17 de Junho de 2018,

Política

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Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 18h:40 | Atualizado:

APOSENTADORIA TRAVADA

Conselheiro avisa que Taques "não é Deus" e assume ter sido ingênuo sobre aposentadoria no TCE

Antonio Joaquim alega que poderia desobrigar que aposentadoria de conselheiro fosse assinada pelo governador do Estado


Da Redação

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 Antonio Joaquim aponta que Taques age para enfraquecer sua pré-candidatura

O conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), Antônio Joaquim Neto, disse que foi “ingênuo” em seu processo de aposentadoria – que agora depende de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). Joaquim, que pretende disputar a eleição ao Governo de Mato Grosso em 2018, deve primeiro se aposentar do cargo no TCE-MT, porém, o ato depende da assinatura do governador Pedro Taques, que enviou ao STF o pedido em razão do seu afastamento das funções por determinação do ministro Luiz Fux.

As declarações foram dadas em entrevista ao programa Resumo do Dia da última quinta-feira (11). Oficialmente, Taques afirma que não poderia autorizar a aposentadoria em razão de Antônio Joaquim ter sido afastado do cargo durante a operação “Malebolge”, da Polícia Federal, em setembro de 2017. 

O conselheiro afastado do TCE-MT, porém, não tem dúvidas em dizer que o episódio foi politizado. Ele disse que cogitou alterar o regimento interno da Corte de Contas para dispensar a necessidade de autorização do governador na aposentadoria de conselheiros do TCE-MT, mas que não o fez para evitar um “ruído político” com o governador.

“Eu que arrumei essa confusão. Quando eu descobri que o governador assinava aposentadoria do conselheiro eu percebi que era a única situação no Brasil. Não há um Tribunal de Contas dos outros Estados que dependem da assinatura do governador na aposentadoria. Então eu queria mudar o regimento. Aí não mudei. Por isso que sou culpado”, disse.

Antônio Joaquim explica que não mudou o regimento em razão de um embate protagonizado com o governador antes de pedir sua aposentadoria, em abril de 2017. Na época, o Governo do Estado se recusou a passar dados de empresas que estariam envolvidas num suposto caso de fraudes em ICMS do agronegócio. 

Na ocasião, Taques e Joaquim protagonizaram um bate-boca público, onde o governador acusou o presidente do TCE-MT de utilizar o órgão como “trampolim político”. O conselheiro, por sua vez, afirmou que a arrogância do Chefe do Executivo não lhe “assusta”.

O presidente do TCE qualificou o episódio como “ruído político” e disse que se mudasse o regimento interno do órgão para dispensar a autorização de Pedro Taques em sua aposentadoria criaria um outro “ruído”, confessando, em sua avaliação, que foi “ingênuo” no episódio. “O governador Pedro Taques fez uma nota desagradável, tosca e sem educação contra mim e eu respondi a altura. Aí pensei assim, que se fosse mudar o regimento do TCE para ficar igual o Brasil inteiro, criaria um ruído muito grande. Então fui muito ingênuo”, assinalou.

O conselheiro avaliou que seu processo de aposentadoria é completamente legal e destacou que não responde a nenhum processo administrativo, criminal, sindicância. Ele aponta que sequer foi denunciado pelo Ministério Público, voltando a atacar o governador tucano. “A única coisa minha é que estou numa delação, que está também o doutor Pedro Taques. A diferença é que ele está em mais três delações e eu só estou nessa”.

O conselheiro afastado reforçou que o governador detém prestígio junto a Procuradoria Geral da República, uma vez que era membro do MPF até 2010, quando ingressou na política-partidária. “O Pedro Taques usa sua amizade com o Rodrigo Janot e também com a procuradora Dodge, e ele disse isso nas suas rodas sociais e políticas, então com certeza usa esse prestígio. A mão pesada da PGR sobre mim com esse afastamento, não teve com o Taques. Ele está em 4 delações e eu só estou em uma”.

