19 de Setembro de 2019,

Opinião

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Quinta-Feira, 23 de Maio de 2019, 11h:02 | Atualizado:

Claiton Cavalcante

Empedernida crítica, sensibilidade para quê?

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O Brasil é capaz de tudo, inclusive, de inovação alucinada, quem disse isso foi o jornalista Paulo Henrique Amorim em sua infeliz comparação entre o evento denominado “Adoção na Passarela” e a SP Fashion Week, deveria o renomado jornalista saber que aqui se busca muitos cifrões, ao passo que lá, crianças e adolescentes buscam um lar.

Essa e muitas outras críticas se espalharam pelo Brasil, após o evento realizado em Cuiabá, pela Associação Mato-grossense de Pesquisa e Apoio à Adoção (AMPARA) em comemoração à Semana Nacional da Adoção ter mostrado, mediante autorização judicial, crianças e adolescentes aptas a adoção. O evento já em sua segunda edição tem por objetivo facilitar o acesso de pretensos pais aos que estão tutelados pelo Estado em abrigos.

Críticas infundadas, frias e desprovidas de conhecimento de causa foram proferidas por pessoas das mais diferentes estirpes, de intelectuais a políticos. Pessoas essas que muitas delas nem se quer sabem o significado da adoção, não estou dizendo significado literal, pois este significado, tais pessoas tem por obrigação saber.

O desconhecimento do assunto e falta de sensibilidade que o caso requer foi tamanho que chegou ao ponto de um professor universitário comparar as crianças a bois/vacas. Já um advogado e poeta, “poetizou” dizendo ser o evento um desfile de escravos à procura de seus senhores.

Para a ex-deputada Manuela D’Ávila, em sua rede social ela disse que essa é uma das notícias mais tristes que já leu, se referindo ao desfile Adoção na Passarela. Pode ser triste para ela, não para aqueles que sonham em ter um lar e serem pais. Enquanto esteve como deputada, será que ela propôs algo para tentar amenizar o sofrimento e os longos períodos de espera dessas crianças e adolescentes nos abrigos?

“Perversidade”, foi este o substantivo utilizado pelo ex-presidenciável Guilherme Boulos também em sua rede social para informar sobre o que considera ser uma frustração devastadora para essas crianças ao serem expostas e ao final não conseguirem um pai.

Frustração essas crianças sentem, ao serem expostas ao abandono das famílias biológicas, ao distanciamento do Estado, a omissão da sociedade, bem como ausência de políticas públicas que deveriam ser implementadas, também, por estes mesmos políticos ávidos a criticar o trabalho de pessoas e entidades transformadoras de vidas.

O evento teve apoio de instituições sérias como por exemplo, OAB-MT, Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Ministério Público, UFMT e muitas outras, que diferentemente daqueles que criticam, sem fundamento ou apenas baseado na letra fria da lei, optaram em apoiar tal iniciativa que traz à tona para a sociedade, aquilo que o poder público e a sociedade de modo geral deveriam se propor a fazer.

As críticas são bem-vindas sempre, desde que sejam proferidas com o intuito melhorar aquilo que se tem, situação que aqui não aconteceu. Deste modo, já dizia Voltaire que a ridícula situação de alguém que critica o que confessa nunca ter praticado, já é suficiente para desqualificar a sua crítica.

Claiton Cavalcante

apenas Pai

 

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Comentários (4)

  • Crislaine Cintra | Sábado, 25 de Maio de 2019, 12h53
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    Aos que criticam, poderiam também colaborar com essas crianças. Hoje, 25/05, é comemorado o Dia da Adoção.

  • Citizenship | Sábado, 25 de Maio de 2019, 09h23
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    Sra. Advogada Cidadã. Eu não posso opinar sobre a associação "Ampara", que simplesmente desconheço. Se você re-ler meu comentário observará que não fiz nenhuma crítica àquela entidade. Sequer havia criticado a opção pela utilização de um desfile em shopping center que sinceramente me parece muito equivocada, mas em função de não ter assistido o evento, não o critiquei. O que critiquei e está bem claro em meu argumento foi a lógica infeliz do autor do artigo que muniu-se de um primarismo retórico horroroso que de tão ruim tornou-se contraproducente e prejudicial ao que pretendia defender. Minha afirmação foi de que o argumento da defesa do referido evento era tão ruim que tornava difícil acreditar que o evento tivesse tido alguma qualidade. É mais ou menos como a sua intervenção. Enquanto eu estava contestando o argumento do articulista, sem criticar nem a instituição nem o referido desfile, você me ataca como se fossem estes os objetos de minha crítica. Minha crítica é incisiva, o que significa dizer que desfere-se contra objetos precisamente identificados no conteúdo da contestação, enquanto sua manifestação tangencia o objeto a que me referi e flerta com a tentativa de deslocar minha repulsa para objetos contra quais não investi. Não é uma boa escolha, senhora advogada. Tangenciar os conteúdos para disfarçar o conflito em questão só terá desfecho favorável se os magistrados que lerem suas peças processuais forem incompetentes. Talvez a senhora não seja uma boa advogada. Certamente desconhece "cidadania". Sugiro que leia José Murilo de Carvalho, Ilze Scherer-Warren e também Lizst Vieira. Mesmo não sendo juristas, vão enriquecer-lhe a compreensão sobre cidadania. E ajudá-la a tornar-se uma operadora de direito melhor, capaz de compreender melhor a própria etiologia do direito contemporâneo. Passar bem.

  • Advogada Cidadã | Sexta-Feira, 24 de Maio de 2019, 13h12
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    Citizenship, que de cidadania não tem nada, com esse seu comentário ácido depreende-se ser você do outro lado da situação. Seu comentário seria se na sua crítica desarrazoada tivesse ao menos uma sugestão para solucionar o problema. Contenha-se, pois caso não saiba, este programa criado aí no Mato Grosso é modelo para nossa Federação, inclusive aqui no GDF há programa/atividade idêntico ao criado por esta Instituição de apoio a Adoção, em parceria com Poder Judiciário Matogrossense.

  • Citizenship | Quinta-Feira, 23 de Maio de 2019, 14h15
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    Para dizer que não quer morrer, a pessoa deve morrer primeiro. Para saber que tortura não é saudável, a pessoa tem que ser torturada. Essa é a lógica raquítica do autor. Com apoiadores desse perfil, é difícil acreditar no evento que está sendo avaliado. Tentei evitar manifestar-me sobre o evento, mas depois de ler uma defesa tão esquálida, tornou-se difícil não reagir.

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