10 de Agosto de 2020,

Opinião

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Segunda-Feira, 12 de Fevereiro de 2018, 11h:01 | Atualizado:

Paulo Lemos

O cidadão está desacorçoado com o Judiciário

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A ministra Cármen Lúcia disse que o cidadão está cansado de todos nós, referindo-se aos três poderes, frisando inclusive o Judiciário.

O cidadão não está apenas cansado, ele está sentindo-se desacorçoado e descrente, perdeu a fé e a esperança no projeto republicano e democrático proclamado pela Constituição de 1988, que morreu de morte matada, estrangulada de 2016 para cá, ante a cumplicidade, senão conluio, dos três poderes, que confirmaram o "grande acordo nacional profetizado por Romero Jucá".

O cidadão não acredita mais nas instituições. Ele percebeu que o que move-as são interesses próprios, fisiológicos e corporativistas, que nada têm a ver com interesses republicanos. Só protestam por incremento orçamentário-financeiro para aumentar salário e criar penduricalhos. O sistema faliu, sucumbiu à mordida da mosca azul, corrompendo-se totalmente. 

A Constituição do Dr. Ulisses Guimarães e do povo brasileiro de Darci Ribeiro foi assassinada e enterrada, sem funeral, como indigente, jogada ao mar, como morreu Teori Zavascki, lamentavelmente, ao pálio da atuação sinuosa do Sistema de Justiça, que tinha o dever de zelar por ela com toda retidão, embora tenha contribuído para rifa-la, no ritmo dos que bateram panela, por não aceitarem perder privilégios, em prol de um país mais justo, solidário e sem sacrilégios. 

Vetar o aumento estratosférico reclamado pelo Judiciário, à época, foi a gota d'água para essa gente togada, que pensa ser melhor e mais merecedora do que seus milhões de compatriotas, com raras e honrosas exceções. 

Quantos abriram mão do auxílio-moradia? Quantos respeitam o teto? 

Pouquíssimos, mormente odiados e isolados pelos seus pares, como se fossem traidores da confraria que defende com unhas e dentes essa gambiarra jurídica, responsável por sangrar milhões e milhões de reais de recurso público, pagos por mim, pelo pipoqueiro, pela faxineira e pelo vendedor de picolé, até pelo mendigo, que quando ganha um real e compra uma pão, está arcando com tributos embutidos na farinha, no fermento, no ovo e no leite.

Mesmo sabedores tratar-se de um benefício inconstitucional e imoral, pois não tem natureza indenizatória, já que independe de o beneficiário ter casa própria ou não, morar com o pai ou com o irmão, sequer sendo devido prestar contas da aplicação dele, podendo ser gasto com charutos e Wiki, caindo na conta permanentemente, configurando, portanto, verba de indubitável natureza remuneratória, que, porém, viola o instituto do subsídio, por não estar dentro da parcela única e mensal instituída por lei, por ultrapassar o teto constitucional e não recolher imposto de renda, nem deduzir qualquer contribuição para a previdência, ficando tudo por isso mesmo, enquanto julgam e condenam os outros por improbidade, peculato e/ou crime de sonegação fiscal. 

É surreal! É o preço da alienação do Sistema de Judicial, que, querendo ou não, passa a seguinte mensagem para todo brasileiro: "- Faça o que digo, mas não faça o que eu faço!"

Só a ganância e a arrogância pode explicar o que fizeram com o Brasil, repristinando um regime de exceção, dissimulado e disfarçado de republicano e democrático, por intermédio do discurso oficial de que "as instituições estão funcionando". 

Funcionando onde e para quem, cara-pálida!? 

O país voltou a ser considerado Mundo afora como o lugar da sacanagem e da piada. 

Será preciso unir forças e esforços para uma revirada. Senão, o futuro visto no horizonte da manutenção do status quo é sombrio. 

