23 de Julho de 2019,

Opinião

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Segunda-Feira, 17 de Junho de 2019, 10h:50 | Atualizado:

Osvanira Francisca da Silva

A educação é moeda de ouro

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Enquanto a pátria assiste ao horror dos discursos da reforma da previdência – sem que se fale em cortar as astronômicas aposentadorias de deputados, senadores, governadores e do judiciário, para dar alguns casos, a educação segue cambaleante, com desenfreada e permanente cortes de investimentos. Parodiando o escritor e poeta Coelho Neto, é no trabalho com a educação que se revelam os estadistas. Os governos consideram a educação muito dispendiosa e de alto custo. Se ponderassem com responsabilidade, veriam que a ignorância e o analfabetismo custam muito mais.

Na contramão da nossa realidade, felizmente, há algumas luzes no fim dos túnel pelo país, com boas iniciativas. Em Cuiabá, por exemplo, a Secretaria Municipal de Educação começou a por em prática dois que vão de encontro a toda retórica parcimoniosa e prática excludente do governo federal: o projeto “A escola de inteligência” e o “Proac – Programa de Alfabetização Cuiabano”. O primeiro, considera importante estimular o raciocínio da criança, para que ela aprenda a pensar com lógica e que entenda  aquilo que lê, o que observa e o que lhe é ensinado pelos professores. Também, em outra frente, esse projeto visa discutir, avaliar, contornar e resolver o comportamento do aluno e as suas emoções, item que se pode chamar de busca para a saúde emocional, além de trabalhar para as melhores relações sociais – criança, educadores, funcionários das escolas e seus colegas da escola.

Não menos importante, o projeto de “Alfabetização Cuiabano” é para que o aluno, a família, principalmente esta, e os educadores formem uma só força para ações combinadas que resultarão no convívio saudável do aluno, no universo social, familiar e educativo, para a melhor produção do ensino. No entendimento do secretário municipal de Educação, Alex Vieira Passos, que acaba de implantar essa ideia inicialmente em algumas unidades da rede, e da educadora e secretária-adjunta Edilene Machado,  o investimento, nas duas pontas, é exclusivamente pessoal e pedagógico, sem a necessidade de ampliação ou melhoramento das estruturas físicas nas escolas para o seu sucesso.

Entendo que o seu pensamento, já absorvido pelo corpo pedagógico da rede em encontros e palestras, é formar bons alunos com a grade curricular, claro, mas oferecer condições para que cada criança também experimente e aprenda os valores da família, do pensamento e do bom convívio com os colegas e outras pessoas que não estejam, necessariamente, no conjunto das práticas escolares – vizinhos, colegas do bairro ou qualquer outro cidadão.

No caminho de perto de três décadas que percorri como educadora e gestora de unidades escolares, assim como meus colegas com quem conversei, vejo com muito entusiasmo, pois já percebemos, nós educadores, que é realmente investir muito além que grade curricular ou armações físicas – alvenarias e concreto. Pensar a escola reunindo trabalhos nos contextos educativos e produção do ensino, e associando-os à melhor convivência do aluno com os valores reais da vida – com a efetiva participação dos pais ou responsáveis -  é uma ideia brilhante. Todos acompanhamos os esforços da Secretaria Municipal de Educação para o melhoramento do ensino.

Na atual gestão, projetos como estes dois, entre outros tantos em curso, ampliam a capacidade dos gestores na melhor formação das crianças e pré-adolescentes, no alicerce seguro para jovens e adultos, no futuro. E não há muito o que se gaste. Mesmo que exigisse investimento, fico com o pensamento do Padre Antônio Vieira, que, em vida e nos seus escritos,   sempre nos ensinou que “A boa educação é moeda de ouro. Em toda a parte tem valor. Ou que a Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido.

Osvanira Francisca da Silva é pedagoga e gestora escolar em Cuiabá 

 

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Comentários (1)

  • alexandre | Segunda-Feira, 17 de Junho de 2019, 19h14
    0
    0

    é de esquerda....

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