13 de Dezembro de 2018,

Política

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Quinta-Feira, 06 de Dezembro de 2018, 14h:07 | Atualizado:

OSS EM HOSPITAL

Alvo do Gaeco no RS é classificada para licitação de R$ 300 milhões em MT

MP pede que empresa seja impedida de participar de certames públicos


Da Redação

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O Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), uma organização sem fins lucrativos, está envolvida em uma investigação do Ministério Público que apura desvios de pelo menos R$ 40 milhões na cidade de Canoas (RS) e mesmo assim é uma das Organizações Sociais de Saúde (OSS) concorrentes à licitação para gerenciar o Hospital Regional de Sinop (500 km de Cuiabá). O chamamento público em Mato Grosso tem um valor previsto de R$ 300 milhões em cinco anos.

A empresa é suspeita de cooptar secretários de saúde a participarem do esquema. Seus três principais diretores, o médico Cássio Soutos (criador da ong), Marcelo Bósio, ex-secretário de saúde de Canoas, e a diretora-presidente, Michele Aparecida da Câmara Rosin, foram presos na manhã desta quinta-feira (06).

A Gamp também é investigada por superfaturamento de medicamentos e utilização de laranjas em diversas outras cidades do país. Marcelo Bósio foi secretário de Saúde de Canoas entre 2013 e 2016 e aproveitou o cargo público para assinar termos de fomento à organização não governamental da qual se tornou sócio.

A atual diretora-presidente da ong, Michele Aparecida da Câmara Rosin, foi secretária de Saúde em outra cidade, Amparo, no interior de São Paulo, entre 2013 e 2016, o  contrato da Gamp com o município foi assinado nesse mesmo período.

O superintendente do Gamp designado para atuar no município do interior do Rio Grande do Sul foi secretário de Saúde de Parauapebas, no Pará, quando o grupo manteve contrato para a gestão hospitalar de lá. A Gamp foi habilitada em licitação para comandar o hospital de Sinop, junto com as empresas Instituto Social Saúde Resgate à Vida e o Instituto Moriah.

Em fevereiro de 2007, o Gamp foi criado como entidade privada com natureza jurídica de ONG. Entre as pessoas que assinaram a ata de fundação está um motorista semialfabetizado, que constava como diretor-geral. A diretoria executiva tinha como conselheiros uma costureira, uma recepcionista, um mestre de obras, um ajudante geral, uma operadora de telemarketing, um cozinheiro, um estudante universitário (diretor-presidente), um montador, um manobrista e um motoboy, entre outros. Além disso, eles moravam em diversos municípios do Brasil, como Cotia, São Paulo, São Caetano do Sul, Unaí (MG), Taguatinga (DF) e Caucaia dos Altos (SP).

O detalhe é que a Gamp foi proibida de assinar novos contratos com a administração pública, mas mesmo assim foi liberada a seguir no certame. A licitação para administrar o Hospital Regional de Sinop está suspensa desde o dia 08 de novembro, por decisão do juiz Mirko Vincenzo Gianotte, da 6ª Vara Cível da cidade.

O hospital está sem atendimento de pacientes eletivos e operando no limite somente para atendimentos de urgência e emergência devido à falta de medicamentos, permuta de serviços e diversos itens, conforme nota divulgada ontem pelo diretor técnico da unidade, Thiago de Abreu. A situação é caótica.

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Entre as irregularidades cometidas pela Gamp na cidade de C anoas, está o superfaturamento de medicamentos em até 17.000%, a utilização de laranjas e testas de ferro do chefe do esquema na direção do Gamp, a cooptação de agentes públicos, o desvio de dinheiro da saúde pública para os envolvidos na fraude, além do pagamento de viagens de férias pagas com dinheiro público da saúde. Apesar do registro formal de várias trocas no comando da ONG, na prática, a entidade sempre foi centralizada na figura do diretor, Marcelo Bosio, enquanto os demais atuam como laranjas ou testas de ferro dele.

O diretor-presidente foi, por anos, seu sobrinho, duas irmãs e uma sobrinha são membros do conselho de administração, uma irmã trabalha no setor administrativo, o cunhado é o diretor de compras, um sobrinho é encarregado de órteses e próteses. O responsável pelo setor de ensino e pesquisa do Gamp é um cunhado do médico, que não possui o ensino fundamental.

Todos eles são proprietários de empresas que são subcontratadas pela Gamp e receberam verbas públicas de Canoas. Só de Canoas, foram desviados R$ 40 milhões para contas pessoais de integrantes do esquema.

A previsão do MP era de que as fraudes cometidas em todo o Brasil chegariam a R$ 1 bilhão em cinco anos.

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Comentários (3)

  • Chirrão | Quinta-Feira, 06 de Dezembro de 2018, 14h30
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    TODAS.. TODAS.. TODAS.. ESSAS "OSS" E "OSCIPS" ESPALHADAS PELO BRASIL SÃO PRA DESVIAR DINHEIRO PÚBLICO...A FALÊNCIA DA SAÚDE DO BRASIL É CULPA DESSAS ORGANIZAÇÕES..QUE PEGAM MILHÕES DOS ESTADOS E NÃO PRESTAM O SERVIÇO DIGNO DESSE VALOR..deveriam ser extintas!!

  • Dom Quixote de La Mancha | Quinta-Feira, 06 de Dezembro de 2018, 14h15
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    Mais uma pra surrupiar o dinheiro público. Depois a culpa da quebradeira é dos policiais, professores, demais servidores do executivo. Kd o tribunal de faz de contas...

  • Antônio | Quinta-Feira, 06 de Dezembro de 2018, 14h14
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    0

    Como assim? Exclui ela logo.....

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