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Sexta-Feira, 04 de Julho de 2014, 08h:25 | Atualizado:

Wilson Fuá

Estágios sequenciais da vida

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Durante a nossa existência, focamos sempre aos dois extremos, de acordo com a idade: durante a juventude ficamos pensando no viver e durante a velhice ficamos pensado na morte.

Quando as pessoas vão envelhecendo, elas se voltam mais para o passado, tentando de alguma forma fugir do futuro, pois o futuro tem a verdade existencial da morte.

Os velhos que não são depressivos, geralmente passam a ver o seu futuro, nas paisagens de sucesso ou de fracasso dos filhos, dos netos e dos bisnetos, é como se eles vivessem uma vida emprestada.

Já para os jovens a morte é um tema que está muito longe e remotíssimo, não faz parte dos seus pensamentos futurológicos. Para os velhos, a morte tem o sentido verdadeiro de poder acontecer a qualquer momento. E em função disso muitos velhos passam o tempo que lhes sobra olhando apenas numa só direção: o passado, revendo os fatos passados que lhe mostram tudo que ele inventou e ou do que foi usado nas invenções na sua existência. A morte é um fato natural, algo inevitável e que vem para todos, mas para os velhos ela vem mais rápida, e o medo se faz presente pensando na viagem derradeira em busca do desconhecido.

Muitos dizem que a vida não acaba com a morte, para muitos a morte é a soltura do aprisionamento material. Na realidade ninguém esta preparado para a velhice, pois ninguém está preparado para a morte.

Certo dia conversando com um amigo, que costuma "jogar conversas fora" com longas discussões, entramos no tema: velhice.

E com eu e meu amigo já passamos dos "sessentinhas", nada melhor do que sondar o que ele pensa da velhice e como ele esta se preparando.

E fiz logo a pergunta que ninguém responde: Qual é o seu projeto para a velhice?

- Ele disse, comprei uma casa na Chapada, reformei-a e projetando-a, para ali morar um velho cuiabano, e essa casa foi desenvolvida para ter a mobilidade com as condições para viver uma pessoa que possivelmente no futuro ira se utilizar de uma cadeira de rodas, portanto as portas deverão ser mais largas, os banheiros deverão ter os corres mãos nos quadros lados das paredes, pisos antiderrapantes, suprimir todos os degraus, enfim várias adaptações, e enquanto a velhice não tirar as minhas forças, terei um quintal para plantar hortaliças e debaixo das árvores frutíferas ler um bom livro, jogar um baralhinho, receber visitas, comer aquelas comidas bem temperadas, viver o amor eterno ao lado da minha mulher, da minha companheira, passageira de uma existência que escolhemos para viver juntos e curtindo a cada minuto do meu dia como se fosse o último das nossas vidas.

E porque a Chapada dos Guimarães? 

- Ele prontamente me disse: ali fica o melhor clima do estado, tem pouco trânsito, com isso eu posso deslocar andando até á pé (economizando combustível e exercitando), sem essa loucura do trânsito de Cuiabá, e com isso acumulando energias para chegar bem aos 100 anos, tomando um bom vinho, comendo uma alimentação orgânica, mas acima de tudo absorvendo todo aquele sistema místico e ao mesmo tempo mágico, que vem do lá do infinito e pousa de mansinho na Chapada. 

Depois dos sessenta anos, todos os aniversários devem ser comemorados, não pela aproximação da morte, mas pela celebração de mais um ano de vida. Lá no meu cantinho estarei usando da sabedoria e experiências acumuladas, meu futuro será continuar a escrever sobre as passagens da vida, passando para as pessoas a importância de saber nascer, viver e renascer. 

O importante no envelhecimento é não ficar pensando que o futuro de um velho é o fundo de rede, bengala, doenças e contar histórias para animar e agradar aos netinhos. Infelizmente entre as verdades da vida, fica a constatação que velhice é o caminho para a morte. O nosso passado, é o nosso guia para o futuro, mas para os velhos os projetos são readaptados e a reprodução de conhecimentos continua a ser processados, porém de forma lenta, mas muita rica em sabedoria.

Uma história que ouvi de um velho benzedor cuiabano do bairro do areão, uns diziam que ele era vidente, feiticeiro ou guru, ao certo não se sabe ao certo, mas sempre recebia as pessoas para dar conselho e benzer, e num certo dia sentado ao tronco de madeira à sombra de um cajuzeiro, recolhido em sua solidão matinal, fazendo suas rezas e a pensar em suas reflexões, recebe um jovem em sua casa para conversar, e este lhe pergunta: 

- como é que posso entender o futuro ou saber tudo sobre a vida?

O velho benzedor olhou para o guri, e lhe disse: ainda não publicaram uma cartilha que lhe possa ensinar a viver e você não encontrará nenhum sábio para lhe ensinar. 

Apenas posso dar a seguinte explicação sobre a vida: 

Ele pegou três ovos, e disse ao guri, entenda:

Este 1º ovo representa a "vida material"; 

(jogou-o ao chão, quebrando-o em pedacinhos)

Este 2º ovo representa a "vida espiritual";

(jogou-o ao chão, quebrando-o também em pedacinhos)

E, este 3º ovo, representa a sua "vida pessoal";

(jogou-o ao chão, quebrando-o ao fim em pedacinhos)

E disse ao guri: 

Para você entender a sua vida, você terá que juntar todos os pedacinhos das três unidades e transformá-las num todo, se você conseguir: 

- tenha certeza que entenderá o que é a vida.

Economista Wilson Carlos Fuáh – É Especialista em   Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas.

 



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