Cultura Terça-Feira, 09 de Abril de 2019, 11h:19 | Atualizado:

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'Influencers' usam bom humor nas redes sociais em Cuiabá

 

G1

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Com humor ácido, críticas sociais e irreverência, dois publicitários cuiabanos ganharam espaço nas redes sociais com histórias que remetem aos costumes e tradições de Cuiabá. As postagens nas páginas 'Xômano que Mora Logo ali' e 'K-bça Pensante' repercutem e se multiplicam em mensagens e compartilhamentos.

O linguajar é a marca principal dos perfis. Com sotaque que reforça o 'xis', o cuiabano nato troca palavras do feminino para o masculino. Piadas e disputas entre os bairros de diferentes classes sociais são outros pontos fortes das páginas.

Fotos antigas e detalhes que só os cuiabanos sabem dão um ar de nostalgia e mantêm vivo o linguajar da cidade.

Humoristas como Liu Arruda e Nico e Lau são referências no trabalho e na forma de fazer piada dos dois publicitários, tidos sempre como os brincalhões dos amigos e da família.

Políticos e pessoas públicas também não passam despercebidos e, frequentemente, são retratados pelos humoristas. O calor exorbitante da capital mato-grossense sempre rende muitos compartilhamentos.

Um dos publicitários, que não revela o nome e prefere se identificar como 'K-bça Pensante', diz que começou a fazer piadas, reforçando o linguajar cuiabano, na convivência com a família. As piadas divulgadas em um blog, no ano de 2012, inicialmente, agradaram amigos e acabaram ganhando espaço.  “Migrei para o Facebook para zoar um buraco, um prefeito e o [alcance] começou a crescer. Eu tinha uma pegada mais regional e pouco nacional. A resposta [do público] no regional era muito mais rápida”, disse K-bça.

O influencer nasceu em Cuiabá e se declara 'CPA [bairro da capital] de alma e coração'. Ele lembra a primeira vez que teve contato com uma das pessoas que mais influenciaram o trabalho dele, que hoje reúne mais de 150 mil seguidores nas redes sociais. “Uma vez, eu estava no Rio Mutuca, com a minha família e amigos em um almoço. Tinha uma mesa com muitas pessoas e só um homem falava no meio, as demais gargalhavam muito. Ele era engraçado e fazia todos rirem. Anos depois descobri quem era ele: Liu Arruda”, comentou.

Nascido em 1957, Arruda era ator, jornalista e músico. Mas, foi no teatro que ficou conhecido. Na década de 1980, ele e Ivan Belém fundaram o grupo Gambiarra.

Com estilo único de interpretar, Liu Arruda deu vida a mais de 40 personagens, sendo a Comadre Nhara e o Compadre Juca entre os mais populares. Liu Arruda morreu em 1999 e foi considerado um dos maiores comediantes de Mato Grosso. “Eu gosto muito do povo cuiabano. Em outros lugares, o pessoal não trata você desse jeito, não tem essa hospitalidade. Você chega na casa dele e ele te trata como rei, dando comida e te tratando muito bem. Esse calor humano, que o cuiabano tem, só tem aqui”, finalizou.

Já o publicitário Didier Provenzano, dono da página 'Xomano que Mora Logo ali', começou a publicar e atuar nas redes sociais em 2014, quando Cuiabá sediou quatro jogos da Copa do Mundo. “Comecei a fazer piadas zoando meus amigos. A resposta [regional] foi muito grande, parece que Cuiabá estava carente disso”, disse.

São mais de 200 mil seguidores nas duas páginas que ele administra. “Retrato coisas que vivi na infância e influências da minha família. O que mais gosto de Cuiabá é o povo. Todo mundo que chega aqui é tratado muito bem. [A cidade] é o coração do mundo e não me vejo morando em outro lugar”, afirmou.

Importância

Para o professor de comunicação social da Universidade Federal de Mato Grosso, Aclyse Mattos, é de extrema importância a divulgação da cultura cuiabana em redes sociais e outras mídias. “A cultura cuiabana é muito híbrida, temos várias influências e há uma marginalização [da cultura] pelos próprios cuiabanos, enquanto há outra corrente que preza como valor único”, disse Mattos ao G1.

O professor também é membro da Academia Mato-grossense de Letras (AML). Para Mattos, as pessoas que chegam de outros estados têm dificuldades para entender o linguajar, que passou por variações e é considerado bastante característico. “Hoje temos a mídia que é um canal para se manter vivo e atualizando o linguajar. É fundamental e traz uma gana de ideias e possibilidades. Todas as ideias são bem-vindas”, finalizou.





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