18 de Agosto de 2019,

Economia

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Terça-Feira, 13 de Agosto de 2019, 00h:25 | Atualizado:

CRISE NO AGRONEGÓCIO

Grupo cita "quebra de safras" e entra em recuperação com dívida de R$ 107 milhões em MT

Empresa foi fundada em 2001 e gera 180 empregos diretos e indiretos


Da Redação

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A juíza Angela Maria Janczeski Goes, do juízo da Vara Única da Comarca de Alto Garças (distante 363 quilômetros de Cuiabá), acatou o pedido de recuperação judicial da Agropecuária Aurora Ltda-ME por dívidas de quase R$ 107 milhões. Conforme o narrado na inicial, a empresa foi fundada em 2001 por Nilson Muller ao registrar-se como empresário individual na junta comercial do Estado.

Tudo ia bem e em apenas seis anos, já a partir de 2007, ele, ao lado da esposa, começou o Grupo Aurora e passou a empregar aproximadamente 60 pessoas de maneira direta e ainda responsável pela geração de outros 120 empregos indiretos. A magistrada nomeou como administradora judicial o escritório Zapaz Administração Judicial Ltda, com endereço profissional à Avenida Historiador Rubens de Mendonça, a Avenida do CPA.

De acordo com o texto da ação, a bancarrota iniciou no ano safra de 2004/2005, com a chegada do fungo phakopsora pachyrhiz e sua consequente ferrugem às lavouras de soja da empresa. Depois da quebra de safra, mas ainda acreditando no crescimento conhecido até ali, o grupo decidiu adquirir uma fazenda de 19.745 hectares na cidade de Luciara (distante 1.179 quilômetros da capital).

O objetivo era ampliar as áreas de plantio e diversificação das atividades. Tudo, no entanto, piorou porque ao prejuízo da safra somou-se o montante de aproximadamente R$ 25 milhões desmobilizados para a aquisição da nova fazenda de quase 18 mil hectares.

Isso provocou um déficit no caixa do grupo e a piora das contas. Além desses dois eventos mais pesados, a ação destaca também que entre os anos de 2005 e 2008, aconteceram novas quebras de safra em aproximadamente 40% de todo plantio.

Desta vez, as causas eram a forte estiagem que assolou Mato Grosso por aquele tempo e a falta de eficácia de defensivos e fertilizantes, que acabaram por ocasionar um “altíssimo endividamento”. A compra de fosfato de baixa qualidade e a não contratação de seguro para cobrir os prejuízos obrigaram o grupo a negociar as aquisições de insumos com valores muito acima da média de mercado.

Isso levou à venda de seus produtos com margens mínimas e, em alguns casos, até negativa. Quando as coisas davam sinais de clareamento, adveio outra estiagem, agora na safra 2014/2015.

E desta vez a pancada foi mais forte, pois foram comprometidos nada menos que 60% da cultura de soja e 80% da cultura de milho. A rota de fuga da crise parecia ser buscar novas linhas de crédito, mesmo com os altos juros, e em dólar.

Estas causas deixaram o grupo descapitalizado e exposto à sorte na obtenção e manutenção de créditos nas instituições financeiras. O grupo então entrou em uma “espiral de resultados negativos” que não pode mais ser resolvida somente com os lucros operacionais obtidos. “Destarte, inobstante a crise momentânea que atravessa, em virtude das margens operacionais dos negócios do grupo, bem como pela qualidade e quantidade de seus ativos, não restam dúvidas acerca de sua viabilidade e capacidade de soerguimento, bastando, para tanto, que as dívidas negociadas a curto prazo sejam alongadas, ou ao menos suspensas pelo período necessário à implementação das estratégias de liquidez que serão oportunamente detalhadas no plano de recuperação judicial”, consta na ação.

A magistrada determinou 60 dias de prazo para que as coisas se ajeitem. Durante esse período, nenhuma empresa ou banco podem executar dívidas ou impor litígios para recebimento de dívidas e ao escritório caberá a remuneração de 2% a 3% do valor milionário a ser pago conforme ela determinar. “Pelo exposto, e por tudo mais que consta dos autos, nos termos do art. 52 da Lei 11.101/2005, defiro o processamento da recuperação judicial do empresário individual Nilson Muller e da sociedade empresarial Agropecuária Aurora Ltda, devidamente qualificados nos autos. Por corolário: 1 - nomeio administradora judicial Zapaz Administração Judicial Ltda, que deverá ser intimada pessoalmente desta nomeação, para em 48 horas assinar, na sede deste juízo, o termo de compromisso, art. 33 da LRE, e proceder em conformidade com o art. 22 da Lei n. 11.101/2005”, escreveu.

Por ora, ela também deferiu a o pedido de dispensa de apresentação de certidões negativas para que os devedores exerçam suas atividades, exceto para contratação com o Poder Público ou para o recebimento de benefícios ou incentivos fiscais.

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Comentários (4)

  • Dito Cipó | Terça-Feira, 13 de Agosto de 2019, 14h54
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    Falência fraudulenta também é AGRO.

  • Marcelo | Terça-Feira, 13 de Agosto de 2019, 09h37
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    Heim??? nós estamos em 2019 e a justificativa parte de 2004, em um país que tinha até então as maiores taxas reais de juros do mundo??? Só faltou ao Adêvogado colocar na justificativa que além do prejuízo em 2004, da aquisição da fazenda de quase 20 mil ha., teve um ano que os pais compraram uma Barbie para o aniversário da filha. Francamente... é cada justificativa patética. As empresas tem que ter ciência de uma coisa, se tem uma parte que ganha com esse tipo de RJ não são os credores, nem coloboradores, nem os donos do negócio.

  • João capitalista | Terça-Feira, 13 de Agosto de 2019, 08h08
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    Os liberais tem uma máxima que gostam de exaltar: estado mínimo...Agora tem que ser estado mínimo também. Agora que dividir o prejuízo, o lucro é só meu, nem mesmo com o colaboradores dividiu. O judiciário podia fazer valer alei agora do estado mínimo. Estado mínimo só serve para hora da divisão dos bens sociais.

  • Eleitor | Terça-Feira, 13 de Agosto de 2019, 04h51
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    VIROU MODA FALAR QUE ESTA EM CRISE O GOVERNADOR MAURO MENDES ESTA FAZENDO ESCOLA NO PRIVADO AS EMPRESAS DELE PEDIU RECUPERAÇÃO JUDICIAL FOI ELEITO CHEGOU NO COMANDO DO ESTADO COLOCOU O ESTADO TAMBÉM NA CONDIÇÃO DE CALAMIDADE. AGORA O AGRONEGOCIO QUE TERÁ ESTE ANO A MAIOR PRODUÇÃO AGRÍCOLA DA HISTORIA E MATO É O MAIOR PRODUTOR DE GRÃOS DO PAÍS PARTICIPANDO SOZINHO COM 28% DA PRODUÇÃO NACIONAL. AI AGENTE LER ESTE TIPO DE NOTICIAS AGRONEGÓCIO EM CRISE , O POVO TEM QUE IR PARA RUAS ELEGAR CRISE E DEIXAR DE HONRAR OS COMPROMISSOS PRINCIPALMENTE COM AS CONTAS DE ENERGIA, ÁGUA, IPTU ETC.

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