16 de Junho de 2019,

Opinião

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Terça-Feira, 11 de Junho de 2019, 17h:00 | Atualizado:

Welyda Carvalho

Mulheres têm pouco espaço nos poderes de MT

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Com o início da badalada Copa do Mundo de Futebol Feminino na França na sexta-feira (7), cabe aqui uma análise e reflexão sobre o real espaço de poder ocupado pelas mulheres. É preciso alertar as mulheres de Mato Grosso continuamente para este fato.

Principalmente tomando como pano de fundo o que diz respeito à recente lista tríplice do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), com 3 homens advogados indicados para a vaga de juiz membro. Nota-se que, não figura nenhuma mulher advogada na referida lista. As mulheres precisam tomar posse do efetivo poder. Por que isso acontece dessa forma? As mulheres têm que reagir e tomar para si o destino de representar a população, seja na política ou não.

Nessa linha de intelecção, vamos analisar. Se for levar em conta a população do Estado, e compararmos a presença de mulheres na sociedade em relação aos homens,  é surpreendente a falta da representatividade delas em cargos eletivos ou representativos das instituições no meio social.

Por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projetou em julho do ano passado a população em 2019: do total de 3,484 milhões de habitantes em Mato Grosso, a projeção indica 1,767 milhão de homens e 1,717 milhão de mulheres. Ou seja, 50,72% homens e 49,28% de mulheres. Percebam, há um equilíbrio entre o número estatístico de homens e mulheres na sociedade, mas existe um abismo quando se trata de ocupação do espaço de poder de decisão na mesma sociedade ou representação.

Na seara da justiça, só recentemente houve ampliação do total de desembargadoras no Poder Judiciário Estadual. Porém, por lá, o ambiente sempre foi de ternos masculinos. Do total de 29 membros julgadores do TJMT, atualmente, há 9 mulheres, as desembargadoras Maria Erotides Kneip Baranjak, Maria Helena Gargaglione Póvoas, Clarice Claudino da Silva, Marilsen Andrade Addario, Maria Aparecida Ribeiro, Serly Marcondes Alves, Nilza Maria Pôssas de Carvalho, Antônia Siqueira Gonçalves Rodrigues e Helena Maria Bezerra Ramos. Elas muito nos orgulham, mas ainda é pouco. Mulheres podem mais! 

No Senado, por exemplo, dos 81 membros, 13 são mulheres (16 por cento). No Nordeste, onde as mulheres têm presença de amparo e sustentam famílias, está a maioria das senadoras entre as regiões brasileiras. Em compensação, na região Sul, onde as mulheres educam e comandam empresas e há forte trabalho de cooperativismo, não tem nenhuma mulher no Senado dos três Estados (RS, PR, SC).

O mais notável caso da falta de representação feminina, aqui em Mato Grosso, é a Câmara de Cuiabá. Do total de 25 legisladores, repito: dos 25 vereadores, não há NENHUMA MULHER. Isso não pode continuar assim, como está, em uma capital como Cuiabá. As mulheres da cidade, aqui nascidas ou não, carecem urgentemente se apresentarem e emanciparem-se, efetivamente, na política cuiabana e também nos espaços de poderes. Tão discrepante é o fato de as mulheres mato-grossenses serem representadas na Assembleia Legislativa apenas pela deputada Janaina Riva (MDB), entre os 24 membros que atuam perante o parlamento estadual.

Enfim, há diversos debates sobre políticas públicas para mulheres, lutas contra o feminicídio e tantos outros casos de mulheres desrespeitadas, que nos induzem a pensar que Elas precisam estar mais à frente de espaços e poderes de decisão. Porque se grita tanto nas ruas, na justiça, pela mudança, por outro comportamento, então, as mulheres precisam ser elas mesmas a própria mudança. 

Com força, com diálogo, com toda dedicação e zelo que têm pelo que fazem, com o amor com que defendem seus argumentos e causas. Mulheres: apresentem-se ao poder! Tomem posse com efetividade dos espaços vazios de comando. A união de uma mulher em prol das outras muda o destino de um município, de um Estado inteiro e de uma Nação! Avante mulheres!

#desenvolvimento

#política

#MulheresnoPoder

#afirmamento

*Welyda Cristina de Carvalho é advogada, pós-graduada em Direito Processual Civil pela FESMP/MT, fez intercâmbio em Sunshine Coast, na Austrália e atua no direito do agronegócio. Endereço eletrônico: carvalhojuridico1@gmail.com / Instagram: @welydacarvalho.

 

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Comentários (4)

  • leonir pereira de freitas | Quarta-Feira, 12 de Junho de 2019, 16h31
    2
    0

    Parabéns Dr. Welida pela matéria, continue assim, incentivando as mulheres Mato-grossenses a ocuparem mais espaço na politica municipal, estadual e federal, tudo começa com a filiação partidária, depois pelas convenções partidárias e assim por diante.

  • Welyda Carvalho | Quarta-Feira, 12 de Junho de 2019, 12h13
    3
    0

    Boa tarde! Paulo Cezar e Orlando Evangelista Cunha, me sinto honrada com a participação dos senhores. Muito obrigada! A intenção é buscar debates e ações convergentes à nossa continuada evolução. Forte abraço! #afirmamento! #ocuparespaços! #mulheresjuntas #apoiodoshomens

  • Orlando Evangelista Cunha | Quarta-Feira, 12 de Junho de 2019, 09h04
    4
    0

    Há pouco tempo eu tive a oportunidade de fazer uma pesquisa sobre os deputados dos últimos 4 mandatos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso no meu Curso de pós em Gestão em Cidades. A pesquisa teve por objetivo a realização de um artigo na área da ciência política. Cheguei a mesma conclusão da Doutora Welyda. Houve pouca participação feminina nos 4 mandatos parlamentares, com raras exceções. Daí surgiu a necessidade de outra pesquisa: quais as causas da pouca participação feminina na política? Há muitas hipóteses, mas necessitam de comprovação científica! Você é sempre assertiva em suas afirmações! Parabéns Doutora Welyda!

  • Paulo Cezar | Terça-Feira, 11 de Junho de 2019, 18h01
    3
    0

    Doutora Welyda, sempre tão precisa nas suas colocações. Parabéns é pouco, pois você demonstra preocupação com a coletividade e neste caso, com a importante presença feminina nas decisões futuras de uma dada comunidade, corte e quiça de um Brasil melhor. Tenho orgulho de pessoas como você! Não deixe que o poder um dia, tente apagar o seu brilho essencial, pois sua beleza externa é o reflexo da sua essência! Muito bem pontuado. Eu não sabia que dos 25 vereadores, todos são do sexo masculino. Muito bom mesmo

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