20 de Março de 2019,

Política

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Sexta-Feira, 15 de Março de 2019, 19h:11 | Atualizado:

MENSALINHO DE R$ 30 MIL

Ex-secretário revela que recebia "salário extra" de empresário em MT

Empresário Alan Malouf já havia confirmado prática, mas não havia apontado Permínio como beneficiado


Da Redação

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O ex-secretário de Estado de Educação, Permínio Pinto, admitiu nesta sexta-feira à Justiça que recebeu pagamentos complementares para permanecer no cargo no palácio Paiaguás durante a gestão do ex-governador Pedro Taques (PSDB). De acordo com Permínio, o combinado foi receber o montante de R$ 30 mil líquidos mensais.

Assim, além do salário pago pelo Estado, o então secretário também recebia uma verba mensal para, somada ao salário, resultar no valor desejado. As informações foram prestadas pelo ex-secretário durante depoimento à juíza Ana Cristina Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Segundo o ex-secretário, a oferta foi feita no terceiro encontro que teve com o empresário Alan Malouf no escritório do empresário. Na oportunidade, Allan teria admitido que fez parte da equipe que avaliou os nomes cotados para cada uma das secretarias e que uma das dificuldades foi justamente com relação aos salários, relativamente baixo quando comparado aos rendimentos que os escolhidos já tinham na iniciativa privada. “Ele, Maluf, falou que houve dificuldade de compor o secretariado, porque o salário era baixo, além do caixa que a pasta teria, e afirmou que faria recomposição salarial para mim, para chegar próximo a R$ 30 mil. Pedi um tempo pra pensar”, explicou.

Em seguida, Permínio alegou que, passados alguns dias, próximo ao final de janeiro de 2015, foi novamente procurado pelo empresário, que cobrava uma garantia do então secretário. Para tranquilizá-lo, Malouf teria dito que o esquema protegeria de todas as formas os nomes de ambos, para que, caso descoberto, nunca chegassem aos dois.

Foi neste mesmo encontro que Permínio foi apresentado ao empresário Giovani Guizardi, proprietário da Dínamo Construtora, que mantinha contrato com a Seduc. Ele foi apresentado ao ex-secretário como o responsável por captar recursos junto às empresas que mantinham contrato com a pasta, para que o esquema estivesse em funcionamento e o pagamento das propinas saísse tal qual planejado.

Assim que aceitou a proposta, Permínio teria recebido a orientação de indicar alguém para manter a ponte entre a Seduc e Allan Malouf, repassando informações e procedimentos ao empresário. Permínio então indicou Fábio Frigeri, a quem teceu elogios durante o depoimento, o classificando de se tratar de uma pessoa de sua extrema confiança e profissionalismo.

Durante o depoimento, Permínio afirmou também que em seus primeiros encontros com Malouf, este lhe informou que ele e um grupo de empresários teriam investido pesadamente na campanha de Pedro Taques nas eleições de 2018. A primeira vez que ouviu a afirmação, foi no primeiro encontro que teve com o empresário.

No dia em que ofereceu a Permínio o pagamento de salário complementar, Malouf teria explicado também que, como os empresários haviam investido na campanha, precisavam recuperar este dinheiro. Permínio afirmou que, em sua delação com o Supremo Tribunal Federal (STF), há planilhas com valores e nomes dos beneficiados, mas que não poderia citar ali para a juíza devido à delação estar sob sigilo.

OMISSÃO DE MALOUF

A informação de que foram feitas complementações salariais durante a gestão Pedro Taques, para manter secretários que antes recebiam mais na iniciativa privada, já não era mais segredo. Isso porque, o empresário Allan Malouf, também delator do esquema, já havia declarado à Justiça o pagamento de salário complementar ao ex-diretor da Unimed, Paulo Brustolin, que comandou a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), e o ex-diretor financeiro e regional do Grupo Kroton, Júlio Modesto, que assumiu a Casa Civil e a Administração.

Ele não chegou a citar o pagamento complementar a Permínio. Tal esquecimento de Malouf pode caracterizar omissão em sua delação.

