09 de Agosto de 2020,

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Sexta-Feira, 31 de Julho de 2020, 13h:47 | Atualizado:

PRAZER

Fingir orgasmos pode ser um desserviço

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Difícil encontrar uma mulher que nunca tenha fingido um orgasmo na cama. Afinal, que mal tem esse “teatrinho” tão comum e inocente, certo? Errado. Especialistas apontam que mentir que gozou é um desserviço para o prazer da própria mulher.

De acordo com a terapeuta sexual Luísa Miranda, fingir um orgasmo reforça a ideia patriarcal de que o homem é o centro de sexo e a mulher tem um papel secundário na relação a dois e no prazer.

 

“Para não deixar o parceiro insatisfeito ou magoado, ela mente. Mas quando ela faz isso, está dizendo que está tudo bem. Mas não está. Os homens precisam saber quando a mulher não gozou e desenvolver habilidades para ajudar a mulher na descoberta do orgasmo”, explica.

Luísa aponta que uma das responsáveis por essa dinâmica é a pornografia, que incentivou os homens a terem uma visão irreal e ilusória do sexo. Ao mesmo tempo, as mulheres também carregam o fardo. “Ela não consegue se sentir à vontade e acolhida porque não se encaixa nos padrões da indústria. ”, diz.

O corpo perfeito, zero celulites, peitos de silicone, flexibilidade e posições mirabolantes aparecem na lista de coisas que são vendidas pelo pornô que deixam as mulheres inseguras e pressionadas a mentir que gozaram.

É mais sobre ela

A partir do momento em que a mulher não se conecta com ela mesma, ela também não consegue se conectar com o parceiro, o que dificulta a chegada ao orgasmo. A auto conexão, inclusive, é parte essencial.

Segunda a sexólogo, diferente do que muitos homens pensam, não são eles que proporcionam o orgasmo, mas sim ela própria. “A gente precisa mudar o discurso de que ‘fulano me fez gozar’. O autoconhecimento que vai proporcionar clima para isso. A mulher vai gozar se estiver disposta a se conectar com o momento e com os próprios corpo e mente”, garante.

Orgasmo não obrigatório

Outro problema de fingir é que, fazendo isso, reforça-se a ideia de que o orgasmo é o prêmio a ser conquistado em uma transa, o que não é verdade. De acordo com Luísa, ainda que o orgasmo seja o ápice, não significa que o resto não seja autossuficiente.

“O sexo não necessariamente vai terminar com orgasmo, e pode ser tão incrível quanto. Essa busca pelo orgasmo faz com que as pessoas não gozem. Vira uma cobrança e você fica pensando mais na consequência do que no caminho”, diz.

O segredo pode parecer simples, mas é preciso desconstrução de crenças para conseguir: curtir. “Infelizmente o sexo tem saído desse lugar de curtição e virado uma obrigação, uma satisfação garantida”, explica Luísa, que compara a “curtição” necessária com a sensação de estar com amigos próximos e ser você mesmo e estar instável. “É preciso aceitar que vulnerabilidade faz parte da sexualidade”, complementa.

Como levar ao parceiro?

“Mas quando eu não gozo (ou pelo menos finjo), meu parceiro fica chateado”, você pode pensar. Os homens, graças (de novo) ao pornô, costumam dar muita importância à performance na cama. Nesse momento é que se percebe, segundo a sexóloga, que o problema não é nem o homem nem a mulher, mas sim a dinâmica de expectativas das relações.

“O homem se comporta da maneira que ele aprendeu, performático. E a mulher também, ficando em segundo plano. Se a gente não aprender a questionar certas coisas, a gente não muda a dinâmica”, explica.

Nesse caso, o melhor remédio é o diálogo e a sinceridade, já que perpetuar estes comportamentos pode trazer diversos problemas a longo prazo para as relações. O segredo é perder o medo e ir direto ao ponto: “então, não está rolando assim. Vamos tentar de outro jeito?”.

Na ânsia de evitar o sofrimento do outro, a própria pessoa sofre e tem seu comportamento em relação a dar e receber afetado. Mas não há outro jeito, e se o parceiro não receber, há que se questionar e rever o relacionamento. “É complicado a pessoa só querer que você goze do jeito dela. É preciso humildade para saber que nem tudo e sobre ela”, diz.

De qualquer forma, levantar a questão no relacionamento é essencial. “Nossas escolhas, inclusive de negar ou mentir, vão causando problemas sutis que vão virando uma bola de neve. Chega um momento que fica difícil esconder embaixo do tapete, a gente tropeça, cai e a relação perde o sentido”, finaliza.



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