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Política

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Quarta-Feira, 16 de Dezembro de 2015, 13h:05 | Atualizado:

EMPRÉSTIMOS DE FACHADA

Alvo da Polícia Federal em MT, banco é vendido para chineses

Bic Banco era usado como "palco" de transações financeiras ilegais

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Alvo de investigação deflagrada pela Operação Ararath em Mato Grosso, o Banco Industrial e Comercial S/A (BICBanco) muda a “bandeira” a partir de hoje e passa a se chamar oficialmente China Construction Bank. Em anúncios divulgados nos principais jornais do país, a direção do CCB informa a mudança. “BICBanco agora é CCB Brasil” diz o comunicado que traz um breve histórico do banco.

A instituição, apontada como a 2ª maior da China e a 4ª do mundo em valor de mercado, está há 60 anos no mercado, movimentando ativos de US$ 2,7 trilhões, em 14 mil agências, 26 subsidiárias fora da China e empregando 350 mil funcionários. A venda do BICBanco para os chineses foi formalizada em outubro de 2013, com a negociação de 72% do capital ao preço de R$ 8,9017 por papel preferencial ou ordinário, conforme divulgado na época.

Mas a concretização ocorreu somente no ano passado com a assinatura de decreto pela presidente Dilma Rousseff, após a operação ser aprovada pelo Banco Central e por autoridades regulatórias chinesas e bancárias das Ilhas Cayman, onde a instituição opera. Em Mato Grosso, o BICBanco ganhou espaço na mídia após a deflagração da Operação Ararath pela Polícia Federal. Nas denúncias, o Ministério Público Federal afirma que a instituição era usada como braço de uma organização criminosa que desviava e lavava dinheiro público.

O esquema funcionava por meio de empréstimos fraudulentos realizados pelo BICBanco para empresas como a Comercial Amazônia Petróleo Ltda, mas o dinheiro era repassado a terceiros, entre políticos e empresários, para pagamentos ilegais de campanhas eleitorais e até compra de vaga no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE). As investigações, que correm em segredo de justiça, envolvem políticos sem mandato atualmente, como o ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), e o ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (sem partido), e com mandato, entre eles o prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB) e o senador Blairo Maggi, em processo de filiação ao PMDB.

O ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes, é apontado como o operador do esquema que, segundo o Ministério Público Federal, envolve R$ 500 milhões. Eder teria como contato no BICBanco o superintendente, Luiz Carlos Cuzziol.

Os dois foram condenados na primeira ação penal originária da Ararath. Enquanto o ex-secretário foi sentenciado a 69 anos de prisão em regime fechado, Cuzziol recebeu pena de 31 anos. Os dois também devem pagar multas e devolver valores aos cofres públicos.

No momento, Eder está preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC) por desrespeitar 92 vezes as regras de utilização de monitoramento eletrônico (tornozeleira). Cuzziol já esteve preso e hoje aguarda recurso de sua condenação em liberdade.

Os empréstimos milionários, intermediados por Eder, de acordo com as investigações seriam liberados pelo BICBanco com autorização do então presidente, José Bezerra de Menezes, conhecido como Binho. De acordo com o inquérito, ele teria ordenado ao superintendente do banco no Mato Grosso, Luiz Carlos Cuzziol, que atendesse todas as necessidades financeiras de Eder Moraes, que atuava em nome dos verdadeiros beneficiários.

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Comentários (1)

  • João | Quarta-Feira, 16 de Dezembro de 2015, 18h23
    0
    0

    Ai tem! Bela saida...

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