24 de Janeiro de 2020,

Cidades

A | A

Segunda-Feira, 09 de Dezembro de 2019, 01h:17 | Atualizado:

Para cuiabanos, leis funcionam de forma diferente para ricos e pobres

Pelas ruas, a resposta é unânime: a Justiça funciona de maneira distinta para as pessoas. Entre ricos, pobres, negros e brancos, são os pobres e negros os menos privilegiados. Neste domingo (8), é celebrado o Dia da Justiça.

Data tem por objetivo homenagear o Judiciário e os profissionais responsáveis por manter a celeridade e imparcialidade deste poder. Contudo, as principais reclamações dizem respeito exatamente a esses critérios. 

No meu entendimento, embora eu não tenha muito estudo, a Justiça não funciona para os pobres. As pessoas que têm uma classe mais alta têm sempre maior chance com a Justiça do que as de classe baixa. Quantos inocentes estão pagando por coisas que não devem e quem tem dinheiro faz coisa bárbara e nem fica preso, no outro dia está na rua?", questionou a aposentada Célia Alves Pereira, 70.

Apesar de nunca ter se envolvido em qualquer questão judicial, a aposentada se baseia nos casos em que vê pela televisão. Citou casos de pais de família pobres que são presos com pacotes de bolacha e políticos corruptos que roubam milhões em dinheiro. Para ela, a Justiça atua de forma distinta nos dois casos. 

O comerciante Reinaldo Aparecido dos Santos, 39, pensa da mesma maneira de Célia. Ele entende que a Justiça defende os interesses de quem tem mais dinheiro. "Não sei se há diretamente uma troca de favores, de interesses entre a classe rica e quem bate o martelo, o juiz, mas é sabido que eles sempre defendem o interesse de uma minoria. A Justiça funciona de uma maneira diferente para quem é rico e para quem é pobre". 

A transista conhecida como Ana Fashion acrescentou ao diálogo econômico a questão racial. Para ela, a Justiça deveria ser para todo mundo e todos deveriam ter seus direitos assegurados na Constituição garantidos. "O rico rouba milhões e não acontece nada, primeiro que nem passar na televisão passa. Primeiro porque na hora que ele chega na delegacia o advogado dele já está lá. O pobre e o negro não têm advogados?", questionou. 

Conforme pontuou a secretária executiva da Defensoria Pública de Mato Grosso, Luziane Ribeiro de Castro, a falta de assistência para parte da população se dá por falta de efetivo para atuar junto às pessoas que não têm condições para pagar por um advogado. 

Na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, por exemplo, ela citou que existe apenas um defensor público para atuar na defesa de pelo menos 2 mil detentos. Outro agravante é de que a Defensoria está presente em apenas 41 comarcas das 79 existentes em Mato Grosso. "A Constituição prevê que a defensoria pública é um órgão para atender aquelas pessoas que são hipossuficientes, aquelas que não têm condições de pagar um advogado. Então o fato da defensoria não estar presente em todas as comarcas inviabiliza que a gente possa dizer que todo mundo têm acesso à Justiça", disse.

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

INFORMES PUBLICITÁRIOS

MAIS VÍDEOS