15 de Agosto de 2020,

Opinião

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Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 07h:46 | Atualizado:

Eustáquio Rodrigues

O julgamento de Lula: um episódio de Black Mirror sobre idolatria

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Após o veredito unânime que confirmou a sentença de Lula, as redes sociais foram inundadas de fotos, frases, piadas, mêmes e tudo o mais que se pode postar por ali. A idolatria ali apresentada é surpreendentemente esquizofrênica – tal qual os episódios de Black Mirror. Não podemos, de maneira nenhuma, negar a carreira política de sucesso do ex-presidente – sem definir aqui o que seria exatamente “sucesso”. Pautada em discursos de ética e defesa do trabalhador e na redução da miséria, Lula simplesmente se perdeu em sua vaidade e nos labirintos do poder. Esqueceu-se de suas origens e passou a se preocupar apenas com seu projeto de poder, trazendo a reboque o projeto do partido – não vamos cair na falácia e no discurso fácil de que Lula tirou milhões da pobreza, fez todo mundo ter carro popular e ajudou os jovens a entrar em uma faculdade, entre outros.

Mas o que mais surpreende não é a sedução que a fama, o poder e o dinheiro exerceram no ex-presidente (pois 95% dos políticos cedem a essa sedução). O que surpreende é o nível de idolatria despertado nas pessoas e externados, entre outros meios, pelas redes sociais. E como diz um pensador: “idolatria é a excessiva admiração que temos por nós mesmos projetados em algo ou alguém. Por trás do discurso pisado, repisado e capcioso de que Lula fez muito pelos pobres está o fato de que ele, Lula, maquiou ações para promover a si mesmo. Se tomarmos o tripé em que todo estadista deveria elevar ao nível de excelência para se tornar grande, qual seja Saúde, Educação e Segurança, percebe-se que o ex-presidente foi nanico. Nenhuma reforma, nenhum projeto de impacto, nenhuma melhoria sensível e duradoura. Na saúde nada foi feito para melhorar a gestão do SUS, nenhum grande hospital federal, nenhuma melhoria no controle dos repasses aos estados e municípios, o que fez com que a saúde pública continuasse um caos – tal é o cas que, quando ele precisa, ele se trata no Albert Einstein ou no Sírio Libanês, hospitais excelentes e privados. Em relação a educação, nenhuma reforma educacional que tirasse o país da posição cento e tantos para os primeiros lugares no ranking mundial, nenhuma melhoria no controle dos repasses aos estados e municípios, nenhuma reforma que elevasse o magistério a uma categoria nobre, enfim, nada, nada que melhorasse 1% a educação  básica e o ensino médio – e não adianta a velha ladainha de que Lula ajudou milhares a entrar em faculdades pelo Prouni, pois esse programa financia estudantes que mal sabem ler a fazer cursos inexpressivos para o desenvolvimento do país em faculdades pra lá de duvidosas, enquanto a elite é que continua a entrar nas melhores faculdades públicas e a fazer os melhores cursos. Já quando o assunto é segurança, dispensa-se a eloquência das palavras pois a população desarmada e o alto índice de criminalidade em nenhum momento foi combatido pelo ex-presidente. Aqui, antes, durante e após o governo Lula, se mata mais que em muitos países em guerra.

Daí, quando percebemos as reações idólatras demonstradas em defesas e comentários irados, verifica-se que os defensores do Lula estão com excessiva admiração por si mesmos, ao não admitirem que só o defendem porque: ou ganham alguma coisa com isso (seja cargo, emprego, verba publicitária, bolsa ou qualquer coisa semelhante) ou são orgulhosos demais para admitir que esse projeto de poder fracassou, não porque não tinham boas ideias, mas porque seus orquestradores e operacionalizadores sucumbiram ante a corrupção, a vaidade e ao egoísmo. Continuam com seu discurso de autocomiseração raivosa e estilo de vida “socialista de iphone” por se sentirem órfãos e não representados pelos políticos que estão aí e são tão ruins ou piores que o Lula.

