Economia Sexta-Feira, 04 de Abril de 2014, 19h:20 | Atualizado:

Sexta-Feira, 04 de Abril de 2014, 19h:20 | Atualizado:

Notícia

Ipea corrige pesquisa sobre abusos contra mulheres

 

Agência Brasil

Compartilhar

WhatsApp Facebook google plus

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) errou ao divulgar, em 26 de março, que 65% da população concordava que ‘mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas‘. O Ipea assumiu nesta sexta-feira, 4, que houve falha e que o porcentual correto de pessoas que concordam com essa afirmativa é de 26%. A divulgação do dado, no final de maio, gerou ampla repercussão em diversos segmentos da sociedade, repudiando que tamanha fatia da população concordasse com essa afirmativa.

A repercussão da pesquisa foi tão intensa que até mesmo a presidente Dilma Rousseff pronunciou-se sobre o tema e demonstrou solidariedade à jornalista Nana Queiroz, uma das organizadoras do movimento ‘Eu não mereço ser estuprada‘, que se popularizou nas redes sociais nos últimos dias, após a divulgação da pesquisa do Ipea. O diretor de Estudos e Políticas Sociais do instituto, Rafael Guerreiro Osório, pediu sua exoneração assim que o erro foi detectado, informa o órgão.

Na verdade, o Ipea cometeu dois erros na divulgação da pesquisa. ‘Vimos a público pedir desculpas e corrigir dois erros nos resultados de nossa pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres, divulgada em 27/03/2014. O erro relevante foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar e Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas‘, admitiu o órgão, que é vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Para a elaboração da pesquisa, foram entrevistadas 3.810 pessoas. Na verdade, 58,4% dos brasileiros ouvidos afirmaram discordar totalmente da afirmação ‘mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas‘. Fatia de 13,2% disse concordar totalmente e parcela de 12,8% disse concordar parcialmente. ‘Corrigida a troca, constata-se que a concordância parcial ou total foi bem maior com a primeira frase (65%) e bem menor com a segunda (26%). Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias‘, cita a nota do Ipea divulgada hoje.

Outro erro envolveu a frase ‘mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar‘. Na verdade, nesse caso, 42,7% dos consultados disseram, nesta versão corrigida da pesquisa, concordar totalmente; 22,4% afirmaram concordar parcialmente. Fatia de 24% disse discordar totalmente e 8,4%, discordar parcialmente. O Ipea cita que a ‘correção da inversão dos números entre duas das 41 questões da pesquisa enfatizadas acima reduz a dimensão do problema anteriormente diagnosticado no item que mais despertou a atenção da opinião pública‘.

Mesmo após a correção, o instituto cita que ‘os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros‘. A errata é assinada por Rafael Guerreiro Osorio e Natália Fontoura, autores do estudo. O Ipea afirma que as conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ‘ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos‘.





Postar um novo comentário





Comentários

Comente esta notícia






Copyright © 2018 Folhamax - Mais que Notícias, Fatos - Telefone: (65) 3028-6068 - Todos os direitos reservados.
Logo Trinix Internet