31 de Março de 2020,

Cultura

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Segunda-Feira, 17 de Fevereiro de 2020, 10h:09 | Atualizado:

RESSOCIALIZAÇÃO

Ateliê em cadeia dá esperanças a presas


NORTELÂNDIA

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A direção da Cadeia Feminina de Nortelândia inaugurou o Ateliê de Artes, Corte e Costura “Dra Manuela Barbosa Gomes” para atender as 64 mulheres presas. A obra se tornou realidade graças à parceria do Conselho da Comunidade da unidade prisional com o Ministério Público Estadual, Prefeitura Municipal de Nortelândia e a sociedade organizada do município.  

Na inauguração do espaço, realizada na sexta-feira (14.02), uma das representantes das mulheres que cumprem pena na unidade disse que o espaço representa um avanço e vai abrir oportunidades e, muitas delas, anseiam para recomeçar.

“A diretora Adriana nos incentiva muito e acredita na evolução do ser humano. A leitura, o estudo e o trabalho ajudam demais. Essa é uma oportunidade de termos uma profissão. Muitas entram para o crime por falta de oportunidade, e aprender uma profissão aqui é uma chance para termos uma vida melhor lá fora”, discursou.

A presidente do Conselho da Comunidade, Aparecida Anchieta Gomes Madureira, destacou que todos tiveram papel importante para que o ateliê fosse concluído. “Com as parcerias o espaço só tem a crescer e ver as meninas trabalhando é gratificante”.

Os recursos do maquinário das máquinas de corte e costura, oito ao todo, são oriundos do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). O curso será realizado pelo Senac e custeado pelo Sindicato do Comércio Varejista de Nortelândia (Sincovan), que também buscou parcerias para doação dos tecidos e das pedrarias para confecções dos produtos.

As recuperandas participantes vão participar do curso de Corte e Costura, Modelagem em Pedrarias com duração de 212 horas e 86 horas, respectivamente. Por ora, toda a produção ficará com as próprias presas. O segundo passo é comercializar no comércio local.

O promotor José Jonas Sguarezi Junior ajudou na captação dos recursos de transações penais junto ao Ministério Público e o recurso além de construção do ateliê, também foi aplicado na ampliação de mais duas celas na unidade. Ele lembrou ainda dos outros espaços construídos como a sala de aula e um ambiente para gestantes.

“É importante que as recuperandas vejam que várias pessoas fizeram além do trabalho delas, fizeram sacrifícios em benefício delas, para que tenham condições de reinserirem na sociedade. Para melhorar, basta querer”, destacou.

O secretário adjunto de Administração Penitenciária da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Emanoel Flores, parabenizou a diretora da Cadeia Feminina de Nortelândia, Adriana Quinteiro, pelo trabalho realizado à frente da unidade prisional.

“É uma missão que não é nada fácil, muitas vezes os nossos servidores viajam sem diárias, mas mesmo assim querem fazer a diferença, fazer algo a mais pela ressocialização. A equipe de Nortelândia está de parabéns pela dedicação de não se preocupar apenas com a custódia das presas, mas sim com o ser humano que vai deixar a unidade”.

Homenagem

O ateliê foi batizado com o nome da médica ginecologista e obstetra Manuela Barbosa Gomes, que por quatro anos atendeu as recuperandas da Cadeia Feminina de Nortelândia. A médica sonhava com a implantação do ateliê. Manuela morreu em um acidente de carro no dia 06 de junho de 2019, na MT- 258, quando seguia de Barra do Bugres para Arenápolis.

O viúvo Fábio Deirane de Almeida compareceu na inauguração e disse que a médica, com quem tinha se casado três meses antes do acidente, tinha paixão pelo trabalho com as presas.

“Antes ela teve receio, mas depois se apaixonou pelo trabalho realizado. Mesmo sem contrato com o estado, ela continuava vindo para atender as pacientes. Ela tinha renovado o contrato poucos dias antes de morrer. Ela queria muito esse ateliê e fico feliz com a homenagem”.

 

 

 

 

 

 

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