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Opinião

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Segunda-Feira, 10 de Março de 2014, 08h:42 | Atualizado:

Gabriel Novis Neves

“Novo” hospital

Gabriel Novis

 

Cada vez que o falecido prematuramente Hospital Neurológico Egas Muniz sofre uma “ameaça” de reabertura para a sua função de atendimento ao público, a primeira providência adotada é mudar seu nome.

Nas estatísticas de hospitais cuiabanos na Junta Comercial, com certeza encontraremos muitos hospitais fantasmas vítimas da demagogia e do oportunismo dos nossos políticos em vésperas de eleições.

O “novo” hospital, anunciado e batizado com o nome do nosso Santo mais popular – Pronto Socorro São Benedito - é o mesmo escombro que um dia foi “inaugurado” como Hospital das Clínicas, da Mulher, da Criança, do Idoso, dos Transplantes de Órgãos, este, inclusive, com “metade dos recursos para a sua transformação já depositado em conta no Banco do Brasil e o outro tanto já empenhado para liberação automática”.

Todo esse esforço ilusionista foi feito para salvar a candidatura da verticalização da derrota desmoralizadora na capital.

Passada as eleições foi descoberta mais uma farsa montada pelos governos federal e estadual.

Faltando menos de cem dias para a Copa do Mundo, a cidade campeã em fechamento de hospitais e diminuição de leitos hospitalares, lança com estardalhaço na mídia a construção do “novo” hospital de Urgências e Emergências - o São Benedito.

Para tanto Prefeitura alugou o velho hospital, fechado há anos, por R$ 135 mil por mês, e promete entregá-lo aumentado em leitos e funcionando normalmente até o final do mês de maio para atender às necessidades de um evento internacional de grandes proporções, que é uma Copa do Mundo.

Desconhecemos o valor das profundas reformas e da aquisição dos equipamentos, isso sem falar na parte mais complexa do trabalho: a seleção, treinamento e contratação de servidores.

Dizem que essa tarefa será a primeira executada por uma estatal municipal recém-criada, a Empresa Cuiabana de Saúde (ECS), e que receberá repasses do poder municipal, que, por sua vez, espera uma ajuda federal mensal de 80% do seu custeio, previsto para cerca de oito milhões de reais.

Quem trabalha com o governo federal conhece o relaxamento e a irresponsabilidade do poder central em cumprir com os seus compromissos.

A Presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso alerta sobre a funcionalidade da tal empresa. Teme que se repita o fiasco patrocinado pelo governo com as Organizações Sociais de Saúde (OSSs) ao não repassar os recursos regularmente para uma empresa que não pode esperar, pois trabalham com a vida do próximo.

Enfim, resta-nos torcer para que o “novo” hospital fique concluído no prazo prometido para minorar o sofrimento da nossa população mais pobre, aquela que não terá recursos para assistir aos jogos da Copa.

Valei-nos São Benedito!

Gabriel Novis Neves

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Comentários (1)

  • Lúcia | Segunda-Feira, 10 de Março de 2014, 09h38
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    O sr. esta certo Dr. Gabriel. Sem falar da inércia do Hospital Metropolitano. Procure saber quantos milhões e colocado por mês e não funciona. A AGE e o TCE já apuraram um rombo nas contas do Metropolitano e não acontece nada. Se não bastasse o Governador coloca de volta a turma do Pedro Henry para administrar a SÉS. O Jorge Lafeta e o Huarck trabalham junto com o mensaleiro no mesmo hospital, se reúnem frequentemente para tratar da saúde de Mato Grosso. Uma barbaridade. E aí ainda vem falar em Copa do Mundo, e reabrir hospital fechado.Uma piada.

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