21 de Outubro de 2019,

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Quinta-Feira, 10 de Outubro de 2019, 22h:29 | Atualizado:

EM PERIGO

Diretor da PCE recebe ameaças após operação


Gazeta Digital

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Diretor da maior penitenciária de Mato Grosso, Agno Sérgio Ramos está há 16 anos no sistema penitenciário e é chamado para resolver problemas em presídios do Estado. Seu trabalho mais famoso foi na Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Corrêa, em Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá), que colocou sua cabeça a prêmio por R$ 100. Com a operação na Penitenciária Central do Estado (PCE), voltou a receber ameaças por causa da Operação Elisson Douglas, que alterou o funcionamento da unidade.

Criador do Grupo de Intervenção Rápida (GIR) em Mato Grosso, Agno entrou no sistema penitenciário em 2002. Já trabalhou na Cadeia Pública de Campo Novo do Parecis (396 km a noroeste), onde implantou técnicas que aprendeu no Exército para reduzir as disputas dentro da unidade.

À frente da Penitenciária Central do Estado (PCE) desde junho, ele iniciou a Operação Douglas Elisson na unidade, com a retirada das tomadas das celas, isolamento dos líderes de facção, proibição de dinheiro em espécie dentro do presídio, além do uso de carregadores de celular portáteis pelos agentes.

“Trabalho com planejamento e com pessoas altamente treinadas. Mas sabia dos sacrifícios de aceitar o trabalho. Vida social eu quase não tenho, vivo dentro da penitenciária e enquanto não conseguimos colocar ordem, esse é o preço”, relata o agente penitenciário.

Com a ação, dois agentes penitenciários foram presos por envolvimento com facções, além da apreensão de 354 cadernos que detalhavam a ação do Comando Vermelho em todo o estado.

A mudança na organização da PCE e no sistema de organização causou revolta entre os líderes da facção. Sua cabeça foi novamente colocada a prêmio, mas a ação foi descoberta pela inteligência antes do atentado.

“Temos um método de trabalho que coloca respeito, como pilar da ação. E para que o preso possa ter condições de se reintegrar socialmente. Se não fizéssemos isso, logo teríamos problemas muito sérios no estado”, conta o diretor.

Depois da primeira etapa, ocorreram novas tentativas de entrada de celular, mas dessa vez com o uso de drones. “Aqui a pior coisa é um celular, é mais perigosa que uma arma, porque a arma temos como combater, mas o celular pode tirar a vida de um pai de família a quilômetros daqui”, afirma Ramos.

Entre as medidas para reestruturar a penitenciária estão a separação dos líderes, todos no raio 5, e também a profissionalização para aqueles que não querem fazer parte da organização criminosa.

“Nós temos uma área no fundo da PCE que pode ser utilizada para montar uma fábrica de blocos de concreto, uma marcenaria, uma serralheria. Estamos buscando parceria com e presas privadas e queremos até o final do ano ter pelo menos a fábrica de blocos já instalada, para possibilitar trabalho e profissionalização”, enfatiza o diretor da penitenciária.

 

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Comentários (4)

  • bruna | Sexta-Feira, 11 de Outubro de 2019, 08h32
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    Continue assim, é disso que a sociedade precisa, meus parabéns!

  • Alberto | Sexta-Feira, 11 de Outubro de 2019, 07h51
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    Parabéns Agno, sua atuação enquanto servidor é para calar a boca de muitos que falam mal de servidores públicos, seja qual a carreira, segurança, educação, saúde ou até área meio, todas são importantes para o desenvolvimento do Estado.

  • Dom Quixote de La Mancha | Sexta-Feira, 11 de Outubro de 2019, 03h39
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    Parabéns senhor diretor.. Mato Grosso precisa de uma pessoa com está postura para secretário de estado da segurança pública.....Não um secretário engomadinho...

  • Ana Maria | Sexta-Feira, 11 de Outubro de 2019, 03h30
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    Parabéns Deus abençoe vc enquanto você for honesto e verdadeiro , com certeza Deus o protegerá

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