24 de Janeiro de 2020,

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Sábado, 07 de Dezembro de 2019, 13h:34 | Atualizado:

DESEQUILÍBRIO

Infestação de piranha devora outras espécies e gera prejuízo para pescadores

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Os pescadores de Arneiroz sofrem com a baixa oferta de peixes no principal açude do muncípio cearense devido a uma infestação de piranhas no reservatório. O peixe carnívoro se alimenta de outras espécies, o que prejudica a coleta de peixes mais lucrativos.

A solução dos pescadores da cidade foi transformar a piranha em ingrediente de pratos exóticos e garantir o sustento de família que dependem da pesca. O peixe que gerava prejuízo acabou servindo como outra fonte de renda para o pescador Francisco Borges, 42 anos, que passou a produzir bolinhas de piranha como alternativa para comercialização do pescado.

Sua mulher, Maria de Castro, 39 anos, conta que o casal começou a produzir os pratos por conta da dificuldade na pesca de outros peixes. “Ela prejudica muito, então nós começamos agora para ver se isso dá resultado”, conta.

Ainda segundo Maria de Castro, por ser um prato exótico, muitos moradores criam resistência a provar o quitute, mas os que provam acabam gostando. “Eu acho que devemos conversar com a população. É difícil porque o pessoal ainda tem aquele preconceito. Alguns que provam dizem que é bom e outros que não”, lembra.

A presidente do Associação de Pescadores do Arneiroz (Arnepeixe), Maria Evaneide Felipe de Araújo, explica que a infestação da piranha é comum no segundo semestre, quando há menos água nos reservatórios e ocorre o período de reprodução da espécie.

“Todo mês ela se reproduz e isso aumenta muito nessa época do ano. Nessa situação, provavelmente, o pescador vai precisar deixar de pescar por causa disso. É um bicho violento, que quebra as linhas utilizadas. É um risco até pra vida do pescador”, explica.

Ela ressalta que a utilização da carne da piranha para alimentação é uma das possíveis soluções, mas é preciso potencializar a atividade, ainda vista com preconceito pelos consumidores. “Ainda não existe uma aceitação no mercado. A gente tá tentando essa alternativa. Os pescadores que têm esse anseio de buscar um mecanismo que possa transformar isso em um desafio. É preciso agregar valores”, diz.

O analista em gestão de recursos hídricos Mário Barros explica que no açude Arneiroz II a espécie mais encontrada é a pirambeba. “O período seco é mais propenso à reprodução. Além disso, elas gostam de viver em águas paradas, como nos açudes”, explica.

Uma comissão foi criada pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) para debater o assunto. O animal é comum nos reservatórios na faixa do Jaguaribe e traz transtornos na gestão dos recursos hídricos. “Vamos procurar interlocução com os órgãos de controle ambiental para, em parceria, controlar a população de piranhas”, pontua Mário Barros.

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