12 de Novembro de 2019,

Economia

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Quinta-Feira, 17 de Outubro de 2019, 12h:11 | Atualizado:

Exploração ilegal de madeira se concentra em imóveis rurais privados em MT

Mato Grosso, o principal produtor de madeira tropical na Amazônia brasileira, teve 60 mil hectares de florestas exploradas de forma ilegal entre agosto de 2016 e julho de 2017. O número representa 39% de toda a área explorada no estado. A maior parte da ilegalidade, 67%, está concentrada em imóveis rurais com Cadastro Ambiental Rural.

Os dados estão na edição do Transparência Florestal deste mês, publicado pelo Instituto Centro de Vida (ICV). Dez municípios concentraram 72% da área explorada ilegalmente. Oito deles estão também na lista dos maiores produtores de madeira legalizada, indicando que essas duas frentes andam lado a lado.

Entre agosto de 2016 e julho de 2017 foram mapeados 155,9 mil hectares de exploração florestal em Mato Grosso, 20% a mais do que o registrado no período anterior. Embora tenha havido aumento de 22% na área explorada legalmente, também houve aumento na madeira cortada sem autorização. No período anterior, entre 2015 e 2016, foram 51,9 mil hectares, contra os 60,4 mil hectares de agora.

“As diferentes possibilidades de fraudes e falhas dos sistemas de controle dificultam a diferenciação entre a madeira legal e a ilegal”, diz Vinícius Silgueiro, coordenador de Geotecnologias do ICV.

Um exemplo destas falhas é a inconsistência nas informações das autorizações de exploração florestal. Das 276 autorizações checadas para esse período, 17% tinham problemas de informação. As falhas incluem casos em que há registro da renovação da autorização, mas não de sua concessão inicial.

“A falta de centralização e sistematização das informações em uma única base de dados dificulta o acompanhamento pela sociedade e fragiliza o monitoramento por parte da própria Sema. É um dos fatores que possibilitam a geração e uso de créditos de madeira fictícios pelas práticas ilegais”, aponta Vinícius.

As saídas para contornar esse cenário passam por uma rotina de monitoramento da atividade madeireira em tempo real, com uso de imagens de altíssima resolução. Também é preciso monitorar de forma mais eficiente a movimentação de créditos florestais, aprimorar os sistemas de controle florestal estadual e integrá-los com o sistema federal.

Frentes regionais

Dez municípios concentraram 72% da área explorada ilegalmente. Oito deles estão também na lista dos maiores produtores de madeira legalizada. São eles Aripuanã, Colniza, Feliz Natal, Juara, Nova Ubiratã, Marcelândia, Santa Carmem e União do Sul.

O histórico da exploração madeireira ainda aponta reincidência dos municípios e suas posições no ranking da ilegalidade desde 2010. Os dez municípios com mais ilegalidade em 2017 apareceram com frequência ao longo dos últimos oito anos em que esse levantamento foi realizado.

A frente de exploração mais expressiva está no Noroeste do estado. O município de Colniza lidera o ranking tanto da exploração legal quanto ilegal. Não por acaso, o mesmo município também liderou o ranking de desmatamento ilegal em 2018 e das queimadas neste ano.

“É importante que o Estado aumente a fiscalização nos municípios críticos, com instrumentos de autuação remota”, sugere Vinícius. “O envolvimento do setor florestal e atores do mercado da madeira também é estratégico no combate à ilegalidade, por meio de capacitações, campanhas e estratégias de comunicação”, recomenda.

A produção de base florestal em Mato Grosso é um setor importante tanto em escala estadual quanto nacional. No nível estadual, esse setor é base da economia de mais de um terço dos municípios, gera cerca de 90 mil postos de trabalho diretos e indiretos, ocupando o primeiro lugar no segmento das indústrias de transformação e representando o quarto maior na economia do estado.

Mato Grosso é um dos maiores fornecedores de madeira nativa no Brasil. Em 2017, as áreas sob manejo florestal licenciado somaram cerca de 3 milhões de hectares e a produção totalizou mais de 5 milhões de metros cúbicos, com uma movimentação de R$ 1,5 bilhão.

 

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