FILIAÇÃO

O conselheiro voltou a dizer que foi ingênuo quando anunciou seu futuro político antes de oficializar sua saída do Tribunal de Contas. Joaquim lembrou que enviou o documento ao governador no dia 19 de outubro de 2017, e que o Chefe do Executivo tinha 20 dias para “devolver” a autorização. 

Segundo ele, em 8 de novembro, no dia em que acabava o prazo, Taques determinou a consulta ao STF.

Joaquim diz também que o episódio foi “político” pois havia agendado justamente para o dia 8 de novembro sua filiação ao PTB. Para ele, o governador "inviabilizou" um ato das “oposições”, mas que Taques não impedirá que o movimento aconteça, pois não é o “Deus Todo Poderoso”.

“A aposentadoria estava prontinha e chegou na mesa do governador no dia 19 de outubro. Eu considerei que 8 de novembro estaria livre para fazer o ato. Ele segurou 20 dias que era o prazo para ele segurar. Ao final dos 20 dias, que deu exatamente dia 8 de novembro, ele mandou para o ministro perguntado se podia ou não assinar. Veja que ele conseguiu inviabilizar o ao ato de filiação do dia 8 de novembro e o ato das oposições contra o governo dele. Mas eu tenho certeza que ele não vai impedir que essas coisas acabem acontecendo. Ele não é o Deus todo poderoso”, disse o presidente do TCE-MT.

TCE É PASSADO

Antônio Joaquim disse ainda na entrevista que o grupo político que apoia sua intenção de disputar o Governo do Estado irá esperar até o mês de fevereiro de 2018 – quando o STF julgará se ele pode ou não se aposentar -, para lançar sua candidatura. Caso ele não seja autorizado a ter o benefício, o presidente afastado disse que deve se “retirar” para dar espaço para que alguém “cresça”, citando o senador Wellington Fagundes (PR), que também faz oposição a Taques.

“O prazo é agora, início de fevereiro, onde deverá ter a decisão da Primeira Câmara [do STF] sobre a minha aposentadoria. Se eu não conseguir isso até fevereiro eu me imponho o dever de me retirar para dar espaço para alguém crescer. O senador Wellington fala que é uma opção, é um senador atuante, tem uma história política, não há problema. Eu só posso afirmar que estarei na oposição ao Pedro Taques”, disse ele.

O presidente afastado da Corte de Contas disse também que mesmo numa eventual decisão do STF de determinar a “volta” dos conselheiros do TCE-MT ao órgão - Valter Albano, Sérgio Ricardo, José Carlos Novelli e Waldir Teis, todos afastados junto com Joaquim no dia 14 de setembro durante a deflagração da operação Malebolge -, não retornaria ao Tribunal, que segundo ele é “passado”.

“Supondo que o ministro resolva retornar todos os cinco conselheiros. Eu fico uma hora no Tribunal para anunciar que estou saindo. O Tribunal é passado para mim. Eu me considero aposentado desde o dia 12 de setembro quando protocolei a aposentadoria”, disse ele.

Antônio Joaquim, porém, fez uma ressalva, dizendo que voltaria a presidir o órgão para propor a mudança do regimento interno dispensando a necessidade de assinatura do governador nos atos de aposentadoria dos conselheiros. O presidente afastado do TCE-MT disse que faria isso para que sua biografia não ficasse “borrada” com o nome de Taques, dizendo ainda que se sente perseguido.

“Não é nem considerar [que está sofrendo perseguição]. Sou uma pessoa muito serena, muito preparada para esses embates. É a realidade. Se eu voltar ao Tribunal a única coisa que vou pedir antes de aposentar é mudar o regimento para minha biografia não ficar borrada com a assinatura do Pedro Taques na minha aposentadoria”.

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Comentários (29)

  • Rute | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 20h37
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    Nem Antônio Joaquim nem Pedro Taques. MT merece coisa melhor, dois CORRUPTOS ansiosos por poder e dinheiro, sem compromisso com o povo.