Nossa geração tem o desafio de resgatar o Brasil, ou deixaremos nossos filhos ao relento e ao frio, de uma noite gelada do dia primeiro de abril, como foi em 64, com o golpe militar que destituiu Goulart e roubou-nos o direito de votar.

Paulo Lemos é advogado em Mato Grosso.

(paulolemosadvocacia@gmail.com)

 



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Comentários (6)

  • Mariazinha | Terça-Feira, 13 de Fevereiro de 2018, 08h14
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    A TUIUTI ¨homenageou¨alguns¨ otários insistentes ,ou burros congênitos. Havia na Marquês de Sapucaí ,uma mão, simulacro de marionete ,com um pato ,nas extremidades ¨batendo panela¨. Foi a Escola mais aplaudida da Avenida.

  • Vovózica | Terça-Feira, 13 de Fevereiro de 2018, 08h00
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    Se o Lula não tivesse nascido? Se ele fosse de outro planeta,outra galáxia ? Não existisse? Não fosse candidato? Em quem você votaria para presidente? Resp. - LULA !!!

  • Wagner | Terça-Feira, 13 de Fevereiro de 2018, 07h56
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    O Judiciário é o ¨PODRE PODER¨. Venda de sentenças ,abuso de autoridade, precatórios ,salários exorbitantes ,escandalos mil ,promiscuidade entre a justiça e partido politico. Uma farra só !!! Há quem veja isso como normalidade ,e acha que eles merecem ,como uma casta cheia de privilégios ,mais e mais . cargos vitalícios ,plano de saúde aos seus ,segurança .veículos, auxilio moradia ,adjutório escolar ,e até ¨lote no céu¨,se possivel. Bem ,digo isso a partir de comentários colocados aqui ,e como sempre tudo é culpa do Lula. Ah este Lula ,tem que ser posto na cruz ,chicoteado ,pisoteado ,esmagado e queimado. Bem ,uma minoria pensa assim ,mas , não é o que pensam 53.000.000 milhões de eleitores que teimam em votar no homem ,é o que diz ao Data Folha.

  • alexandre | Segunda-Feira, 12 de Fevereiro de 2018, 22h00
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    Atacam o judiciário por causa da condenação do Lula.

  • Luan Arruda | Segunda-Feira, 12 de Fevereiro de 2018, 16h32
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    Ele está fazendo exatamente o que todo petralha faz, arranjaram esta desculpa para transformar tudo em troça e assim desviar o foco, quem não concorda com algo sabe onde tem que atuar, visto que o missivista é advogado, pelo que diz. Também não concordo com salários acima do teto, mas para isso me alinho ou ao menos tento votar em parlamentares que pensam assim, pugnar pela impunidade por algo imoral, mas legal, é triste e mostras tempos sombrios na Advocacia.

  • +Marcelo F | Segunda-Feira, 12 de Fevereiro de 2018, 11h26
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    Eu entendi esse pseudo-artigo como sendo uma crítica em relação ao auxílio moradia do Juíz Sérgio Moro, o qual pode ser questionado a sua moralidade e não a sua legalidade. A partir daí faço a seguinte ponderação, este cidadão o qual escreve (ou faz algum Ctrl+C, Ctrl+V de algum artigo da cartilha petista) quer jogar no mesmo lugar comum, pessoas concursadas dotadas de enorme saber jurídico, os quais em sua absoluta maioria são bastião da moralidade em um país esfacelado pelo partido mais sujo que governou este país, logicamente que exemplos esdrúxulos não nos faltam, principalmente nas cortes mais altas, as quais fazem a jurisprudência de acordo com cada condenado, o que não podemos é que para defender O "SEU" BANDIDO, este cidadão queira levar todos para a mesma lama ao qual os seus estão inseridos. Obs. Como sugestão ao cidadão (lógico que não me pediu), creio que seria de mais valor, já que se trata de um "advogado", que preste concurso para Juíz, preferencialmente Federal, passe e defenda sua tese lá, pois certamente teria mais representatividade do que em espaços como este.

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