07 de Julho de 2020,

Mundo

A | A

Terça-Feira, 30 de Junho de 2020, 15h:42 | Atualizado:

CURRÍCULO FALSO

Decotelli deixa Ministério da Educação

decotelli.jpg

 

O ministro da Educação, Carlos Decotelli, anunciou pedido de demissão nesta terça-feira (30), cinco dias após ser nomeado para cargo pelo presidente Jair Bolsonaro. O agora ex-ministro confirmou a saída à reportagem.

A demissão foi a maneira encontrada pelo governo federal para encerrar a crise criada com as incorreções no currículo divulgado por Decotelli.

Para o cargo no MEC, voltaram a ser cogitados o secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, o ex-assessor do Ministério da Educação Sérgio Sant'Ana e o conselheiro do CNE (Conselho Nacional de Educação) Antonio Freitas, que é pró-reitor na FGV e cujo nome aparecia como orientador do doutorado não realizado por Decotelli.

Constava no currículo de Decotelli um doutorado pela Universidade Nacional de Rosario, da Argentina. O reitor da instituição, Franco Bartolacci, negou que ele tenha obtido o título, informação antecipada pela coluna Mônica Bergamo. Há ainda sinais de plágio na sua dissertação de mestrado.

Em declaração na noite de segunda-feira (29), após encontro com Bolsonaro, ele negou o plágio e disse que continuava ministro.

Em seu currículo, Decotelli escreveu ter feito uma pesquisa de pós-doutorado na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, que informou que o novo ministro não possui título da instituição.

Em nota divulgada na noite de segunda-feira (29), a FGV (Fundação Getúlio Vargas) negou que o economista tenha sido professor ou pesquisador da instituição. A informação também constava em seu currículo, inclusive no texto divulgado pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) quando assumiu a presidência do fundo em fevereiro do ano passado.

A nova controvérsia irritou Bolsonaro, segundo assessores, que consideraram sua permanência insustentável.

No Palácio do Planalto, porém, havia um receio sobre a repercussão de uma exoneração. A preocupação era de que uma decisão do presidente pudesse fomentar uma crítica pelo fato de Decotelli ser o primeiro ministro negro da atual gestão. Por isso, a saída considerada ideal seria um pedido de demissão, conforme acabou ocorrendo.

Calos Decotteli foi escolhido para suceder Abraham Weintraub, que deixou o cargo após uma série de polêmicas com o STF (Supremo Tribunal Federal).

A escolha de seu nome ocorreu como forma de dar uma imagem técnica ao MEC. Mas os problemas com o currículo provocaram efeito inverso, ridicularizando o governo, exatamente em um momento de necessidade de um sinal de seriedade com a educação.

Na manhã de segunda-feira (29) a situação de Decotelli ficou fragilizada. A cerimônia de posse, esperada para o dia, foi desmarcada. Com a série de polêmicas, Decotelli perdeu apoio inclusive entre quem o respaldava antes, sobretudo entre os militares.

O professor havia feito parte da transição do governo no grupo, de forte presença militar, que discutia educação. Com a indicação de Ricardo Vélez Rodríguez para o comando da pasta, ele assumiu o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), onde teve uma atuação apagada.

Deixou o cargo em agosto de 2019 depois que o governo negociou a entrega do cargo a nome indicado de partidos como DEM e PP. Rodrigo Sergio Dias seria demitido no fim de 2019 e, após gestão de funcionária de carreira,o órgão voltou para o centrão neste ano.

Entre os nomes mais cotados para o cargo, Sérgio Sant'Ana é quem tem ligação mais estreita com seguidores do escritor de Olavo de Carvalho, influente no governo Bolsonaro. Além disso, também é próximo do setor privado de ensino superior. Antes de ingressar no MEC, foi advogado de grupos educacionais.

Além deles, o professor Gilberto Garcia também surge como opção. Garcia foi presidente do CNE, reitor da Universidade Católica de Brasília e da Universidade São Francisco (SP), onde leciona atualmente. Colabora com a campanha a favor de Garcia o fato de ele ser pardo e frei, além de contar com boa articulação com o setor educacional e com políticos.

O núcleo militar passou a defender também o nome do professor Marcus Vinicius Rodrigues, ex-presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), que ajudou na transição do governo.

Com a possibilidade de uma mudança, deputados e senadores passaram a apoiar que a pasta seja comandada por um parlamentar. O nome favorito no Poder Legislativo é o do senador Rodrigo Pacheco (DEM-RO).

Continua no páreo o presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior), Benedito Aguiar, que é evangélico e tem apoio de parlamentares religiosos.

 

Postar um novo comentário

Comentários (3)

  • Zeca | Terça-Feira, 30 de Junho de 2020, 19h41
    0
    0

    Não tem jeito, quando coloca um cidadão de cor, dá uma dessa xô mano.

  • Paulo | Terça-Feira, 30 de Junho de 2020, 18h50
    0
    0

    Esse jumento desse Bolsonaro não tem competência nenhuma pra ocupar o cargo de presidente, esse cara é um lixo, cercado por milicianos, vagabundos, mentirosos e canalhas. O cara não tem a capacidade de escolher 1 , um único Ministro que preste. Pública uma lei de manhã a tarde já foi retirada do diário oficial, nomeia um ministro a noite de manhã já foi demitido. Bolsonaro é um incapaz, um inútil.

  • lucas | Terça-Feira, 30 de Junho de 2020, 16h17
    1
    1

    o cara é uma fraude em pessoa, NEM MILITAR DE CARREIRA ELE É, kkkkkkkkkkkkkkkkkk, esse país não pode se levar a sério

INFORMES PUBLICITÁRIOS

MAIS VÍDEOS