Terça-Feira, 11 de Junho de 2024, 11h20
RAGNATELA
Emocionado, vereador pede licença da Câmara: "tomem cuidado com amizades"
Paulo Henrique afirma que provará inocência na Justiça

BRENDA CLOSS
Da Redação

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O vereador Paulo Henrique (MDB) anunciou que irá protocolar seu pedido de licença parlamentar nesta terça-feira (11) na Câmara de Cuiabá. Quem assume em seu lugar é o advogado Zidiel Coutinho (Solidariedade).

O afastamento ocorre após sete colegas pedirem para que a Mesa Diretora acione a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar contra ele devido à Operação Ragnatela, da Polícia Federal, que investiga a lavagem de dinheiro da facção criminosa Comando Vermelho (CV) por meio de casas de shows cuiabanas. O legislador é um dos alvos da ação deflagrada na última semana. "Vou protocolar minha licença parlamentar neste momento pelo prazo de 31 dias. A minha prioridade é a minha honra e família. É muito difícil, mas digo com tranquilidade que vamos responder um por um e aí quero voltar aqui e explicar o que está ocorrendo no sindicato. E pode ter certeza que voltarei de cabeça erguida, vou provar nos autos", garantiu o legislador em seu discurso na Tribuna. 

Paulo Henrique é suspeito de receber propina da organização criminosa, principalmente por ter lotado em seu gabinete um dos líderes do Comando Vermelho, Willian Aparecida da Costa Pereira, o “Gordão”, e também por ter indicado o produtor de eventos Rodrigo de Souza para trabalhar no cerimonial da Casa das Leis. Segundo as investigações, o papel dos agentes públicos era facilitar a concessão de licenças para a realização dos shows, sem a documentação necessária, algo que ele negou.

"Algumas vezes fui procurado por promotores de shows para a liberação de licenças e sempre me limitei a encaminhá-los à Secretaria de Ordem Pública (Sorp). A operação se arrasta por dois anos, meu sigilo bancário foi quebrado e não foi encontrado nada", defendeu. O vereador negou ainda que o Sindicato dos Agentes de Regulação e Fiscalização do Município de Cuiabá (Sindarf) tenha recebido propina do Comando Vermelho, momento em que foi vaiado por pessoas que estavam nas galerias da Câmara Municipal. 

Segundo a PF, o Sindarf teria recebido R$ 10,5 mil em telhas “doadas” por Gordão. Por fim, o parlamentar reiterou que Rodrigo Leal é amigo dele há mais de 20 anos, mas não tinha conhecimento do envolvimento dele com a facção criminosa.

Após 15 minutos de discurso, se emocionou ao falar da família e aconselhou a todos os presentes a se atentarem com suas amizades. "Não sou covarde. Quem demitiu foi o presidente e com razão, ele foi indicação minha e conviveu conosco por mais de um ano. Tomem cuidado com aas pessoas que estão ao seu lado, digas com quem andas e quem és. Me deem essa oportunidade de provar que jamais gostaria de envergonhar esta Casa de Leis", desabafou o legislador. 

Com seu afastamento, quem assume sua vaga é o advogado Zidiel Coutinho (PV) na próxima sessão de quinta-feira (13). Ambos eram do Partido Verde (PV) nas eleições de 2020, mas agora durante a janela partidária migraram para outras silgas. 


Fonte: FOLHAMAX
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