23 de Fevereiro de 2020,

Opinião

A | A

Quinta-Feira, 23 de Janeiro de 2020, 20h:15 | Atualizado:

Diogo Egídio Sachs

Heróis e lobos

diogosachs.jpg

 

Esta eleição suplementar com data marcada pelo TRE/MT para o dia 26 de abril do corrente ano, para repor vaga no Senado da República, por Mato Grosso, em razão da cassação de Selma Arruda, exige Heróis/Lobos como candidatos! 

Alguns veículos de imprensa afirmaram que a eleição suplementar do dia 26 de abril é um boqueirão para Senador! Isso em uma alusão à suposta facilidade de se eleger Senado em 2020, em razão das características de uma eleição complementar.

Diferentemente de 2018, onde era a disputa de tudo com todos, onde cada qual estava cuidando do dele, ou seja, tratando de eleger-se, agora, alguns pré-candidatos já estão eleitos deputado (estadual ou federal), havendo, pois, certa tranquilidade de fazer a conversa política, bem como, há outras evidentes vantagens em termos de eleições, tais como o prazo mais curto de campanha, baixo custo, prazo de desincompatibilização de 24 horas e, sobretudo, o baixo risco de perdas políticas com os efeitos da derrota, porque no dia seguinte à eleição podem retomar o exercício de mandato na Câmara Federal ou Assembléia.  

Enfim, alguns candidatos podem concorrer sem sequer sair do cargo: é o caso dos parlamentares e do atual Vice-Governador que é pré-candidato.

Mas não será um boqueirão essa eleição ao Senado! Vai ser uma boca quente, visto que é aparente   a “facilidade” diante da conjuntura política que se apresenta.

Hegel, em seus escritos sobre os Homens da História Universal os chama de fundadores de Estados, são os HERÓIS: aqueles a quem é lícito aquilo que não é lícito ao homem comum.

O LOBO vai devorar até quem se finge de cordeiro. O lobo é o animal político de Hobbes. 

Diz uma velha sabedoria: a necessidade não tem lei! Bíblia debaixo do braço não salva ninguém do Herói/Lobo da política, advertiu Maquiavel a 500 anos atrás!

A nova e a velha política vão medir forças nessa antevéspera de eleição para Prefeito da 

Capital e de todos os outros Municípios do Estado.

O tradicional representado pelos candidatos do ramo Campos do DEM junto com o grupo de Emanoel Pinheiro querem mostrar para a turma nova da política de Mato Grosso, ou seja, para o Grupo do DEM do Governador e para os candidatos do Agronegócio (para essa Gauchada), quem manda em Cuiabá e no Estado.

O “P”MDB busca um espaço político pós Temer, o PT também, está com a ressaca do impeachment, mas ambos são de luta, inclusive o PC do B. O PSB da pombinha branca de Max Russi flerta com todos.

Norberto Bobbio, mais recentemente disse, “Azar dos serenos: não será dado a eles o reino da Terra”.

E, continua: a serenidade é o contrário da arrogância, entendida como opinião exagerada sobre os próprios méritos, que justifica a prepotência; essa por sua vez, prepotência é o abuso de potência não só ostentada (exibe vistosamente à todos o poder que tem de esmagar do mesmo modo que se esmaga uma mosca com o dedo), mas também é a potência  efetivamente exercida — entenderam  a relação de Trump com o Irã!

No Senado congregam-se os Heróis da política brasileira, lá têm assento quem venceu no mundo político — é o lugar de quem venceu mesmo, e ainda vence qualquer parada política —, Senador(a) mais ou menos não fica esquentando a cadeira azul, pois não se mantém ou não volta em novo mandato ao cargo se foi um suplente que, por um acaso, tropeçou para dentro.

Portanto, eleição, não é uma vereda para cordeiro, caititu fora do bando, menino(a) criado(a) em Colégio de Freira ou evangélico(a); posto que, nem Juíza de direito saiu imune às desventuras do ardil, da manha e da astúcia eleitoral da ala profissional da coisa.

O fato de outsider ter ganho eleição para o Senado com quase 700 mil votos está entalado na garganta do Agronegócio, que não aceitou o resultado e foi a forra no terceiro turno!

Alguns partidos políticos e o Agronegócio não se agradaram por conta da audácia da outsider Selma Arruda; não pediu benção para ninguém. Ganhou eleição com pouco dinheiro e sem acerto político.

Isso custou caro, pois o establishment político do entorno de Pedro ataques — não o original, o rebotalho do Comitê da Maldade — desferiu-lhe golpe de morte na sua candidatura; foi uma surpresa Selma Arruda ter se elegido Senadora em 2018, diante de duros e incessantes ataques vindos de todos os lados!

O Lobo chorava e o Procurador Eleitoral se condoía, mas todo resto ele não via nem ouvia! — Óh ovelha malvada, vais conhecer a lei! Acalma-te querido e bondoso Lobo, seu pranto hei de vingar.

Enfim, Selma sai do cargo de Senadora por ordem judicial! Detalhe: os gastos astronômicos de Carlos Fávaro e do PSD com honorários advocatícios, em Brasília, é coisa nunca vista antes na política mato-grossense.

O Agronegócio precisa urgentemente da vaga do Senado para ter um legítimo porta voz político, um representante político na Câmara Alta do Congresso que seja visceralmente ligado a esse setor econômico Mato-grossense, pois é justamente nesse Governo, Bolsonaro, que estão discutindo mudanças na Lei Kandir, com a manifesta vontade de tributar Commodities de exportação.

De qual grupo político saíra o Herói/Lobo que vai à Brasília como Senador? Da política tradicional, do Agronegócio, da Assembléia Legislativa? Do PMDB? Do campo popular: PT/PC do B?

Pivetta será candidato? É ele representante raiz do Agronegócio? Sendo candidato tem ele o apoio do Governador?

Barbudo, Medeiros e Gisela Simona podem concorrer? Ou é eleição de Barão, Coronel e Patrão, sem chance para o povão?

Diogo Egidio Sachs - Advogado

 

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

INFORMES PUBLICITÁRIOS

MAIS VÍDEOS