12 de Agosto de 2020,

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Segunda-Feira, 13 de Julho de 2020, 03h:00 | Atualizado:

Ministro da Educação já defendeu que crianças sintam 'dor' ao serem educadas

O novo ministro da Educação, Milton Ribeiro, já defendeu que crianças devem "sentir dor" ao serem educadas. De acordo com Ribeiro, a "correção" não será obtida por "métodos suaves", com a exceção de algumas crianças "superdotadas" que entenderiam o argumento dos pais. Ribeiro foi nomeado ministro na sexta-feira pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele é pastor da Igreja Presbiteriana.

— A correção é necessária pela cura. Não vai ser obtido por meios justos e métodos suaves. Talvez aí uma porcentagem muito pequena de criança precoce, superdotada, é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, desculpe. Severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim, deve sentir dor — diz Ribeiro, em vídeo que circula nas redes sociais.

De acordo com o "Uol", o vídeo foi publicado originalmente em abril de 2016, com o título "A Vara da Disciplina", mas foi apagado após a repercussão negativa, depois da nomeação de Ribeiro.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe a utilização de "castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto". Essa proibição foi estabelecida em 2014, por uma lei apelidada de Lei da Palmada.

No mesmo vídeo, Ribeiro rebate críticas de que ele estaria sendo "antipedagógico" afirmando que esses problemas são causadas pela ausência dos pais das crianças. De acordo com ele, é o homem que "aponta o caminho que a família vai".

— Pastor, o senhor está sendo muito antipedagógico. Eu amo as crianças da minha igreja. Mas por que isso aconteceu? Os homens não estavam lá. Eles estavam em outro lugar. Quando o pai é ausente dentro da casa, o inimigo ataca. Quando o pai não impõe...Impõe, essa é a palavra, me desculpe, é a palavra usada, (quando não impõe) a direção que a família vai tomar...Não é que ele é o mandatário, que sabe tudo, não. Mas ele, o pai, o homem dentro de uma casa, segundo a Bíblia, o cabeça do lar, ele que aponta o caminho que a família vai.

O ministro foi procurado para comentar as declarações, mas ainda não respondeu.

Em 2013, Milton Ribeiro atribuiu a uma "paixão louca" a atitude de um homem de 33 anos que matou dentro de uma escola uma adolescente de 17 anos por querer namorá-la. Ribeiro levantou a hipótese de que a menina "pode ter dados sinais a ele que estava apaixonada ou coisa do tipo" ao reproduzir involuntariamente um comportamento sexual que teria aprendido vendo televisão.

O novo ministro é pastor reverendo na Igreja Presbiteriana de Santos, litoral de São Paulo, o que foi considerado como um aceno ao grupo de evangélicos e à ala ideológica do governo, que cobravam um nome conservador para dirigir o MEC.



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