  • Victor | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 20h32
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    0

    Esse Taques depois do coordenador de campanha e o secretário de Educação terem sido presos por terem desviado 54 milhões e depois de ter insistido pra manter o consórcio acusado de desvios a frente do VLT, conduzido pelo Wilson Rodoanel NÃO TEM PRESTÍGIO ALGUM, SE IGUALOU AO SILVAL na minha opinião. Eu esperava outra coisa dele.

  • Marciano | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 20h28
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    0

    Veremos como ficarão as coisas com o responde da ação dos grampos porque o chefe da quadrilha ainda está a solta.

  • Júlio | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 20h27
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    Taques coloque a barba de molho porque a nova Procuradora Geral da República vai desarquivar a delação do Alan Maluf e o Antônio Joaquim coloque a barba de molho por causa de suas ações no governo Silval.

  • Carlos | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 20h25
    0
    0

    O acordo era o TCE aprovar as contas do Taques, mesmo com as pedaladas com os recursos do Fundeb e contrato de combustíveis sem licitação e o Taques lançar o Antônio Joaquim ao governo. Mas alguém não cumpriu a sua parte. Quem???

  • Geraldo | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 16h37
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    0

    Esse Conselheiro tinha que se tratar, procurar um especialista que trabalhasse a auto estima dele a aceitar que ele esta prestes a ir preso e não ficar de bla bla bla na internet, as pessoas tem a mania e certeza de acharem que nunca a casa ira cair, porem a justica existe, gracas a Deus. #brasil21

  • Lima | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 16h01
    1
    2

    Diga-se de passagem... É O CARA. TEM FÔLEGO E TEM GRANA. A imprensa marrom baba pelo cara...

  • Jao | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 11h26
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    Ta no lucro. Era para estar na cadeia.

  • JOSÉ RAUL VILÁ NETO | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 10h13
    11
    1

    Você ingênuo?, acha que engana quem, sempre entrincheirado na velha política de Mato Grosso, eu enquanto cuiabano falo que você é um mau pau rodado, você não faz falta já se locupletou e ainda abrem espaço pra essas falsas lágrimas de crocodilo, você só pode ser boi de piranha, não vai ser eleito pra nada a não ser com a comprar votos.

  • joao | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 10h06
    10
    0

    CONSELHEIRO RESPONDE A PAD.

  • Selmy | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 09h43
    12
    1

    Aí tadinho,ele foi ingênuo, ingênuo é quem votar em um cara desse e un tremendo otário.

  • Raimundo | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 08h40
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    0

    A impunidade no Brasil cria este tipo de situação, uma pessoa que era para estar presa e com seus bens confiscados segue uma vida normal e ainda tenta ser governador. Um tapa na cara do cidadão.

  • Idiara | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 08h23
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    0

    Afastado do cargo por desvio de conduta e quetendo disfarça a gravidade do caso, se dizendo pre candidato, nem Toin nem Pedom! Chega de pessoas desse tipo de conduta.

  • João Cuiabano de nascimento | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 03h09
    10
    0

    Esse Antônio tá dando recibo de que alem de incompetente, em não fiscalizar o VLT, foi tamb. burro ao não mudar o regimento e ainda é um ingenuo em pensar que pode ganhar de Pedro Taques pro governo. Antônio não ganha nem pra síndico aqui do Fontana di Trevi onde ele mora. Fico abismado de ver como pessoas desse nipe ainda consegue morar em um apto, 1 por andar onde só o condomínio é 3000. O Antônio me lembra o Rafael Ilha, fracassado que faz tudo pra aparecer na mídia...se tivesse se recolhido à sua insignificância, já estaria aposentado...pega o boné Joaquim e sai de cena, já deu...

  • silva | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 02h34
    3
    7

    Ele não é Deus, mas é um homem sério, para desespero de muitos acostumados com dinheiro fáceis jorrando nas maracutaias. Dinheiro fácil é um perigo para sanidade mental, pois a abstinência dele não tem cura.

