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Sábado, 27 de Janeiro de 2018, 06h:33 | Atualizado:

Eduardo Gomes

De guinada radical

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Semana de ódio e idolatria em razão do julgamento de Lula, que resultou na sua condenação. Nosso Mato Grosso dito intelectual, formador de opinião e politizado – com uma ou outra exceção – protagonizou esse irracional antagonismo.

Li com pesar nas redes sociais os textos que bem revelam a alma de seus autores. Lula bandido – o ex-presidente tem defeitos e culpa em cartório, mas não merece esse rótulo. Homem casto – também não é digno desse título.

Quem adota esse radicalismo não contribui para passar o Brasil a limpo, para a formação de um Estado socialmente justo, ecologicamente correto e com reconhecimento internacional como grande nação em todos os sentidos. 

A divergência sobre Lula (Temer, Aécio e assemelhados) tira o foco da discussão sobre os problemas mato-grossenses. É mais cômodo xingar Temer do que botar o dedo da ferida do sucateamento dos hospitais regionais, no afastamento de seis conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, nas investigações sobre a maioria dos deputados estaduais, na Grampolândia Pantaneira; no paletó ou na caixa de papelão para acomodar dinheiro do esquema Silval recebido por Emanuel Pinheiro, José Domingos e Ezequiel Fonseca. A crítica geograficamente cautelosa é quase (ou tão) grave quanto os crimes locais que ela desqualifica.

As questões nacionais interessam a Mato Grosso, porém, os assuntos mato-grossenses é que movem a Terra de Rondon, ditam as regras dos serviços de saúde púbica, segurança, educação, garantias individuais e coletivas, qualidade das obras, transparência administrativa e desempenho parlamentar.

O caso Triplex é uma gota d’água no oceano da corrupção e como os demais não pode ficar impune, mas não o vejo como fundamento para ódio e paixão. Tenho convicção que o governo Lula foi corrupto tanto quanto os outros. Imagino que a força social o escolheu para Cristo por se tratar de um retirante nordestino toscamente alfabetizado. Prefiro vê-lo pelo olhar da razão regional. O ex-presidente executou o maior programa social de todos os tempos em Mato Grosso: Luz Para Todos, que gratuitamente levou energia interligada ao sistema nacional a quase 500 mil cidadãos na zona rural e vilas. Lula avançou com pavimentação e trilhos pelos municípios. Em Cuiabá seu governo despejou um mar de dinheiro para obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo, que se não tivessem sido executadas nossa capital estaria estrangulada – claro que boa parte da dinheirama foi afanada, mas não por ele. Nada contra a condenação, mas esse tipo de posicionamento passional majoritário nos mostra que o Brasil precisa de uma guinada radical a partir do povo, do qual saem os políticos.

Eduardo Gomes de Andrade é jornalista

eduardogomes.ega@gmail.com

 



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Comentários (4)

  • alexandre | Domingo, 28 de Janeiro de 2018, 09h37
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    A esquerda sempre pediu uma chance, desde 1989 e quando conseguiu, transformou todos em pobres, foi pro bolivarianismo, populismo e quebrou o Brasil de tantos pixulecos. mudar o mundo pra pior ? o socialismo da venezuela ? O Brasil poderia ser pontencia hoje , se tivesse feito escolhas certas, escolheu populismo, marolinha, copa, olimpiadas. taí o resultado. a esquerfda não tinha o direito de errar, de se enriquecer, temos que combater a corrupção no PMDB, PSDB, não é apenas no PT.

  • Gilmar | Sábado, 27 de Janeiro de 2018, 15h09
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    Alguns jornalistas de Cuiabá odeiam o Lula, e enaltecem velhos caciques políticos de mato Grosso. Da para entender?E

  • Citizenship | Sábado, 27 de Janeiro de 2018, 14h36
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    Não sou lulista. Então, não me importa saber se Lula é casto ou não. Mas, me importa saber que a democracia supõe isonomia de tratamento e processos legais obedientes à lei. O julgamento de Lula é exceção. Porque o Ministério Público e a Polícia Federal não conseguiram demonstrar as provas de que a) Lula seja o proprietário do imóvel em questão; b) que a OAS fez-lhe a doação; c) que a OAS fez-lhe a doação por atitudes suas enquanto presidente que a favorecessem nas contratações da Petrobrás. Sem essas provas a condenação é esdrúxula na primeira e na segunda, terceira, quarta, quinta ou décima instância ou dimensão. Ao mesmo tempo, enquanto Lula está sendo condenado sem provas, contra outros cujas provas grassam (desgraçam?) por todos os lados, não tramitam os processos, não são adotadas atitudes. Por que Lula não tem direito à lei? A lei determinaria sua absolvição.

  • Site OsAnarcocapitalistas | Sábado, 27 de Janeiro de 2018, 13h47
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    Parei de ler seu texto na terceira linha. "Lula bandido – o ex-presidente tem defeitos e culpa em cartório, mas não merece esse rótulo" Toma vergonha na sua cara!

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