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Opinião

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Sexta-Feira, 02 de Maio de 2014, 12h:30 | Atualizado:

Mauro Camargo

Elefante branco

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Impressiona o volume de críticas raivosas por parte de jornalistas da imprensa nacional contra as obras da Copa – e da própria realização de jogos do Mundial em Cuiabá -, em particular contra a Arena Pantanal, considerada por muitos um elefante branco custeado com recursos públicos. 

Parte das críticas soa racional diante de argumentos óbvios, como a inexistência de times de grande porte em Mato Grosso. De fato nosso futebol é periférico e está longe de alcançar projeção nacional. O raciocínio lógico é o de que sem times não há torcedores ou público para sustentar um estádio de R$ 560 milhões. Isso pode fazer da Arena Pantanal um enorme desperdício de dinheiro público. Mas nem sempre o que parece óbvio se traduz em verdade. 

A construção da Arena Pantanal não pode ser analisada apenas sob a perspectiva fria das estatísticas de público e da ausência de um futebol competitivo, pois estes elementos não consideram o todo da realidade local. Quem avalia a obra somente sobre este prisma desconhece a vida em Cuiabá e exibe forte – e histórico – preconceito contra Mato Grosso. 

A visão recorrente de bem informados jornalistas da grande mídia é a de que somos um estado periférico, de parca importância política, uma ‘terra de índios e de onças‘. A desinformação é tamanha que nossa Capital frequentemente é confundida com a de outro estado por próceres da imprensa nacional. No geral não nos conhecem e não fazem questão alguma de conhecer. 

Sim, somos uma terra de índios e de onças e eles sobrevivem porque mais da metade do nosso território se mantém intacto. Temos mazelas ambientais (sociais e antropológicas) é verdade, mas ainda temos índios e onças, peixes e rios cristalinos, florestas intocadas, belezas naturais de dar inveja. E temos tudo isso apesar de sermos os maiores produtores de grãos do País, termos o maior rebanho de gado e contribuirmos com 25% da balança comercial brasileira. 

De fato somos um estado periférico, de população pequena e com graves problemas sociais. Nossa educação é frágil e a saúde caótica, como de resto é a saúde e a educação em todos os estados brasileiros, mesmo nos mais ricos e desenvolvidos onde se assenta a grande imprensa nacional. Ou São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba e em todas as demais cidades-sedes da Copa não existem os mesmíssimos problemas sociais encontrados aqui? 

É fato que as obras da Arena Pantanal estão atrasadas, assim como as demais obras em andamento. É frustrante para cada cidadão que vive aqui saber que a maioria das obras de mobilidade urbana sequer ficará pronta para a Copa que começa em menos de 40 dias. Mas esta realidade de atrasos, de falta de planejamento, da qualidade daquilo que está sendo realizado é por acaso muito diferente do que vem ocorrendo no restante do País? Em algum outro lugar existe um volume tão grande de obras relacionadas à Copa como aqui? 

A Arena Pantanal pode se transformar num elefante branco, como afirma a mídia nacional, mas pode, do mesmo modo e na mesma medida, se traduzir numa obra capaz de induzir como nenhuma outra o desenvolvimento do futebol profissional. Os resultados de Mixto e Santos e de Luverdense e Vasco – tanto no que diz respeito ao futebol praticado quanto ao público presente mostram isso. 

As obras atrasadas denotam graves problemas de gestão e planejamento, não se pode negar. Mas ficarão prontas, ainda que depois da Copa. E elas representam um legado histórico para a mobilidade urbana da nossa Capital, um avanço de 30 ou 40 anos que seria impensável sem a realização do Mundial. 

Talvez estejamos gastando e fazendo mais do que deveríamos. Mas este é um problema nosso. É o povo daqui que pagará (e já está pagando) esta conta, sem pedir favor a ninguém. Deixem que de nossos elefantes brancos cuidamos nós. Respeitem nossa história, nossos índios e onças.

MAURO CAMARGO, jornalista, é diretor de Redação do jornal "A Gazeta".

 

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Comentários (2)

  • José Luiz Siqueira | Sexta-Feira, 02 de Maio de 2014, 20h55
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    Parabéns Mauro, suas colocações são muito oportunas. Lembro-me que quando construíram a rodoviária de Cuiabá disseram que ela seria um \"elefante branco\"; quando abriram a Av. Dr. Paraná, que liga o Cristo Rei ao Praeirinho, também diziam que ligaria \"nada a lugar algum\"; a própria Av. das Torres, mais recentemente, foi tachada de desnecessária e eleitoreira; e daí por diante. E todas essas obras representaram um avanço espetacular para Cuiabá. É incrível como há uma tendência generalizada de se enxergar as coisas apenas pela ótica pessimista. Santos, Vasco, Internacional, Atlético Mineiro, Cerro Portenho... Antes mesmo de receber as seleções que vão disputar a Copa, grandes equipes já terão pisado no tapete verde da Arena Pantanal. O mesmo acontecerá com o nosso aeroporto, que logo será melhor que o de muitas capitais brasileiras. Sem falar no VLT, que daqui a algum tempo deve ser concluído e vai dar uma nova roupagem à Cuiabá dos 300 anos. Eu devo ter sérios problemas de visão, porque não consigo enxergar esse \"elefante branco\" que algumas pessoas insistem em dizer que está atolado em Cuiabá.

  • Renato Raul Spinelli | Sexta-Feira, 02 de Maio de 2014, 14h39
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    Estou completamente dê acordo com seu pensamento, traduzido neste artigo! Meus parabéns e continue como todos nós, defendendo este Estado que é sem sombra de dúvida, realmente muito importante para o BRASIL, se não fosse nossa contribuição para Balança Comercial (25%) como estaria o restante desse nosso imenso Brasil? Meus parabéns e um grande abraço ./ Renato Raul Spinelli

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