  • Justo | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 01h23
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    0

    Gente esse Antonio Joaquim se esqueceu que os tempos mudaram, acabou a zorra do dinheiro público, quando encontra um que diz não, e não atende seus pedidos, ai sai gritando aos 4 cantos do mundo que a pessoa é arrogante. Acabou para esse povinho que ficava mamando e pousando de gente honesta.

  • Celso | Sábado, 13 de Janeiro de 2018, 00h26
    9
    0

    Carlos Cezar, concordo com vc em parte, mas esse Antonio Joaquim é muito pior. Fez carreira política e espero que não volte a assumir o cargo. Espero ainda que o afastamento desses conselheiros seja um divisor de água no TCE/MT, cujos cargos sempre foram pelo critério de amizade, político e interesses pessoais.

  • Observador | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 23h12
    9
    0

    Não foi Pedro Taxi que impediu sua aposentadoria, foi o STF seja honesta na sua fala meu caro.

  • Ronega Cruz | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 22h02
    5
    2

    Gente merda trocada por basta dá em nada.trocando em miudo são da mesma especie. Vote 0000 confirma. A unica saida.

  • Jose | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 21h59
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    0

    Ué primeiro ele A J quer assegurar uma boquinha (aposentadoria ) depois sair e se candidatar? Se ele é tão bom seja macho Saia e ganhe as eleições ué.

  • Pedro luis | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 21h43
    9
    0

    Esse Antonio Joaquim é um mala. O problema dele, e dos outros conselheiros é com a justiça, e não com o governador. Aliás, o único que fica reclamando e piblicando materias toda semana é esse sujeito.

  • Servidor público estadual | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 21h37
    6
    0

    Este é o maior cabo eleitoral do Pedro Taques, pois de tão rejeitado talvez seja o único candidato que o governador sairia vencedor em uma disputa. O costume dele de ameaçar quem não concorda com ele vem de longe, que o diga o Dr Alonso do hospital otorrino, que sofreu ameaça até armada por parte deste senhor candidato ex conselheiro Antônio Joaquim. É só consultar no Google e YouTube que tem vídeos e matérias sobre o assunto.

  • Mário Alberto Lopes | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 21h28
    7
    0

    Uma prova que não pode ser governador, tem dificuldades de tomar decisões óbvias🐴🐴🐴

  • Juca chaves | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 21h19
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    0

    Ingênuo não é a palavra correta Conselheiro... Há quem possa afirmar que a correta seria “BURRO”! E aqui para nos, você não agiu com essa consciência toda alegada! Faltou conhecimento mesmo.

  • Tom Araújo | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 20h25
    2
    0

    Esse Governador Taques está criando maior confusão no quadro político. Ele está copiando o comportamento do Presidente TRUMP. Foda! Não precisa ser um gênio pra saber que tem que respeitar o direito ou espaço do outro, mesmo sendo inimigo tem que haver o mínimo de hombridade e/ou humanista.

  • Jonas N. Souza | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 20h22
    2
    0

    Com as declarações deste conselheiro, verificsão samos que como bem disse o Janot em sua conferência no proprio Tribunal, que agora é a hora de fazermos uma reforma nesta instituição que hoje abriga 80% de políticos corruptos, ladrões mesmos.Nenhum deles tem condições de apresentar um curriculum que comprove sua capacidade de competência para exercer o cargo.Esta é a hora de reformamos o nosso Tribunal de Contas, que aliás não está servindo para nada, a não ser aumentar os gastos com o pessoal e ser o órgão dos políticos corruptos.

  • Carlos Cezar | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 19h47
    60
    7

    2 vermes

  • Cuiabania | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 19h41
    62
    6

    Bem feito dois mala

  • jUNO | Sexta-Feira, 12 de Janeiro de 2018, 19h21
    71
    5

    Se esse cara for eleito governador, MT vai virar o extinto DVOP que ele presidiu ou coisa bem pior, quem viveu sabe...

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