08 de Agosto de 2020,

Economia

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Domingo, 12 de Julho de 2020, 17h:40 | Atualizado:

FLUXO DE CAIXA

Juíza autoriza empresa em recuperação vender bens em Cuiabá

Empresa entrou em RJ culpando desilusão com Copa de 2014


Da Redação

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A juíza Anglizey Solivan de Oliveira deferiu o pedido da empresa Croacia Comércio de Máquinas e Locadora Ltda – ME, que está em processo de recuperação judicial. A magistrada autorizou venda direta de bens para gerar fluxo de casa e promover a recuperação.

“Resta demonstrada a necessidade de venda dos bens. A alienação dos referidos bens, justifica­-se, portanto, como medida para geração de fluxo caixa, e desde que os recursos obtidos sejam destinados tanto para a redução do passivo, como também para capital de giro, possibilitando a empresa manter a atividade econômica, restaurando, progressivamente, sua lucratividade” considerou a magistrada. 

A juíza recomendou que o administrador judicial acompanhe as alienações e reporte ao juízo qualquer fato que possa causar prejuízos aos fins visados. “Também reputo conveniente a alienação na forma pretendida pelo grupo recuperando, qual seja, venda direta, que além de mais célere importará em redução de custos decorrentes do leilão por lances orais, por exemplo”, sugeriu ela.

Anteriormente, a empresa havia impetrado um pedido para vender três caminhões. Entretanto, o pedido foi negado porque os veículos estavam alienados com um banco e uma administradora de consórcio.

A empresa então reconsiderou o pedido e apresentou outros bens que não estão sob alienação. Entre eles, quatro balancins no valor de R$ 5 mil cada, quinze betoneiras de 600 litros, no valor de R$ 8,8 mil cada, vinte betoneiras de 400 litros, no valor de R$ 1,7 mil, cinqüenta compactadores, no valor de R$ 5,3 mil, dezessete rompedores de 15 kg, por R$ 2,7 mil, duas máquinas de fio por R$ 15 mil, Rolo Compactador RD1 por R$ 23 mil.

“Como consignado pelo grupo eecuperando, em manifestação pretérita, alguns maquinários objeto do pedido estão em desuso, deteriorados, e possuem mais de 10 anos, e a venda destes visa diminuir futuros custos de manutenção, evitar eventuais prejuízos pela desvalorização, bem como injetar capital com a compra de novos equipamentos”, diz trecho da decisão. 

O grupo também argumentou que o produto da venda será exclusivamente destinado à substituição dos equipamentos necessários para continuidade das atividades empresariais, colocando­as, dessa forma, a frente das empresas concorrentes, e possibilitando novos contratos para obtenção de melhores resultados no seguimento. Em sua análise, a juíza destacou o item 4 do plano de recuperação apresentado pela empresa, no tocante à venda direta, “em que as recuperandas preveem os meios de recuperação a serem adotados para o seu soerguimento, dentre os quais a venda de alguns bens que compõem seus ativos imobilizados, no valor de venda forçada a R$ 1 milhão, mediante venda direta por iniciativa particular”. 

No entanto, segundo a magistrada, as recuperandas não indicaram quais bens serão alienados com a finalidade de dar efetiva concretude à forma de recuperação pretendida, o que não por si só gera extrema insegurança e incerteza aos credores submetidos ao plano. “Desta forma, consigno que caberá às devedoras trazerem à análise deste juízo os bens que porventura pretendam alienar, a fim de garantir publicidade e transparência ao procedimento, ficando desde já registrado que incumbirá ao Administrador Judicial supervisionar os atos de alienação”, registrou. 

Por fim, ela fez uma ressalva com relação à forma de venda dos bens citados, sendo necessário o cumprimento da legislação e a prestação de contas. A empresa, que atua no mercado desde os anos 1990, teve a recuperação judicial deferida em 2017, com uma dívida acumulada no valor de R$ 5.258.965,43 milhões.

Na época em que apresentou o pedido de recuperação, a empresa afirmou que “muitos clientes” ou são inadimplentes ou também ingressaram com pedidos de recuperação judicial na Justiça. "Boa parte dos clientes (construtoras) pararam de construir, pois nem no governo e nem no ramo privado, as construções civis estão avançando e que até mesmo os serviços já prestados estão sem o recebimento, já que muitos clientes ou estão em recuperação judicial ou estão inadimplentes, pelo fato de não conseguirem simplesmente fechar as contas no fim do mês’”, relatou na ação.

A Croácia disse ainda que a Copa do Mundo representou uma boa oportunidade para as empresas do ramo da construção civil, porém, após os jogos, a demanda pelos serviços diminuiu, aumentando ainda mais a inadimplência. “Com o advento da Copa de Mundo houve um crescimento significativo no número de obras, induzindo o mercado a ter estoque para cumprir os contratos e atender os clientes. Contudo, o mercado imobiliário e construção civil desaqueceram gerando diminuição da demanda e aumento da inadimplência”, fundamentou.

 



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