter sido atingido por arma de fogo. Se Adélio portasse revólver, Jair poderia ter saído da vida em Juiz de Fora. 

Com o ocorrido, Adélio, num exercício prático, demonstrou pedagogicamente ao candidato atingido e a seus séquitos – cegados politicamente – a maneira como muitas de nossas diferenças serão “resolvidas”, caso Jair Bolsonaro vença as eleições e implemente, p. ex., a liberação do porte de armas, inclusive aos niños. Neste momento, impossível não me lembrar de ditados, como o que diz que, “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. 

Diante desse quadro lamentável, para o qual deveremos encontrar saídas pelo diálogo entre patrícios, mesmo que divergentes no campo da política, a nação terá de voltar à noção perdida. Este triste time de nonsense terá de ser superado. 

Lição do momento: não é bom ninguém “já ir se acostumando” com a violência. Ela não cabe nem mesmo àqueles que defendem pontos de vista e práticas inimagináveis em sociedades do século 21, como, p. ex., o porte de armas. 

Diálogo: sempre. Armas: jamais. 

* ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ, Prof. de Literatura/UFMT; Dr. em Jornalismo/USP 

rbventur26@yahoo.com.br 

 

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Comentários (4)

  • Dornele$ | Sábado, 15 de Setembro de 2018, 11h17
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    0

    Mais um comunista. Mais um desinformado ou em plena má fé mesmo?

  • Carlos Nunes | Quinta-Feira, 13 de Setembro de 2018, 17h01
    5
    1

    Pois é, o Jânio Quadros disse faz tempo que "forças ocultas" conspiravam no Brasil. É, tem no mínimo 3 personagens históricos que podem ser enquadrados na teoria da Conspiração tupiniquim: Castelo Branco, patriota, que ia mudar o Brasil - o avião caiu (ou sabotaram o avião?)...Tancredo Neves - morreu de uma simples diverticulite, ou mataram mesmo?...Bolsonaro, esfaqueado na frente de todo mundo, por um pau mandado, programado pra matar? Se a gente tinha dúvida quanto as mortes do Castelo Branco, do Tancredo...do Bolsonaro não tem nenhuma dúvida. A facada era pra ser direta no coração, mas o Datena já mostrou que um policial de 23 anos desviou a faca. Pra acertar uma faca no coração de alguém não é fácil como se pensa, tem que treinar muito. Depois aparecem de pancada 4 advogados importantes pra defender o assassino...primeiros eles dizem que uma Igreja os contratou...aí, a Globo vai até a tal Igreja e ela diz que não contratou ninguém - além deles não ter dinheiro pra isso, não iam gastar pra defender assassino. Quem é que manda um assassino programado pra matar e depois contrata 4 advogados famosos pra defendê-lo?

  • Rogério | Quinta-Feira, 13 de Setembro de 2018, 14h19
    5
    1

    Falou merda "Doutor"

  • alexandre | Quinta-Feira, 13 de Setembro de 2018, 13h47
    4
    1

    Quanta bobagem salvem a UFMT, a administração do museu nacional da UFRJ é do PSOL, o atentado politico contra o candidato das esperanças do povo, como Bolsonaro é contra a democracia se está disputando a eleição ?, tendo contra si toda a mídia de esquerda patrocinada ? fizeram o mesmo processo de desconstrução com a marina em 2014 e sabemos, agora o candidato é o poste do lula...

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