De acordo com a delação de Malouf, os dois receberam mais de R$ 1,7 milhão a mais que o salário de secretário para permanecerem no staff do então governador. Segundo o documento, a Brustolin foram pagos R$ 500 mil apenas para assumir a pasta. Além do “mimo”, ele também passou a receber, mensalmente, o valor de R$ 80 mil, entre janeiro e dezembro de 2015.

Modesto, por sua vez, recebeu o valor mensal de R$ 25 mil nos mesmos meses. No entanto, o empresário não relatou que pagou salários extras para Permínio Pinto.

A Operação Rêmora foi deflagrada em 2016 pelo Gaeco com o objetivo de desbaratar um esquema de corrupção implantado nas entranhas da Seduc. Segundo as investigações, os desvios se davam por meio de contratos de obras em escolas superfaturados. Permínio chegou a ser preso preventivamente em julho de 2016, mas acabou sendo solto em dezembro do mesmo ano após confessar seus crimes.

O grupo fraudava o processo licitatório e exigia o pagamento de propina por parte das empresas para que a Seduc firmasse o contrato. As investigações apuraram que o esquema foi montado para recuperar recursos investidos na campanha do ex-governador Pedro Taques. Além do ex-secretário, são réus na ação o empresário Giovani Guizardi, que acusou Permínio de ficar com 25% de toda a propina arrecadada com os empresários, donos das empresas contratadas pelo Estado para realizar obras de reforma e construção de escolas em Mato Grosso. Giovani é apontado por ser operador do esquema.

Outra pessoa com papel destaque no esquema é o empresário Alan Malouf. Em seus depoimentos, Permínio acusou Pedro Taques e o ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB) de integrarem o esquema. Este último, segundo Permínio, ainda praticava o crime de lavagem de dinheiro.

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Comentários (10)

  • DEMÔNIOS VIVOS | Sábado, 16 de Março de 2019, 13h02
    2
    0

    Não teria mais secretários recebendo? Inclusive quem sucedeu? Se a lógica permanecer tem que apurar se não está sendo seletivo!

  • PANTANAL | Sábado, 16 de Março de 2019, 11h57
    3
    0

    LADRAOZAO IGUAL A MUITOS QUE FINGEM SER FUNCIONARIOS PUBLICOS // BANDIDO CADEIA NESSE CRAPULA

  • JUNO | Sábado, 16 de Março de 2019, 10h16
    5
    0

    Vivemos em um mundo capitalista, ninguém, em sã consciência, deixa a iniciativa privada para ganhar menos no setor público, é natural. Brasileiro pode ser generoso, mas não é altruísta neste nível. Ninguém deixa seus negócios à mingua ou aos cuidados de terceiros, se não tiver uma vantagem econômica, ninguém deixa de ganhar mais, para ganhar menos, somente para contribuir com a sociedade, daí a incompreensão de pessoas deixarem a iniciativa privada, onde ganham 10X, para ganhar apenas X no setor público. O depoimento do secretário explica isso, quando menciona o "por fora". O problema é que depois a culpa pelas lambanças financeiras é do servidor público, ninguém lembra que os recursos são desviados para pagamentos por fora, são injetados em intermináveis verbas de gabinete, verbas indenizatórias etc.

  • Zico 10 | Sábado, 16 de Março de 2019, 10h14
    5
    0

    Faça como nos USA, cobre a devolução do que foi roubado com multas e juros altíssimas, confisque o patrimônio oriundo do crime e elimine-o da vida pública. Não precisa prender. Pois, preso, nos contribuintes é que iremos sustentá-lo na cadeia, a não ser que tenha havido prejuízos para terceiros.

