15 de Julho de 2020,

Opinião

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Quinta-Feira, 01 de Maio de 2014, 11h:56 | Atualizado:

Dilemário Alencar

Dia do Trabalhador, uma história de lutas

Dilemario

 

O Dia do Trabalhador foi instituído no Brasil no dia 1º de maio do ano 1925 pelo então presidente Artur Bernardes. Certamente Bernardes tomou esta iniciativa baseado na história de luta dos trabalhadores que, em seu tempo, já se mobilizavam por condições de trabalho decente, jornada de trabalho justa e melhores salários.

Entretanto, o início da história do Dia do Trabalhador ocorreu em 1ª de maio de 1886, quando uma grande manifestação de trabalhadores foi realizada na cidade americana de Chicago. Milhares de trabalhadores protestavam contra as condições desumanas de trabalho e a enorme carga horária pela qual eram submetidos (13 horas diárias). 

Naquela época uma grande  greve paralisou os Estados Unidos. No dia 3 de maio, houve várias manifestações, que levaram confrontos entre trabalhadores e a polícia. No dia seguinte, esses confrontos se intensificaram, resultando na morte de diversos trabalhadores. As manifestações e os protestos realizados  ficaram conhecidos como a Revolta de Haymarket.

A luta dos trabalhadores americanos começou a servir de referência para trabalhadores de outros países. O Exemplo disto, foi a cidade de Paris, onde em 20 de junho de 1889,  uma central sindical chamada Segunda Internacional instituiu o dia  1º de maio, como dia das manifestações,  data máxima dos trabalhadores organizados, para assim, lutar pelas 8 horas de trabalho diário.

Em 23 de abril de 1919, o senado francês ratificou a jornada de trabalho de 8 horas e proclamou o dia 1° de maio como feriado nacional. Após a França estabelecer o Dia do Trabalhador, a Rússia adotou a data comemorativa em 1920.

As ideias e princípios das leis trabalhistas defendidos pelos americanos e europeus também tiveram influência no Brasil.  Em 1917 houve a primeira greve geral em nosso país, o que fortaleceu a classe operaria da época, o que a partir de então, travou muitas lutas contra a exploração, exigindo condições dignas de trabalho e uma vida melhor para os trabalhadores brasileiros.

Na era Vargas (193-1945) o Dia do Trabalhador era considerado por movimentos anarquistas e comunistas como um momento de protesto e crítica às estruturas sócio-econômicas do país. No entanto, uma grande conquista dos trabalhadores é atribuída ao governo de Getúlio Vargas, a criação da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, em 01 de maio de 1943. 

No período do governo dos militares, a propaganda oficial tentou transformar a data de 1º de maio especialmente destinado para celebrar o trabalhador no Dia do Trabalhador. O governo ditatorial realizava desfiles, festas populares e celebrações similares com o objetivo de desqualificar eventuais protestos contra o regime.  

Já nas décadas de 80 e 90 era comum a data ser marcada por piquetes, passeatas e  protestos promovidos por entidades sindicais de trabalhadores.  Registro também que por muitos anos o governo usou esta data para anunciar o aumento do salário mínimo.

Atualmente, a característica de festas populares foi assimilada pelo movimento sindical: tradicionalmente a Força Sindical e CUT (organizações que congregam sindicatos de diversas áreas) realizam grandes shows em São Paulo com nomes da música popular e sorteios de prêmios para comemorar o dia do trabalhador. 

Indubitavelmente, se a classe trabalhadora goza atualmente de condições mais dignas de trabalho deve-se a luta outrora dos trabalhadores do passado. Entretanto, no Brasil convivemos ainda com a triste realidade da existência do desemprego, do trabalho escravo e infantil, da exploração salarial e de outras mazelas trabalhistas. 

Portanto, é bom festejar o dia 1º de maio, mas não podemos perder de vista que esta data deve ser também para refletir, não perdendo de vista o exemplo dos trabalhadores de outrora. A luta deve continuar para que de fato possamos conquistar uma vida digna e melhor para os trabalhares e trabalhadoras do nosso Brasil.

 

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