02 de Junho de 2020,

Opinião

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Quinta-Feira, 09 de Abril de 2020, 14h:33 | Atualizado:

Antonio Rodrigues

O dilema da soja

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Em meio a um turbilhão de notícias envolvendo a APROSOJA-MT, o INDEA-MT e o MPE-MT, discutindo-se legalidade de acordos e perdas de receitas, entre outros, é necessário que sejam esclarecidos alguns tópicos:

1) O Presidente da APROSOJA-MT alega que os produtores têm o direito a produzir suas próprias sementes e que o INDEA-MT, por meio da Instrução Normativa Conjunta SEDEC/INDEA N.º 002/2015 os estão impedindo. Isso é uma inverdade, uma vez que todos podem fazer o cadastro da área que será destinada a produção de sementes de uso próprio e depois informar a “quantidade total produzida apta para o uso, oriunda da área de reprodução cadastrada”. A única restrição é que deve-se respeitar o calendário de plantio.

2) Com a chegada, em 2003, da Ferrugem Asiática da Soja, nos campos de produção de Mato Grosso, a rentabilidade da cultura sofreu uma queda vertiginosa, culminando com a inviabilidade financeira nos anos de 2005 e 2006, devido aos altos custos de manejo da doença e das perdas advindas desta. A APROSOJA-MT procurou apoio junto ao INDEA-MT e deu-se início ao trabalho de prevenção e controle da doença, ainda no ano de 2005 (Proibição do plantio irrigado) e em 2006 (Vazio Sanitário). Com estas medidas os produtores já voltaram a ter retorno financeiro no ano de 2007, aproveitando-se dos resultados positivos até os dias atuais.

3) A despeito do sucesso da empreitada do Estado, por meio do INDEA-MT, nas ações de prevenção e controle da doença, a APROSOJA-MT, em momento algum colaborou com o órgão, firmando convênios para a transferência de recursos, ou colaborando com o aprimoramento da estrutura de fiscalização da autarquia. Foram, até então, usufrutuários da estrutura do Estado que tanto os beneficiou.

4) No que se refere aos plantios em fevereiro, devido à proximidade entre estes e os plantios regulares, a redução de aplicações propalada pelos produtores trata-se, na realidade, de mais aplicações e mais pressão de seleção sobre o fungo, o que pode ocasionar a resistência aos fungicidas.

5) Levando-se em consideração que os produtos e subprodutos do complexo da soja são a base da nutrição animal atual, servindo de ingredientes na ração de peixes, frangos, suínos, bovinos e bubalinos, entre outros, a inviabilização da produção, economicamente equilibrada, da cultura, põe em risco as demais atividades econômicas relacionadas, inviabilizando a economia do Estado, levando a deficit na balança comercial brasileira. Estas seriam as consequências diretas para nossa vida.

6) Caso o fungo desenvolva a resistência aos fungicidas, quem será o responsável a arcar com as perdas financeiras que virão?

Antonio Marcos Rodrigues é Engenheiro Agrônomo, atuando como Fiscal Estadual de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Mato Grosso do INDEA-MT, desde 2003, e servidor público há 19 anos.

 

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Comentários (3)

  • Pacufrito | Sexta-Feira, 10 de Abril de 2020, 17h37
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    Só inverdades e bobagens sem fim, quando foi que o idea foi referência em desenvolvimento de tratamento da ferrugem? Nunca. O dinheiro que paga seus salários são provenientes de onde? Se são funcionários públicos , a agricultura é responsável por muita da arrecadacao do estado, vocês na verdade estão aí a serviço das sementeiras, em lugar nenhum do mundo o custo da semente se assemelha a custo da semente no Brasil, e simplesmente um absurdo.

  • Observador Agronômo | Quinta-Feira, 09 de Abril de 2020, 19h26
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    Esse aí é servidor da área no Indea mesmo ou é sementeiro?? Tá puxado esse texto hein.

  • Danilo | Quinta-Feira, 09 de Abril de 2020, 17h43
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    Boa matéria Antônio, parabéns. Contudo, gostaria de fomentar a discussão sugerindo algumas questões a serem analisadas. Quando tratamos de produção agrícola o clima é um fator fundamental, implementar um calendário para o Estado todo significa desconsiderar o microclima, bem como, as diferenças climáticas entre essas regiões. Indago se o calendário é atualizado pelo menos a cada trimestre de acordo com a análise realizada por meteorologistas especialista microclima pelo INPE? Convenhamos que a diversidade de biomas no Estado (Cerrado, Amazônia e Pantanal) e suas zonas de transição apresentam características pluviométricas que interferem na produção. Entendo que devemos implementar estudos ininterrupto das condições do microclima entre as diversas regiões, antes de qualquer proibição. Aproveito o ensejo, e pergunto se de 2005 até o presente ano 2020, não houve evolução tecnológica nos defensivos capazes de combater com eficácia o problema da ferrugem asiática? Nesse sentido, questiono se a única alternativa viável é vazio sanitário?

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