  • José | Sábado, 16 de Março de 2019, 09h24
    5
    0

    A VERDADE É QUE O DESGOVERNO PEDRO TAQUES QUEBROU O ESTADO POR CAUSA DOS MAIS DE R$20 BILHÕES DE IRREGULARIDADES EM 2015 A 2018. Até agora não foi apurada a responsabilidade de todos os membros do desgoverno taques quanto aos desvios e fraudes do desgoverno da transformação do estado em caos e roubalheira, cujas irregularidade somadas já ULTRAPASSARAM OS $20 BILHÕES. Só para lembrar aí vai a lista detalhada dos mais de $20 bilhões em irregularidades pendentes de serem apuradas: R$69 milhões em desvios na caravana da transformação; perdão de R$645 milhões em dívida da petrobrás; perdão de R$5 milhões de reais em dívidas da unimed cuiabá; a operação Rêmora por desvio de R$57 milhões na SEDUC; operação Bereré por desvio de R$30 milhões no Detran; operação Grampolândia na segurança pública usada para chantagear adversário; delação de Alan Malouf sobre Brustolin recebendo R$80 mil por fora todo mês; delação de Alan Malouf e Perminio indicando que secretários (Permínio, Brustolin, Julio Modesto e etc) recebendo mensalinho de R$30 mil/mês; mensalinho R$100 milhões por dentro para os deputados; rombo de R$4 bilhões no caixa e desvio de $500 milhões do Fundeb; desvio de R$1,2 milhões no fundo de trabalho escravo; desvio e apropriação de R$300 milhões dos municípios; desvio e apropriação de R$300 milhões dos poderes; aumento de $2 bilhões nos Incentivos Fiscais; aumento de milhares de cargos políticos comissionados, aumentou da folha de pagamento pela contratação de mais de 10.000 pessoas; uso da justiça para proteger seus amigos e secretários conforme disse o cabo Gerson; delação de Alan Malouf tratando de 12 tipos de corrupção entre elas os $10 milhões de caixa 2 administrados por Alan Malouf e Julio Modesto; licitação irregular de 11 bilhões para transporte interestaduais; desvio de R$58 milhões em pontes na SINFRA; $300 milhões em vantagem cobrada de quem recebeu antecipado no decreto do bom pagador; crédito de R$100 milhões para o primo Paulo Taques; maracutaia com a juizá candidata para ferrar o Silval e a família dele; irregularidades de R$3 bilhões no Edital nº 02/2018 da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) sobre rodovias MT 246, MT 343, MT 358 e MT 480. Além disso, apropriação indébita de R$70 milhões descontado dos salários dos servidores públicos para pagar empréstimos consignados, estouro da folha pagando vantagens para apaniguados políticos que receberam salários acima de R$100 mil, contratação irregular de 2000 cabos eleitorais na SEDUC para fazer campanha para o ex-secretário Mahafon, peculato ao gastar R$10 milhões em telefone por secretaria do estado durante a campanha eleitoral para o governo 2018; R$180 milhões em indenizações irregulares pagas em 2018 as empresas supostamente prestadoras de serviços na Secretaria de Estado de Saúde Secretaria.

  • A pergunta que não quer calar: | Sábado, 16 de Março de 2019, 08h50
    4
    0

    Quais outros secretários do Líder Supremos QUIM JONG PEDRO recebiam mensalinho? Esquecerem de perguntar?

  • Sergio santos | Sábado, 16 de Março de 2019, 07h57
    3
    0

    Bom e que a torcida do Flamengo sabia disso antes desses larápios entrarem, que isso iria acontecer, complementos de salários, e só agora os MPs estão sabendo né??? Então tá bommmmm MPs, Aliás vcs não andam servindo pra nada

  • eleitor | Sábado, 16 de Março de 2019, 05h06
    3
    0

    Eu quero ver que dia o Pedro Taques será preso? Mato Grosso só esta nas mãos deste Mauro Mendes graças a este Pedro Taques porque se ele tivesse sido um bom Governo ninguém teria votado em Mauro Mendes o Pedro Taques continuaria mas ele de ter sido um pessimo Governador ainda deixou de presente o Mauro Mendes e alguns dos seus secretários. Portanto, vamos ter oito anos de atrasos em Mato Grosso por culpa do Pedro Taques que trocou os pés pelas mãos..

  • ana | Sexta-Feira, 15 de Março de 2019, 19h29
    26
    1

    se for condenado tem que devolver o dinheiro recebido de forma ilegal e ir preso

  • Justiceiro | Sexta-Feira, 15 de Março de 2019, 19h21
    21
    5

    Pena de morte pra esses vagabundos

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