16 de Setembro de 2019,

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Domingo, 08 de Setembro de 2019, 10h:24 | Atualizado:

MÁFIA DE BRANCO

Mulher tenta resgatar imóvel comprado de médica alvo do MPE

Área urbana está bloqueada, mas mulher alega que comprou antes de ação penal ser proposta


Da Redação

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O juiz Bruno D’Oliveira Marques deu provimento a embargos declaratórios, intimou a senhora A.D.A. e deu a ela um prazo de 15 dias para apresentar provas documentais de compra e venda de um imóvel embargado pela justiça porque na documentação oficial consta como proprietária deste a presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM), a médica homeopática Hildenete Monteiro Fortes, alvo de uma ação por improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Essa peça corre na Vara Especializada Ação Civil Pública e Ação Popular, apura atos perpetrados no início dos anos 2000 por vários médicos e que por isso foi chamada pela imprensa como "Máfia de Branco". Os integrantes seriam responsáveis por desvios de R$ 2,5 milhões do Ipemat.  

Além dela, são acusados na esfera cível Hildevaldo Monteiro Fortes, que foi exonerado do cargo de superintendente do Hospital Universitário Júlio Muller por conta disso, Hilvanete Monteiro Fortes, Ângela Cristina Fanzeres Monteiro Fortes, Adélia Neta da Silva, Thiers Ferreira, Jorge de Figueiredo, Gersin Fernandes da Silva, Evandro Carlos Vilela Ferreira, Augusto César de Arruda Taques, Márcio Paes da Silva de Lacerda e Solange Roberto Neves.

De acordo com os autos, a matrícula de número 7.547 comprova que o imóvel em disputa, um lote de terreno urbano que ainda consta na justiça como sendo de Hildenete Monteiro Fortes, possuía uma área de 736M².  No dia 12 de maio de 1987 foi anotado nessa matrícula um negócio de compra e venda entre a médica e M.A.K.S., relativamente a uma área de 660M², desmembrada daquela área maior. Anos depois, já em 30 de janeiro de 2008, M.A.K.S. teria vendido aquela área desmembrada, de 660 M², para A.D.A., conforme escritura pública.

“Com efeito, aparentemente, a indisponibilidade que recaiu sobre o imóvel de matrícula nº 7.547 atinge a área que restou do bem após o desmembramento da venda registrada em 12.05.1987. Tal área restante, portanto, ainda teria a embargada como proprietária. A área que a embargante sustenta ter adquirido de Maria Aparecida Kurak provavelmente deu origem a uma nova matrícula quando do desmembramento da área maior. Logo, o bem que a embargante defende a posse por meio dos presentes embargos, ao que tudo indica, não estaria atingido pela indisponibilidade determinada na ACP, o que a tornaria parte ilegítima por ausência de interesse de agir. Com efeito, intime-se a parte embargante para, no prazo de 15 dias, se manifestar sobre as questões acima descritas, devendo também, caso ainda sustente ser parte legitima para discutir a constrição do imóvel de matrícula nº 7.547, juntar outros documentos que indiquem o exercício da posse, bem como matrículas atualizadas. Após o prazo da embargante, com ou sem manifestação, intimem-se os embargados, para manifestação em igual prazo”.

O processo criminal foi extinto em setembro do ano passado, por decisão do juízo da Sétima Vara Criminal. O magistrado Marcos Faleiros considerou que como foram cometidos em 2002, a ação foi iniciada em 2004, eles fatalmente seriam considerados crimes prescritos após 14 anos, trazendo somente ainda mais prejuízos ao erário público, além do que já foi subtraído, pois seria uma ação penal sem chance de condenação dos responsáveis.

De acordo com a denúncia do MPE acatada pela Justiça em 2004, as investigações feitas entre 2001 e 2002 apontaram que pelo menos 160 pessoas foram relacionadas pela quadrilha como submetidas a procedimentos médicos pagos pelo Ipemat, mas estas foram ouvidas pela promotoria de justiça e desmentiram laudos, cirurgias e exames.

As empresas supostamente responsáveis pela realização desses falsos procedimentos seriam a  Fanzeres e Monteiro Ltda, Centro Radiológico Santa Helena Ltda., Laboratórios Gersin, Alpha e Modelo e Centro Clínico de Gastroenterologia Endoscopia Ltda. Todas elas pertencentes ou com participação de sete dos 15 acusados.

Todos os supostamente envolvidos na Máfia de Branco respondem desde 2004 por improbidade administrativa e danos ao erário, mas a fase instrutória só foi encerrada no dia 15 de agosto do ano passado pelo juiz Luís Aparecido Bertolucci Júnior.

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Comentários (3)

  • Leal | Domingo, 08 de Setembro de 2019, 16h52
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    0

    Pois é...Essa turma aí que fazia “exame de próstata” em mulheres e “exame anátomopatológico de colo de útero em homens” ,cobrando os serviços da SES...e continuam por aí...Clinicando e vivendo dos prejuízos que deram ao Estado...

  • Cuiabano de olho | Domingo, 08 de Setembro de 2019, 15h36
    1
    0

    ou seja no Brasil ser preso e ter uma condenação tem nítida classe social e cor de pele, caso vc tenha o primeiro o segundo passa batido...

  • Critico | Domingo, 08 de Setembro de 2019, 11h05
    1
    0

    Precisa ver se essa escritura e contrato não foram feito no CARTÓRIO DO CAPAO GRANDE/VG. Se for lá paira suspeita.

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