16 de Novembro de 2018,

Política

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Sexta-Feira, 14 de Setembro de 2018, 01h:22 | Atualizado:

SIGLA RACHADA

Candidatos do PT brigam por divisão dos recursos eleitorais em MT


Da Redação

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As eleições 2018 se aproximam cada vez mais e o tradicional racha interno no Partido dos Trabalhadores já nasceu. No pleito deste ano, após o imbróglio envolvendo a aliança da sigla com o candidato Governo, Wellington Fagundes (PR), os petistas brigam agora pela divisão de recursos financeiros entre os candidatos dos dois grupos internos: os pró-aliança e os contrários a essa união. De um lado, os candidatos que defenderam a candidatura própria e que veem Fagundes como um inimigo natural do PT desde que ele votou favoravelmente ao impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff. Este grupo não goza do poder da sigla, uma vez que os líderes estaduais estão, em sua maioria, ao lado de Wellington.

O grupo contrário à coligação lançou três candidatos e se autodenominam “Candidatos do Lula”, devido sua defesa em ter candidato próprio. Este grupo, que se reconhece como resistência interna, lançou três candidatos este ano, sendo Lúdio Cabral e Henrique Lopes a deputados estaduais e Edna Sampaio a deputada federal.

Até o momento, o partido transferiu o valor de R$ 17.750 a Lúdio e R$ 37.250 à Edna. Henrique Lopes, conhecido por sua trajetória sindical, ainda não foi contemplado pelos recursos partidários.

Do outro lado, os pró-aliança conseguiram lançar uma candidata a deputada federal, a ex-secretária de Educação, Rosa Neide, e quatro candidatos a deputado estadual: o deputado estadual que busca a reeleição, Valdir Barranco, Kota Cortês, Kako do CPA e Luis Brás.

Este grupo, diferente do primeiro, tem recebido apoio financeiro para custear suas candidaturas do PT e, por terem apoiado a aliança, do PR também. Rosa Neide já arrecadou o montante de R$ 413.250, sendo R$ 213.750 do fundo especial da direção nacional do PR e R$ 199,5 mil do fundo especial da direção nacional do PT.

Buscando sua reeleição, o deputado Valdir Barranco – presidente estadual do PT – arrecadou o valor de R$ 145.750, entre valores depositados pelo PT e pelo PR. Já o candidato Luis Brás recebeu o montante R$ 125.926,00, entre doações do PT e do PR. A candidata Kota Cortês, por sua vez, recebeu o montante de R$ 16.250,00 entre doações dos dois partidos. O Kaco do CPA recebeu o montante de R$ 11.250,00 do fundo partidário do PR.

Esta não é a primeira vez que o PT vive um racha interno. Nos últimos anos, a sigla protagoniza divisões a cada eleição. 

Em 2010, o então deputado federal Carlos Abicalil e a então senadora da República Serys Slhessarenko brigaram pela vaga ao Senado. Abicalil desejava disputar a cadeira e Serys pretendia se reeleger. Abicalil acabou conseguindo disputar a Senatoria e Serys disputou a Câmara Federal. No fim, nenhum dos dois foram eleitos e o PT perdeu as duas cadeiras que possuía no Congresso Nacional.

Em 2012, Serys foi protagonista de um novo racha no partido. Desta vez, contra o hoje candidato a deputado estadual Lúdio Cabral. Na época, ele recebeu apoio da maioria do PT para lançar sua candidatura a prefeito de Cuiabá. Porém, além de não apoiar o nome de Lúdio, Serys era apontada por alguns seguimentos internos como o melhor nome para disputar o Palácio Alencastro, mesmo morando em Brasília na época. O resultado da briga foi um ato de desfiliação em massa de líderes históricos do PT. No total, mais de 200 petistas ligados ao grupo de Serys deixaram a sigla.

Nas eleições de 2014, Lúdio Cabral forçou sua candidatura ao Governo do Estado. Apesar de o partido manter as aparências e não deixar a briga de forma tão clara ao eleitor, houve desgastes em torno da candidatura de Lúdio. Em um entendimento entre o PT Nacional e o Estadual, o ex-vereador disputaria uma das cadeiras da Câmara Federal. Bem avaliado como vereador e chegando ao 2º turno nas eleições anteriores, a expectativa era que Lúdio saísse vencedor na disputa e recuperasse a vaga do PT no Congresso. O plano não deu certo quando ele tentou forçar sua candidatura ao Governo, com o apoio do deputado federal Valternir Pereira (MDB). Ao ver que o nome de Lúdio era bem aceito pela população e que ele seria o principal adversário de Pedro Taques (PSDB), o PT abraçou a ideia e acabou acatando sua candidatura ao Palácio do Paiaguás.

Já no pleito de 2016, apesar de não ter ganhado repercussão, o partido teve problemas com a divisão de recursos financeiros entre as candidaturas femininas da sigla. Na ocasião, a suplente de deputada federal Jusci Ribeiro disputou à vice-prefeita na chapa do ex-juiz Julier Sebastião (PDT), então candidato a prefeito de Cuiabá. Naquele pleito, as candidatas a vereança de Cuiabá precisaram exigir parte do recurso financeiro destinado à mulher porque já estava reservado integralmente à candidatura de Jusci Ribeiro.

 

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Comentários (4)

  • Roseli Nogueira | Sexta-Feira, 14 de Setembro de 2018, 19h32
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    Muito inocentes os que acham que só no PT tem briga por verba. Vide MDB. As críticas aqui servem para todos.

  • Juca Curimba | Sexta-Feira, 14 de Setembro de 2018, 11h38
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    Olha o naipe do povo, imaginem o que não fazem por milhões, se por essa quirela já estão saindo no tapa. Também, com o tutor que tem, não poderia ser diferente. A roubalheira é de todo lado, rouba passe, pó de café, carro, passagem aérea, sítio, apartamento, até vibrador....

  • Thompson | Sexta-Feira, 14 de Setembro de 2018, 09h42
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    Não tenham dúvidas que o único interesse do PT é o dinheiro que o poder oferece. Com o dinheiro da corrupção e mais a criação do fundo partidário, que vai distribuir mais de R$ 2 bilhões entre todos partidos agora é que esta briga vai aumentar. Foi enganado quem pensava que o PT fosse diferente dos demais partidos. Não é a toa que o chefão da quadrilha está preso por corrupção e lavagem de dinheiro.

  • João Cuiabano de Nascimento | Sexta-Feira, 14 de Setembro de 2018, 03h25
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    Conheci o Lula quando disputava o sindicato do metalúrgicos do ABC pela CUT, nessa época ele já saia na porrada com a turma da CGT, era porrada, já que era muito dinheiro envolvido...Lula idolátra o dinheiro não é de hoje...

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