13 de Dezembro de 2018,

Opinião

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Quinta-Feira, 06 de Dezembro de 2018, 11h:44 | Atualizado:

Roberto Boaventura

PT sem autocrítica

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Depois da derrota de Fernando Haddad para Jair Bolsonaro, ocorrida nas eleições de outubro deste ano, o Diretório Nacional do PT se reuniu em São Paulo, nos dias 01 e 02 de dezembro, para fazer um balanço do processo eleitoral 2018. 

Em uma primeira versão da “Resolução política sobre balanço eleitoral”, documento saído da reunião mencionada, mesmo que timidamente, alguns pontos que poderiam ser vistos como algo próximo à autocrítica foram mencionados. Assim, reconheciam-se erros no governo Rousseff, bem como na campanha de Haddad. 

Mas autocrítica feita sem vontade e sinceridade políticas não dura. A de que estou tratando não resistiu 24 horas. 

No segundo dia de reunião da cúpula petista, decidiu-se excluir as poucas autocríticas da “Resolução”, a ser distribuída à sua base, que deverá apenas ler e seguir o pensamento – somente em tese, “gauche” – dos líderes iluminados, aliás, há pouco tempo, apeados do poder. 

Para Gleisi Hoffmann, presidente nacional do PT, o Partido não fará autocrítica para a mídia e para a direita; fará apenas na prática. É mais um erro. 

De substancial, mais do que detalhar os “equívocos dos governos petistas”, ditos “en passant” na “Resolução”, a cúpula do PT preferiu continuar imputando os problemas existentes à imprensa, ao judiciário e à elite”. 

Que a imprensa, o judiciário e a elite, na qual insiro todos os “companheiros” graúdos do próprio PT, têm problemas, ninguém desconhece. Todavia, imputar o desastre anunciado das eleições apenas a agentes externos é forçar qualquer análise política; ou, então, é ter medo de enfrentar as verdades internas, que, no caso do PT, são mesmo doloridas. 

Mas de todos os problemas da análise petista na tal “Resolução”, o pior foi a centralidade que Lula ganhou no texto. Só deu ele, do começo ao fim. Todos os problemas do país e do mundo, por conta do “avanço do neoliberalismo”, e que são reais, acabam girando em torno de Lula. Impressionante! 

A “Resolução” do PT, na essência, não passa de um panfleto para tocar nas almas caridosas, desejando, antes de tudo e de todas as coisas, conquistá-las para a continuidade da luta pela liberdade de Lula, que ao PT e a seus próximos, é preso político. 

Uma vez tomado esse caminho, a “Resolução” conclui que a prisão de Lula foi responsável por viabilizar a vitória de Bolsonaro. 

Não foi. 

Lula estava preso desde abril, e sem a menor chance de reversão. Todos sabiam disso, mas a cúpula petista usou o clima das eleições, até com apelações internacionais, como tentativa desesperada de ver seu líder disputando a presidência. 

Ao tomar essa decisão, o PT fez da própria democracia nacional questão secundária. Resistiu até o limite dos prazos para passar o bastão a Haddad, que já entrou derrotado. 

Em momento algum, o PT foi capaz de abrir mão da disputa para outro partido. E havia candidato que venceria Bolsonaro. Ciro, o rifado, mesmo longe de ser o ideal, era o principal dentre os demais. Todas as pesquisas registravam a mesma tendência. Se o PT tivesse grandeza política, e de fato quisesse a vitória da democracia, e não apenas a sua vitória, hoje, Bolsonaro continuaria a ser um deputado do baixo clero. Nada mais. 

Agora, por conta dos erros e da tentativa de manter a supremacia do PT naquilo que se pode caracterizar como oposição política ao avanço ultraconservador no Brasil, Bolsonaro agigantou-se, podendo apequenar nossa democracia, pois na mala que levará do Rio a Brasília, ele já organizou o seu “grande armée”; ou melhor, o seu Grand Army of the Republic. 

* ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ, Prof. de Literatura/UFMT; Dr. em Jornalismo/USP 

rbventur26@yahoo.com.br 

 

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Comentários (3)

  • vvv | Quinta-Feira, 06 de Dezembro de 2018, 13h45
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    quanta inocência ou canalhice? O PT é uma organização criminosa disfarçada de partido político. Além disso, é uma seita em que o deus é o lularápio... como esperar autocrítica disso? Apenas eles são detentores das virtudes... aaaaffffff..... só engana aos trouxas e ignorantes esta corja de terrorista ligada aos narcotraficantes da FARC por meio do Foro de São Paulo.

  • +Marcelo F | Quinta-Feira, 06 de Dezembro de 2018, 13h34
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    PT não é Partido Político e sim uma Organização Criminosa chefiada de dentro do presídio pelo maior vagabundo que já pisou nestas terra. PT é um Câncer que quase matou o Brasil... Não pensem que já estamos livre desta doença.

  • Air Francisco Costa | Quinta-Feira, 06 de Dezembro de 2018, 13h32
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    Professor Roberto Boaventura, parabéns pelo artigo. Não sou eleitor de direita, mas penso que, o Trump tropical, possa colocar as universidades ferais no rumo como instituição de ensino superior, porque está uma verdadeira bagunça. Elas viraram terra sem lei, consumo exagerado de drogas, bebidas, furto assalto, roubo e desrespeito aos profissionais da educação. No período noturno sobram sala de aulas e faltam alunos.

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