07 de Dezembro de 2019,

Economia

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Quarta-Feira, 13 de Novembro de 2019, 11h:56 | Atualizado:

Bolívia avisa Brasil que crise pode afetar gás natural

A estatal petrolífera boliviana YPFB informou à Petrobras e à companhia de integração energética da Argentina, Ieasa , que a crise política na Bolívia agravada pela renúncia do presidente Evo Morales no domingo pode atrapalhar o fluxo normal de gás para o país vizinho, com flutuações no volume transportado ou interrupções.

No entanto, a estatal brasileira e a empresa argentina sediada em Buenos Aires informaram nesta terça-feira que, até o momento, o envio do combustível segue normalizado.

A Petrobras, uma das principais compradoras do gás natural boliviano, por meio do Gasoduto Brasil-Bolívia ( Gasbol ), informou que recebeu, na última segunda-feira, um comunicado da YPFB sobre eventual variação na entrega de gás, o que não foi registrado até agora, segundo a companhia:

“Na situação atual, não há impacto no suprimento de gás natural da Bolívia para a Petrobras”, informou, em nota. 

Nesta terça-feira, a YPFB enviou uma carta de teor parecido à argentina Ieasa, explicando que um grupo de pessoas tomou um campo de produção e estações de bombeamento da empresa e que não descartava a invasão de outras instalações de produção ou de transporte de gás natural.

No entanto, a empresa boliviana usa a expressão "força maior" para justificar eventual descumprimento do contrato.

“A YPFB, ao encontrar-se impedida de cumprir suas obrigações no marco do contrato de compra a e venda de gás natural, por um evento fora de seu controle, invoca a liberação do cumprimento de suas obrigações devido a um evento de força maior/caso fortuito”, informou a carta da empresa boliviana.

Fontes do setor no Brasil foram informados de que houve uma tentativa de invasão de manifestantes no campo de Carrasco, em Chapare, na região central da Bolívia, que teria sido contida pelo exército boliviano. Essa área, que faz parte do departamento de Cochabamba, é um conhecido reduto eleitoral de Morales. De acordo com uma fonte, o exército boliviano já teria contido o protesto.

A argentina Ieasa destacou, em um comunicado, que não teve nenhum inconveniente com a importação de gás da Bolívia, que é da ordem de 10,5 milhões de metros cúbicos por dia. A empresa também informou que tem um plano de contingência, com reservas em um terminal na província de Buenos Aires, para minimizar o impacto para consumidores argentinos. 

Assim como o Brasil, um dos principais consumidores do gás boliviano, a Argentina vem buscando aumentar a produção interna de gás para diminuir a dependência do país vizinho nessa área.

No Brasil, empresários do setor dizem que não estão preocupados com uma eventual interrupção na importação de gás da Bolívia, que, dependendo da demanda interna, gira em torno de 16 milhões a 24 milhões de metros cúbicos por dia. Isso porque essa demanda pode ser suprida com a importação de gás do tipo GNL, que pode ser transportado em estado líquido em navios. Há terminais de conversão em Rio, Bahia e Ceará.

A crise boliviana deve atrasar as negociações em curso para uma revisão do contrato entre a YPFB e a estatal brasileira, que vence em dezembro. A redução do uso do Gasbol pela Petrobras é parte do plano do governo para aumentar a concorrência no setor e, com isso, estimular a queda dos preços dos combustíveis.

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O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Décio Oddone, admitiu nesta terça-feira que a crise boliviana vai atrasar a renegociação e, dessa forma, influenciar os preços do gás no Brasil. Na visão dele, só um governo com legitimidade na Bolívia poderá fechar a renegociação com a estatal brasileira.

— Vamos ter que esperar uma eleição, um novo governo se estabelecer, para retomar a negociação — disse Oddone, após participar do seminário “E agora, Brasil?”, organizado pelo GLOBO e pelo jornal Valor Econômico, com o patrocínio da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

 

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