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Sexta-Feira, 02 de Fevereiro de 2018, 21h:03 | Atualizado:

Jornalistas contam em livro 145 histórias curiosas no TRT-MT


G1

O português boêmio que foi trabalhar bêbado, o pedreiro que não recebeu pelo serviço na construção da UFMT e a babá que apresentou atestado médico falso para viajar e foi demitida ao postar fotos nas redes sociais, estão entre os inúmeros personagens citados no livro “Foi assim… Vidas, olhares e personagens por trás dos processos trabalhistas em Mato Grosso”, lançado em janeiro.

Essas e outras 142 histórias são verídicas e passaram pelo Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-MT). A escolha dos casos a serem contados na obra foi feita pelos próprios autores. Os jornalistas Aline Cubas, Fabyola Coutinho, Sinara Alvares e Zequias Nobre, que atuam como assessores de imprensa do TRT-MT, demoraram três anos folheando os processos e reunindo informações.

Apesar de a edição ter sido produzida para comemorar os 25 anos de existência do TRT-MT, a trajetória da Justiça do Trabalho no estado é mais antiga e coleciona diversos personagens e histórias ao longo de 80 anos. Quando o então presidente da República Getúlio Vargas criou a Justiça do Trabalho, instalou também as unidades de cada estado. Em Mato Grosso, elas existem desde a década de 40 e eram chamadas de Junta de Conciliação e Julgamento.

“A ideia é humanizar, mostrar a vida das pessoas que foram atendidas nesses quase 80 anos. Lemos muitos processos para produzir releases. Sentenças e acórdãos são produzidos por juízes e desembargadores todos os dias. Imaginávamos quantas boas histórias poderiam ser contadas”, contou Aline Cubas.

Os jornalistas precisaram vasculhar os arquivos do órgão, que guardam processos arquivados desde a década de 40. “O português (das décadas passadas) era muito diferente, além dos processos muito extensos. Nossa intenção era tirar tudo que remetesse ao universo jurídico, para ser um livro gostoso de ler”, disse.

Os casos mais antigos, até a década de 70, precisaram ser selecionados e escritos do zero, pois, apenas em 2005, jornalistas passaram a fazer parte do quadro de funcionários do TRT-MT. “De 2005 até agora, são histórias que a gente já tinha escrito para o site (institucional), só que precisamos reescrever em outro formato, porque no site escrevemos para dar a notícia. Já no livro, a linguagem é literária”, contou Aline.

As primeiras histórias, que correspondem aos primeiros processos, chamam a atenção por fazerem também o resgate dos primeiros anos de Mato Grosso e dos imigrantes que residiam no estado. Um construtor húngaro, por exemplo, foi acionado na Justiça do Trabalho, em 1942 por operários que prestaram serviços a ele e não receberam. “A gente achou bem interessante a questão dos imigrantes, que talvez tenham chegado ao Brasil por causa da Segunda Guerra. Existiam muitos estrangeiros em Cuiabá, como gregos, italianos e portugueses”, contou Sinara.

A intenção, segundo Sinara, é que o leitor tenha a impressão de que esteja ouvindo um “causo”. “Por mais que algumas coisas pareçam mentira, foi tudo tirado dos processos. Daí decidimos pelo nome 'Foi assim…', porque a história que está no livro é a que está no processo”, lembrou.

Durante a seleção das histórias, os jornalistas se preocuparam em encontrar aquelas que demonstrassem também a evolução e as mudanças da sociedade e da economia.



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