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Opinião

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Quarta-Feira, 30 de Setembro de 2015, 08h:23 | Atualizado:

Caiubi Kuhn

Salve o Mirante de Chapada

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O descaso do poder público com os patrimônios naturais pode ter tristes consequências. Desde o ano passado o Mirante de Chapada dos Guimarães, tradicional ponto turístico do nosso estado, está interditado devido a erosões profundas que avançam em um ritmo acelerado. 

Mesmo sendo um problema antigo, nunca foram tomadas as devidas providências para controlar as erosões que corroem o mirante. Nos últimos anos novos sulcos têm surgido, outros tem se aprofundado ao ponto de transformarem em boçorocas. 

O surgimento destes processos erosivos tem relação com o mau planejamento das trilhas que existem no local, ou melhor, o não planejamento das trilhas. Toda a ocupação do mirante foi realizada pelos próprios visitantes e as trilhas que surgiram ao longo do tempo criaram as condições perfeitas para que ocorresse a concentração de água em alguns pontos do terreno. Devido à declividade a água ganha velocidade nas trilhas e acaba por gerar as erosões.

A solução para o problema passa pela realização de estudo da drenagem local evitando a concentração do fluxo de água. É preciso também a interdição total das trilhas para que possa ocorrer a nascer vegetação nos percursos possibilitando a recuperação gradativa do meio ambiente. 

É possível sim termos em médio prazo a visitação as bordas das escarpas do mirante, mas para que isso ocorra é preciso primeiro recuperar a área e também realizar um estudo adequado para implantação de trilhas prezando pela preservação do meio ambiente e pela segurança dos turistas. 

A cada dia que se passa sem que sejam tomadas às devidas providências para a preservação ambiental deste importante patrimônio turístico, a recuperação ambiental se torna mais difícil. Deixar um problema ambiental se agravar é uma grande falta de responsabilidade dos órgãos públicos. Será que nossos gestores acham que podem reconstruir um patrimônio natural? Será que na visão dos gestores um cartão postal como o Mirante não tem relevância? Precisamos debater esse tema e encontrar soluções o mais breve possível antes que as próximas chuvas de verão levem consigo mais um pedaço do nosso Mirante de Chapada dos Guimarães. #SALVEoMIRANTE

Caiubi Kuhn é Geólogo, Mestre em Geociências, Professor do Instituto de Engenharia (UFMT, Campus de Várzea Grande) e Diretor de Políticas Educacionais da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG). E-mail: caiubigeologia@hotmail.com

 

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Comentários (1)

  • Gustavo | Quinta-Feira, 01 de Outubro de 2015, 14h38
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    A questão ambiental ainda não dá voto para os políticos. O interesse em terras é somente o da especulação imobiliária. E o nosso ponto geodésico da América do Sul que se lasque.

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