21 de Maio de 2019,

Opinião

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Quinta-Feira, 18 de Abril de 2019, 18h:23 | Atualizado:

Vicente Vuolo

A ponte viabilizou a ferrovia

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A história da ferrovia São Paulo – Cuiabá envolve necessariamente a luta histórica pela construção da ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná, entre Rubinéia e Aparecida do Taboado. A travessia era feita por balsas, demorada, apesar da linda paisagem do grande rio. Quem quisesse evitar as longas filas, teria que dar a volta por Camapuã ao sul. Ou, por Caçu, em Goiás. Ambas estradas, aumentando a distância em 250 quilômetros entre Cuiabá e São Paulo. Além disso, os trilhos da antiga estrada de ferro Araraquarense estavam parados nas barrancas do rio Paraná. 

Por isso, o projeto apresentado pelo então Deputado Federal Vicente Emílio Vuolo amarrava a construção dessa ponte. O Projeto de Lei nº 312-A, de 1975, incluía no Plano Nacional de Viação a ligação ferroviária São Paulo – Rubinéia (SP) – Aparecida do Taboado (MS) – Rondonópolis (MT) – Cuiabá. 

Com a vitória para o Senado, Vuolo foi eleito Presidente da Comissão de Transportes do Senado Federal. E sua luta se intensificou para a viabilização da construção da ponte sobre o Rio Paraná. Um obstáculo aparentemente impossível de ser transposto, já que a ponte gigantesca de 3.600 metros teria que ser necessariamente rodoferroviária. 

Muitos em Cuiabá não conheciam a obra e não entendiam a dedicação de Vuolo pela construção da ponte. É que sem ponte, não tem ferrovia para Cuiabá! 

Vuolo organizou dezenas de caravanas para visitar a ponte, com as mais expressivas lideranças empresariais, sindicatos, estudantes de engenharia da UFMT, professores, membros da Escola Superior de Guerra e toda a imprensa mato-grossense, sem distinção. A caravana saia sempre da residência do senador, em Cuiabá, de madrugada. Antes, da partida do ônibus fretado era servido um delicioso “bolo de queijo caseiro” muito disputado na época. 

Paralelamente a esse trabalho de mostrar à sociedade a importância da obra, Vuolo desenvolvia uma imensa articulação política em Brasília, sempre com o apoio da Associação dos Municípios do Oeste Paulista (AMOP) e lideranças políticas de São Paulo, tendo à frente o Deputado Edinho Araújo, hoje prefeito de São José do Rio Preto. A sua primeira vitória foi conseguir viabilizar um convênio entre a União e o Governo do Estado de São Paulo para a elaboração do projeto construtivo da ponte rodoferroviária. A solenidade de assinatura do convênio aconteceu, no início da década de 1980, no Ministério dos Transportes, em Brasília, com um auditório lotado de prefeitos do oeste paulista e dos dois Mato Grosso. No seu discurso, o senador mato-grossense disse: “Com esta obra, vocês verão. Os dois Mato Grosso terão condições de ser o celeiro do Brasil”. Foram aplausos demorados! 

O próximo passo, foi convencer o governo federal a elaborar o projeto construtivo da ponte. Uma tarefa árdua e com muita resistência. Nem mesmo as audiências com os Ministros Mário Andreaza e Eliseu Resende foram suficientes. Mas, a insistência, perseverança, idealismo de Vuolo logo se fez presente nos inúmeros discursos proferidos da tribuna do Senado Federal, ganhando cada vez mais apoio político. Logo, ele ficou conhecido como o “Homem da Ferrovia”. 

Sensibilizado com o projeto, o ministro Chefe da Casa Civil, Golbery do Couto e Silva telefonou para o Senador Vuolo e o convidou para uma reunião no Palácio do Planalto. E de lá saiu a determinação para a Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes (GEIPOT) elaborar o projeto construtivo da ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná, entre Rubinéia e Aparecida do Taboado. A vencedora da concorrência foi a empresa Sondotécnica Engenharia e Solos. Mais tarde, esses estudos facilitaram os trabalhos desenvolvidos pelos técnicos da Constran na construção da ponte.

A partir daí o cuiabano do Coxipó da Ponte, iniciou uma intensa mobilização para dar início a magnífica obra de engenharia, que mais tarde levaria o seu nome.  

Ele não se intimidou com o impossível. Fez disso um desafio e mostrou que o cuiabano é também um forte.

VICENTE VUOLO é economista e cientista político.

 

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Comentários (1)

  • Degas | Sexta-Feira, 19 de Abril de 2019, 14h18
    1
    0

    A ponte hoje corre sérios riscos por falta de manutenção em suas estruturas.Estado crítico.E quando de sua construção,ao invés de fazerem a ligação Sp/Go/Ms que teria um custo muito menor,preferiram fazer como foi feito, onerando a obra.Mas não tira o brilho do trabalho do Senador Violo.

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