Cidades Domingo, 16 de Junho de 2024, 12h:06 | Atualizado:

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ERRO EM EXAME

Advogada suspeita de fraude em DNA de filha de fundador de cidade em MT

Caso em MT envolve suposta filha de pecuarista

Metrópoles

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Teste Exame DNA

 

Um grupo de mulheres prejudicadas por exames de DNA com erro ou indícios de fraudes se uniu em grupos de WhatsApp para compartilhar suas histórias e, com isso, buscar soluções aos seus problemas.

Parte delas é apoiada jurídica e cientificamente por um trio composto por uma advogada e dois especialistas em questões genéticas, que trabalham para reverter resultados, questioná-los e, quando necessário, cobrar a responsabilização pelos erros.

Como mostrado pelo Metrópoles, erros em exames de DNA podem destruir projetos de vida, como os da dona de casa Elizabete Santos Reis de Lima, de 36 anos. Após o resultado negativo da paternidade, de um dos filhos gêmeos dela, sua moral foi destruída publicamente — mesmo com dois exames posteriores comprovando a paternidade de ambos os filhos.

Ela perdeu sua loja de roupas, além de ter deixado de frequentar sua religião de escolha, por ser apontada como “adúltera”.

A advogada Vanessa Pinzon, especialista em Direito Civil, acompanha atualmente cinco casos do tipo, ocorridos em São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul.

Ela trabalha em parceria com Eduardo Ribeiro Paradela, doutor em neurociências e especialista em genética forense, e com o biólogo e mestre em biofísica molecular André Luís Soares Smarra.

Os dois cientistas também acompanham outros casos pelo país, incluindo de erros e com indícios de fraudes.

Somente em um dos grupos, organizado via WhatsApp, há 17 vítimas de prováveis erros em laudos de DNA para a comprovação de paternidade.

Filho de dois pais

A vendedora Thaís de Souza, de 28 anos, teve um relacionamento rápido com o pai biológico de seu filho, nascido em 15 de fevereiro de 2021.

Antes disso, porém, um exame de DNA foi feito, com a criança ainda em gestação, porque o então namorado, por ser uma “pessoa de posses”, queria ter certeza da paternidade. Para a surpresa da vendedora, que mora em São Paulo, o resultado foi negativo.

Ela tinha certeza da paternidade, mas como o exame de DNA deu negativo, decidiu procurar o antigo companheiro [o barbeiro Washington Rodrigues, de 33 anos]”, explica Vanessa. Washington topou reatar o relacionamento com a vendedora e assumiu a paternidade da criança.

Cara de um, focinho de outro

Quando o menino nasceu, porém, a natureza desmentiu o exame negativo de DNA — o garoto contava com todos os traços físicos do rapaz que havia pedido para o exame ser feito.

“Eu tinha certeza que meu filho era filho do pai dele, do biológico. Mas como o exame de DNA deu negativo, parecia que eu era golpista, que queria dar o golpe da barriga”, afirmou a vendedora à reportagem.

Washington é um homem de pele parda e cabelos crespos. O menino, porém, nasceu com os cabelos lisos, loiros e com a pele “extremamente branca”, destacou Thaís.

Apesar disso, o barbeiro registrou o menino e seguiu a vida, junto com a companheira, por cerca de sete meses. O compartilhamento de uma foto, em uma rede social, mudou a configuração da família, no papel e na vida real.

Pai biológico retorna

O pai biológico da criança procurou Thaís, logo após ver a foto compartilhada pela vendedora na internet.

“Ele me procurou e mostrou uma foto dele quando criança. Nosso filho é idêntico”.

Um novo exame de DNA foi feito, desmentindo o primeiro, e provocando mais uma dor de cabeça para Thaís e Washington.

O registro de paternidade precisou ser retificado e o menino passou a ter dois pais, o biológico e o de consideração.

“O menino sofreu, porque estava já apegado ao Washington e, quando o pai biológico entrou na rotina dele, chorava e estranhava”, afirmou Thaís.

Hoje, a criança mora com a vendedora e o barbeiro e passa três fins de semana por mês com o pai biológico.

O laboratório Genomic Engenharia Molecular, que errou o exame, propôs um acordo para Thais, em uma audiência de conciliação. Após pagar R$ 9 mil, a caso foi encerrado, sem a necessidade de uma intervenção judicial.

Washington, porém, processou a empresa, por danos morais, e ganhou uma indenização de R$ 50 mil. O laboratório entrou com recurso e o pedido ainda é avaliado pela Justiça. Procurado pelo Metrópoles, o laboratório Genomic não se manifestou. O espaço segue aberto.

Filha do fundador da cidade

Outro caso envolvendo exame de DNA destacado pela advogada Vanessa Pinzon é o de uma mulher que seria filha do fundador de Jaciara, cidade de 28 mil habitantes no Mato Grosso.

Apesar de o homem a ter criado como filha, a vida toda, um exame de DNA foi feito após a morte do pecuarista, a pedido dos herdeiros. O resultado foi negativo.

Jéssica, cujo sobrenome não foi informado por Vanessa, é conhecida na cidade como “Caixetinha”, o diminutivo de Caixeta, o sobrenome do homem que a criou como pai.

“Existe semelhança física entre eles. Ela era conhecida por todos como a filha de seu suposto pai, que foi amante de sua mãe por vários anos, inclusive deu imóvel a genitora e frequentava a casa convivendo com a filha”, explicou a advogada.

