23 de Abril de 2019,

Opinião

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Terça-Feira, 12 de Fevereiro de 2019, 09h:26 | Atualizado:

Renata Viana

O esqueleto do passado bate a porta

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O obvio de que tudo tem fim, principalmente o dinheiro, é uma máxima elementar de qualquer pessoa sensata mas a estranha força exercida pelo poder dos governantes parece que cega os mandatários de que as coisas são como são, e pronto. 

O fracasso financeiro do Brasil, com o estimado débito primário superior a R$ 150 bilhões em 2019, só não é mais aterrorizante que a situação do estado de Mato Grosso, que entra no último ano da década com um rombo de R$ 1,7 bilhão e muito por se fazer em áreas estratégicas, como saúde e logística.

No Brasil a prosperidade conquistada no início dos anos 2000 foi desperdiçada em programas sociais paternalistas, sem porta de saída e que teve na corrupção generalizada e institucionalizada, de mãos dadas com investimentos bilionários do BNDES em projetos duvidosos (para dizer o mínimo) nos países de alinhamento ideológico, levaram o cenário da economia nacional, já partir de 2011, a uma situação que era claramente danosa. Os efeitos da somatória de maus-tratos do dinheiro públicos puderam ser notados pelos agentes econômicos em 2012 e conquistaram seu ápice em 2014. O restante da história é conhecido e o saldo é hoje um déficit primário( dívida publica) que supera 80% do PIB nacional. 

No estado, a situação está parcialmente descrita recente aprovada Lei Orçamentária Anual- LOA e a conta é bem complicada para se fechar. Se desde 2003, a folha salarial teve um acréscimo real de 695% entre 2003 e 2017 e a arrecadação um aumento de 381% no mesmo período, somado a um aumento de 251% no custeio da máquina, parece evidente que uma hora a conta iria chegar. E toda a sociedade iria pagar o alto custo da irresponsabilidade com que foi gerida a máquina pública, sem distinção de governos A ou B.

O salto da arrecadação em 2011, foi seguida pelo salto nas despesas salarias em 2012. Enquanto a arrecadação na oportunidade pulava de R$ R$ 10,6 milhões para R$ 13,3 milhões, no ano seguinte a folha saiu de R$ 9,4 milhões para R$ 11,2 milhões. 

Os valores arrecadados pelo estado jamais foram negativos ou abaixo das expectativas. O setor produtivo de MT tem a monumental capacidade de gerar lucros em todos os momentos, mesmo nos mais adversos. O problema do estado tem sido, ao longo dos últimos governos, a falta de planejamento, de estratégias e racionalidade na despesa. 

Agora, com a porteira arrombada, o setor produtivo é novamente acionado a dar sua cota de sacrifícios, piorando o quadro geral confiança de negócios no estado perante o cenário nacional, tratamos desse tema no artigo anterior “ O Agronegócios no Ambiente de Negócios. Fato que leva a uma alteração de planejamento e do desenvolvimento previsto para o setor.

É preciso urgente que o estado e a união repensem o planejamento, trabalhem com números reais, priorize os investimentos em campos estratégicos e permita que a iniciativa privada cresça sem os constantes chamamentos ao sacrifício por irresponsabilidade daqueles que deveriam nortear o crescimento e não a tungagem desmedida de quem trabalha. 

A situação do Brasil e do Mato Grosso, são cristalinas na certeza que o dinheiro é escasso e portanto deve ser racionalizado para que a sociedade como um todo não perca com falta de atendimentos básicos, que os servidores não percam pela reposição a menor que os índices, que os  investimentos tenham real sentido, porque de nada adianta todo o sacrifício e todas as incertezas lançadas agora para que lá na frente, após passada a tormenta, todos os erros cometidos no passado sejam repetidos, pois como vemos agora, os erros pretéritos cobram seu preço de todos, indistintamente e a fatura chega de uma forma ou de outra. Sãos os esqueletos do passado batendo a nossa porta como alma penada. 

Renata Viana é advogada e consultora política filiada a ABCOP (Associação Brasileira dos Consultores Políticos)

 

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Comentários (2)

  • Nilson Antonio | Quinta-Feira, 14 de Fevereiro de 2019, 08h55
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    Analisando os dados de arrecadação do Estado de Mato Grosso no período de 2006 a 2016, essa último ano em função da publicação do PIB, podemos ver que o PIB quadruplicou enquanto o a receita tributária cresceu apenas 266%. Essa é de fato a razão da situação que levou o estado a um déficit fiscal ( despesas maiores que a receita). A despesa de pessoal tem crescido em patamares normais o que falta ao Estado é manter eficiência da arrecadação e tributação. Excessos de incentivos, corrupção, desvios de recursos são as causas do problema. Se o Estado deseja melhorar a qualidade e expandir serviços tem que saber que precisa aumentar os meios de arrecadação.

  • Mabuia do Cerrado | Terça-Feira, 12 de Fevereiro de 2019, 12h30
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    Dra. Renata, mais uma avaliação corretíssima. Uma das pessoas mais preparado do estado. Gostaria de saber da Dra. se ela acha que o governo Mauro Mendes conseguirá equilibrar as finanças do estado em uma gestão?

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