07 de Agosto de 2020,

Opinião

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Quarta-Feira, 15 de Julho de 2020, 09h:43 | Atualizado:

Renato Nery

É preciso ter sorte

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Imponderável nos ronda permanentemente. Ele encontra-se à socapa e pode aparecer e atrapalhar os nossos objetivos e planos. Planejamos tudo, mas lá vem o imprevisto e acaba com tudo. Quantas vezes, na labuta desta vida, o limite entre o acerto e o fracasso é uma linha tênue que somente uma boa estrela pode nos livrar do abismo. Não sou religioso, portanto, não irei pelo caminho da fé, pois não acredito que um Deus invisível nos colocou aqui, como num ensaio, para viver, sofrer, apender, e depois nos levar para outro plano. 

É certo que quando me deparo com a crueldade, as injustiças e as mazelas praticadas pelos meus semelhantes, me pergunto se não vai haver um reparo ou uma pena. Afinal isto causa dor e desconforto as outras pessoas que a justiça de sete patacas dos homens não resolve. Somente acho que o mundo é um equilíbrio perfeito e fico na esperança de que todas aqueles que atentam contra esta harmonia serão penalizados.  Confesso, entretanto, que não encontro resposta mais satisfatória. 

Uma avalição equivocada da nossa saúde pode ter consequências desastrosas. Uma internação hospitalar pode resultar numa contaminação e se sair do hospital pior do que entrou. Um nefasto acidente! Está no lugar errado na hora errada pode ser uma tragédia! Uma perspectiva mal avaliada ou um ponto fora da curva podem ser fatais.

Acredito que somos fruto de um aprendizado são parte daquilo que plantamos ao longo da caminhada. E o imponderável é parte intrínseca da vida.

O que vale a pena nesta vida são os afetos. E aquilo que conquistamos ao longo da vida que a torna mais efetiva e mais suave. Sem os afetos maternos, paternos e o desvelo e o carinho dos amigos de pouco vale a nossa estada aqui na terra. 

Escrevo este artigo sob o estresse do isolamento da pandemia que tem atingido a todos, mas, sobretudo sob o peso de recentes os reverses, o que me levaram a descobrir, que apesar da apologia que faço das amizades – nem tudo que reluz é ouro – constatei que os meus amigos não preenchem os dedos das duas mãos. 

Lamento, por fim, que vivemos numa sociedade onde as autoridades dão prioridade as atividades econômicas e a seus interesses, em detrimento da vida. Portanto, só nos resta torcer para que não tenha chegado a nossa hora e que a sorte nos poupe do pior, nesta roleta russa de uma cruel pandemia, onde o próximo tiro pode ser contra o nosso ouvido.

Só me resta infelizmente, neste cenário sombrio, desejar a todos que tenham sorte, muita sorte!

Renato Gomes Nery. E-mail- rgnery@terra.com.br



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