Cultura Quarta-Feira, 03 de Abril de 2019, 06h:50 | Atualizado:

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CENTRO HISTÓRICO

Escadaria do Beco Alto guarda histórias de bons frutos

 

ANA FLÁVIA CORREA
Gazeta Digital

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Para dar partida em seu veículo, o caminhoneiro Enio Corrêa Pacheco, já falecido, o colocava na parte de cima da Escadaria do Beco Alto, na rua Pedro Celestino, no Centro Histórico de Cuiabá, e o empurrava. Com a ladeira, na época de terra, seu Chevrolet 58 pegava impulso e saía da rua Ricardo Franco.  

Nascido e criado na região, o professor aposentado, e filho de Enio, Elzio José Vitório Pacheco, 66, rememorou as lembranças que tem de sua infância e adolescência na escadaria. A casa em que mora, na Pedro Celestino, era de seu bisavó e foi ficando para as novas gerações. 

"Eu me lembro muito bem, quando eu era guri, quando eu era jovem, era tudo de terra, depois colocaram pedra. Tinham algumas árvores. Só depois que colocaram concreto e fizeram vários degraus. Até no ano passado tinha até planta. Um jardim de plantas frutíferas", explicou. 

Pés de acerola, goiaba, pitanga, bocaiuva, carambola e urucum compunham o canteiro que ficava no meio da escadaria. Agora, com a requalificação proposta pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas de 2014, o local tem como destaque pequenas palmeiras imperiais. 

Obra foi entregue finalizada pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) nesta terça-feira (2), depois de mais de um ano em execução. A escadaria de concreto deu local aos ladrilhos em tons pastéis. Há também bancos de madeira, posicionados embaixo de pergolados, contudo, sem nenhuma proteção contra o sol típico de Cuiabá. 

"Todo mundo pegava fruta lá. Foi um crime o que fizeram com a escadaria. Arrancaram todas as árvores. O seo Antônio, que morava na rua debaixo era quem cuidava. Aí ele foi embora para São Paulo e deixaram de cuidar", disse Elzio. 

Comerciante há 50 anos na região, o cabelereiro Eurides Gonçalves da Costa, 75, vê a obra como um 'melhoramento'. Para ele, o local estava abandonado e não havia manutenção. Ele também costumava utilizar das plantas, mas com a saída de seo Antônio da região ninguém se incumbiu do cuidado. 

"Moradores sempre utilizavam, tinham alguns que molhavam, mas se não tem ninguém para cuidar as plantas mesmo ficam velhas, sofrem as consequências, ficam com cupim. Eu acho que a reforma veio para o bem", disse. 

Enio, por fim, também acredita que a obra pode ser boa para a região, mas reforçou que a manutenção deve ser constante, para que os ladrilhos e corrimãos instalados não sejam depredados. "Agora plantaram palmeira lá, né? Eu preferia como estava, cheio de planta, para nós aqui era bem melhor", finalizou.





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Comentários (1)

  • Cristhyanne Melo

    Quarta-Feira, 03 de Abril de 2019, 13h09
  • E viva a manutenção do Centro Histórico!!!! Que obra foi essa Brasil??????
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