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Terça-Feira, 14 de Outubro de 2014, 22h:28 | Atualizado:

ATÉ SEM SERINGA

Cirurgias são canceladas no pronto-socorro de VG

prontosocorro

 

O Ministério Público do Estado (MPE) instaurou um inquérito civil público para investigar a precariedade e falta de condições do Pronto- Socorro Municipal de Várzea Grande. Diversas cirurgias teriam sido canceladas na unidade por falta de insumos e medicamentos. 

Conforme o promotor Rodrigo de Araújo Braga Arruda, o próprio diretor clínico da unidade teria denunciado que o atendimento estaria prejudicado em virtude de falta de exames, sondas, ataduras, fitas adesivas e outros insumos básicos. A falta dos produtos teria forçado o cancelamento de diversas cirurgias. “A respeito do tema, lembramos que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução do risco de doença, proteção e recuperação. De outro lado, destacamos que a forma como o serviço vem sendo prestado viola o princípio da eficiência, previsto na Constituição Federal, indicando a necessidade de intervenção do Ministério Público”. 

O promotor ressaltou que já existe uma ação civil pública tramitando na 2ª Vara Especializada da Fazenda Pública tratando das péssimas condições estruturais do local. Em setembro, o diretor-clínico da unidade, Edson Anchieta, denunciou a situação de “caos’ em que se encontrava o hospital para o Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso. Conforme Anchieta, os pacientes atendidos no PS corriam sérios riscos de vida. 

Segundo Anchieta, as condições do PS perduram há vários anos e os problemas são de todas as espécies. Ele apontou falta de leitos suficientes para atender a demanda da cidade e entorno, falta de exames laboratoriais e de imagem em tempo e hora necessários além da falta de diversos tipos de insumos, como “sondas, tubos endotraqueais, campos operatórios, atadura gessada, compressas cirúrgicas, fitas adesivas, luvas cirúrgicas, máscaras, gases, gesso, materiais de limpeza e esterilização”. 

O diretor ainda afirmou que no local não havia antibióticos, sedativos, analgésicos, antinflamatórios, broncodilatadores, entre outros medicamentos considerados básicos. “Devido à irregularidade de fornecimento e aquisição somos levados a constante suspensão de cirurgias e procedimentos e expostos a descontinuidade de tratamento, especialmente antibioticoterapia e risco eminente de perda de vidas”. 

Na denúncia, Anchieta ainda afirmou que o Pronto-Socorro foi construído há mais de 25 anos e que hoje não comporta o número de atendimentos de uma cidade como Várzea Grande. Segundo ele, aproximadamente 18 mil atendimentos são realizados por mês no local, que conta com um corpo clínico de 192 médicos, sendo 45 contratados, 30 prestadores de serviços para empresas terceirizadas e 117 concursados. 

Após a denúncia, o CRM voltou a fiscalizar o local. O Conselho emitiu um relatório afirmando que o hospital não conta com condições para atender a população do município e nem pessoas de outras cidades.

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