22 de Julho de 2019,

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Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 10h:43 | Atualizado:

JARUDORE

Moradores de área indígena fazem campanha contra reintegração de posse

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Os moradores do Distrito de Jarudore, em Poxoréu, a 259 km de Cuiabá, se reuniram com autoridades do município e lançaram uma campanha, na quarta-feira (10). Eles são contra a reintegração de posse determinada pela Justiça a favor do povo Bororo.

Atualmente, 11 famílias da etnia Bororo vivem na região e ocupam uma área de cerca de 772 hectares, de um total de 6 mil hectares. Para o Ministério Público, a área não é suficiente para preservar a cultura e a identidade indígena na região.

A decisão da Justiça determinou a devolução de mais de 4 mil hectares de terra para indígenas da etnia Bororo. Por isso, as famílias de não índios que vivem no local devem desocupar as propriedades nos próximos meses.

Durante a reunião, a assessora jurídica do município, Dayse Cristina de Oliveira Lima, anunciou que a Prefeitura de Poxoréu pretende entrar com recurso junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) para tentar evitar a reintegração.

“O município vai fazer o estudo dos impactos sociais, que é muito grande, pois também atinge todo o aglomerado urbano do município. Várias pessoas trabalham nessas regiões e existem outras famílias, além das que estão nessas áreas que serão desapropriadas”, explicou.

As terras a serem desocupadas compõem a região Sul, Oeste e Nordeste da terra indígena. Segundo a ordem judicial, a região urbana do distrito não será afetada.

De acordo com a cacique do povo Bororo, Maria Aparecida Toro Ekcereudo, mais famílias indígenas pretendem se mudar para a região. A ideia é reconstruir a aldeia central onde ela existia inicialmente, quando os primeiros Bororos chegaram na região.

“As crianças são nossas maior preocupação, pois temos esperança de fazer com que elas vivam os dois ‘mundos’: A nossa cultura e também o lado social, sem precisar correr até a cidade para poder aprender. Temos o sonho de fazer uma escola para que eles possam se formar, primeiramente, na parte cultural e depois na parte social”, ressaltou.

De acordo com um estudo histórico apresentado na decisão, a área pertencente aos índios foi demarcada por Marechal Cândido Rondon, em 1912. A terra seria equivalente a 100 mil hectares.

Entretanto, em 1945, o estado, atendendo aos interesses de garimpeiros, fazendeiros e arrendatários, publicou um decreto reduzindo a área indígena para 6 mil hectares.

Posteriormente, o Departamento de Terras e Colonização do Estado (Intermat), em 1951, por meio de um despacho, reduziu novamente a área destinada aos Bororos, fixando-a em 4.076 hectares.

“Essa é uma terra originária do povo Bororo. Antes da população e do governo a terra já era do nosso povo, é uma terra milenar”, pontuou a cacique.

 

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Comentários (3)

  • Direitista justo | Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 16h47
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    Antônio cale-se !!! A terra é naturalmente dos índios, sua raça saqueou este povo quando os brancos portuguêses chegaram aqui! Qualquer indivíduo que esteja roubando a terra naturalmente indígena deve se retirar o quanto antes, pouco importa produção e destruição da terra, seu país infame só vive do agro? Invistam em tecnologia se querem se achar tanto. A terra é dos índios e não devemos permitir brancos ladrões de terra nelas!

  • Antonio | Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 15h36
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    1

    11 famíliss para mais de 40.000 hectares, e depois vira foco de droga e ociosos, e o governo além de perder as terras q poderiam estar produzindo terão que sustentá-los

  • Antonio | Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 15h36
    2
    1

    11 famíliss para mais de 40.000 hectares, e depois vira foco de droga e ociosos, e o governo além de perder as terras q poderiam estar produzindo terão que sustentá-los

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