Vanessa afirmou ainda que os exames de DNA foram feitos de “forma obscura”, não respeitando local pré-determinado, além de o comportamento de profissionais envolvidos na feitura dele ter sido suspeito. “Não foi assegurado o direito a uma prova imparcial sob a égide da Constituição Federal, seguindo os princípios da legalidade, contraditório e ampla defesa”.

Ela diz isso porque um dos responsáveis pelo exame já foi processado e é investigado por supostamente forjar um laudo, em benefício de uma médica, em outra ocasião.

“Temos indícios, através de exames, que houve fraude, de que o resultado [negativo para paternidade] foi manipulado. Por enquanto, temos indícios, não podemos afirmar, ainda, que houve fraude”, disse o mestre em biofísica molecular André Luis Soares Smarra.

O processo de Mato Grosso ainda está em andamento.





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Comentários (10)

  • Cleanto Farina Weidlich

    Segunda-Feira, 15 de Julho de 2024, 10h43
  • ... estou nessa mesma angustia, certo que houve fraude reiterada na FEEPS / RS., e depois, no Laboratório Forense na PUC/RS., já´está em grau de apelação reclamando reforma e com parecer favorável a improcedência pelo MP., todos dormindo no sono profundo da fraude amplamente demonstrada nos recursos, ... valha-nos Deus, se alguém do grupo puder nos enviar um sinal de fumaça para ajudar, a Deusa da Justiça e as partes injustiçadas, agradecem, ... p.s.: entrei com pedido de sindicância administrativa na Reitoria da PUC/RS., e, até agora fizerem ouvidos moucos, ... mas vão pagar o pato, todos os envolvidos vão pagar o pato, isso é mais que certo!!! Cleanto Farina Weidlich - OAB 17.152 RS., advogando essa causa há 40 anos, ...
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  • GIOOO

    Sábado, 22 de Junho de 2024, 12h28
  • SANDRA E myriam falem com @vanessapinzon_advocacia 55 9 96836839
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  • Elizabete Santos Reis de Lima

    Sábado, 22 de Junho de 2024, 12h20
  • Sandra e Mirian eu faço parte do grupo que denuncia frequentes ERROS em exame de DNA eu carrego na minha história também essa injustiça entrem em contato com a dr destes casos revertido, não desperdice a chance de devolver a história de seus filhos!
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  • Eliza Lima

    Sábado, 22 de Junho de 2024, 12h15
  • Eu faço parte deste grupo que veio ao público relatar ERROS dos laboratórios, todos que estejam passando por esta mesma injustiça entrem em contato com a nossa advogada especializada em casos de erros e fraudes em exames de DNA dr.Vanessa Pizson 55 9683-6839, não desperdicem a chance de irem munidos para devolverem a história para os filhos de vocês. https://www.instagram.com/vanessapinzon_advocacia?igsh=MTJicHppdDNyaWZxOQ==
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  • Juremy Pinheiro

    Terça-Feira, 18 de Junho de 2024, 07h29
  • Num mesmo caso, a mulher q teve a moral destruída pelo exame recebe 9 mil. O marido pelo mesmo motivo, só entrou na história por ter assumido a criança,sem questionar, leva 50 mil. Essa justiça brasileira, misógina, é inacreditável.
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  • JOSEH

    Segunda-Feira, 17 de Junho de 2024, 23h33
  • Sandra vai no laboratório de DNA, é local de exame.
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  • Sandra

    Segunda-Feira, 17 de Junho de 2024, 15h04
  • Gente estou passando pelo mesmo problema.moro em Uberlândia. Confie num advogado que fez um exame amigavel do meu filho ele foi totalmente corrupto.espero em Deus fazer um novo exame.
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  • Myriam Martins

    Domingo, 16 de Junho de 2024, 21h41
  • Boa noite gostaria tbm de fazer um segundo DNA pq meu pai não época fez um DNA particular porque ele sendo da marinha teve condições eu tinha apenas 1 um aninho e ele confessou pra minha mãe que ele era meu pai e ele foi presente até nós ir novamente fazer outro exame pela UERJ de DNA que infelizmente deu negativo ele parou de ajudar minha mãe e minha mãe sempre soube que ele era meu pai mas cm ele já era de idade o juiz deu causa ganha pra ele não deixou repetir o exame e ele não apresentou o outro particular que tinha dado positivo e meu pai não falou onde foi feito pra minha mãe hoje ele é falecido só minha irmã recebe a pensão e ninguém me ajuda provar que esse exame está errado ou foi fraudado me ajuda por favor a provar essa fraude
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  • Laboratórios suspeitos

    Domingo, 16 de Junho de 2024, 17h06
  • Esses "erros" de exames é muito comum no Brasil. Não apenas de DNA, bem como de outras modalidades, como exames TOXICOLÓGICOS ou até mesmo de doenças gravíssimas como a AIDS. Tais laboratórios, deveriam ser punidos severamente pela justiça brasileira, mas estamos falando de " brasilzinho". Um país de leis relativas, de leis aprovadas de formas tendenciosas. Imaginem o prejuízo moral e material das vítimas de alguns desses laboratórios mercenários que visam o lucro a qualquer custo, mesmo que na forma de propina.
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  • Cuiabano

    Domingo, 16 de Junho de 2024, 14h31
  • A OAB precisa se posicionar sobre condutas de membros desta instituição , ao mesmo recentemente um outro nobre causídico falsificou também uma CTPS (carteira de trabalho ) para obtenção de vantagem processual , deveriam cassar os registros dos que assim atuam .
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