O episódio de Black Mirror, citado no primeiro parágrafo, começou, de fato, com o julgamento do ex-presidente e as manifestações em plena quarta-feira à tarde pedindo sua absolvição a qualquer custo e com as ameaças à sociedade do caos absoluto caso ele seja preso. Tal e qual a grande maioria dos episódios da série a tendência é que essa história termine de forma trágica: trágica para o ex-presidente, sendo preso e mofando o resto da vida em uma cadeia, ou trágica para o Brasil com o ex-presidente permanecendo solto, se candidatando e se reelegendo para um novo mandato. Daí teríamos um criminoso condenado como Presidente da República – se bem que, indo no embalo impactante e esquizofrênico da série, isso não seria a cara do Brasil? Mas isso é uma história para a quinta temporada.

Eustáquio Rodrigues Filho - Servidor Público



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Comentários (9)

  • Kelson Frost | Sexta-Feira, 02 de Fevereiro de 2018, 13h29
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    E seu espelho? Reflete o POBRE DE DIREITA/ CAPITAO DO MATO" que vc é? Vc é so mais do mesmo, um capacho que a leite jamais deixaraá entrar pela porta da frente... recolha-se a insignificância e respeita o Povo.

  • Meris de SantAna | Quarta-Feira, 31 de Janeiro de 2018, 17h50
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    Quem conhece Eustáquio sabe do valor que ele tem. Íntegro, inteligente e sábio. Parabéns de novo. Vou curtir todos os seus textos. Lembre-se que "ladram os cães enquanto passa a majestade". Continue assim é sempre vai incomodar. Rsssssssssss Brilhante

  • André N. | Quarta-Feira, 31 de Janeiro de 2018, 10h36
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    Comento só para registrar meu apoio ao texto e para balancear as críticas desqualificadas abaixo.

  • Bea | Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 12h18
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    Q cara burro, e ainda é funcionário público, vai para iniciativa privada querido

  • Citizenship Esquizofrênico | Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 12h04
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    Citizenship Esquizofrênico, qual o plano de saúde que você usa. Informe aos leitores do site o endereço da Clínica Dentária citada em seu comentário. Diga o nome de um médico cubano com o qual você tenha consultado. Qual o nome da empresa atuante em hospitais de todo país? Mais assertividade e menos idolatria, por favor.

  • said joseph | Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 11h23
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    Já temos um Presidente ladrão ocupando a Presidência. Então, porquê tanta hipocrisia? Já sei. Esse tal de Eustáquio Rodrigues deve ser daqueles negros de cabelo grenho. sarará, que preferem que preferem ser chamado de BLACK POWER. É daqueles Negros que dá um passinho na vida e fala prá todos que seus avós eram norueguês e tataravô Alemão, É o negro que gostaria de ser branco, mas não consegue.

  • alexandre | Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 09h29
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    belo texto, parabens, tem um reportagem do uol mostrando os refugiados da venezuela, escapamos de um socialismo cubano. é preciso ver o modelo que as esquerdas representam.

  • JON SNOW | Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 09h27
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    RAPAZ, EUSTAQUIO TÁ ESCREVENDO FACIL E BEM DEMAIS. TA QUASE UM GEORGE R R MARTIN MESCLADO COM AS FABULAS REAIS DE JULIO VERNE. PARABENS! - Um amigo da ETF. EUSTAAAAAAAAAAAAAAAQUIO? QUIQUERES! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  • Citizenship | Terça-Feira, 30 de Janeiro de 2018, 08h59
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    Esquizofrenia é não considerar os avanços na saúde pública: você já ouviu falar em SAMU? Sabe que foram criadas as Farmácias Populares? Sabe que medicação de uso regular passou a ser ofertada gratuitamente? Sabia que foi criado um programa de saúde dental, com a instalação de clínicas dentárias e a inclusão de equipe de saúde bucal no Programa de Saúde da Família? Que para a gestão hospitalar foi criada uma empresa atuante em hospitais de todo o país? Mais Médicos foi a Dilma que implantou. Esquizofrênico é negar que as boas ideias foram tiradas do papel e implementadas com sucesso no país todo. Esquizofrênico é precisar acusar de esquizofrenia quando pretende com isso engambelar-se numa tentativa de esconder a injustiça de decisões judiciais sem qualquer fundamento jurídico construídas exclusivamente para gerar impactos políticos. Sobre esquizofrenia o articulista demonstra não compreender. Idolatria, então, sequer vale o esforço de contestação.

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