27 de Maio de 2019,

Opinião

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Sexta-Feira, 15 de Março de 2019, 09h:24 | Atualizado:

Nestor Fidelis

O que se investe em prevenção às drogas?

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A violência é ousada em diversos aspectos. Ela seduz, envolve, vicia, toma conta, sobretudo em relação às crianças, adolescentes e jovens, mas também aos adultos menos precavidos.

Crianças dóceis e amáveis perante os pais podem se tornar perigosos quando estão em grupos, no mundo real e no virtual, o que revela, todos os dias, que os pais não conhecem seus filhos por diversos motivos, mas principalmente por não conviver essencialmente com eles.

A necessidade de trabalhar para manter as atividades familiares necessárias e louváveis, mas também a sede por notícias mais recentes, ou por distrações e fugas da realidade, seja por meio da bebida alcoólica, de jogos e por todas as demais formas de autoalienação, apresenta aos filhos um modelo a ser seguido pela força do exemplo. Então, nada mais natural do que as crianças estarem dependentes de “smartphones” e “tablets”, participando e assistindo a tudo o que não é adequado e assimilando conteúdo não condizente com sua faixa etária, idolatrando outras crianças, jovens ou adultos que vivem de divulgar vulgaridades, músicas com letras esdrúxulas e de melodia paupérrima, brincadeiras em forma de desafios perigosos, etc. 

É preciso refletir sobre a responsabilidade mater/paternal para se fazer presente, não apenas dando coisas, mas se entregando na relação familiar, porquanto mesmo assim agindo, não há como evitar que as crianças entrem em contato com todas essas drogas acimas citadas.

Não é por acaso que vemos jovens se matando no trânsito, na busca de reproduzir o que aprendem nos “videogames”. Aliás, o Brasil sofre neste momento com mais uma barbaridade advinda de uma reprodução violenta, no mundo real, do que jovens aprenderam com “videogames” que ensinam a matar e tratam com extrema banalização a vida.

Não adianta deixar os filhos nas escolas nem em tempo integral, como se isso fosse resolver tal celeuma social, eis que o papel da escola é instruir, ao passo que somente a família pode educar, formar bons cidadãos. Aliás, é também pelo “bulling” tão praticado nas escolas que vemos crianças e jovens revoltados, angustiados e depressivos, tornando-se cada vez mais violentos.

Somente a família pode atuar com excelência, mas, para isso, é imprescindível que os pais se empenhem no tocante as suas funções precípuas, pois em todas as tragédias sociais que se tornam notícias, ou mesmo as que não são divulgadas, encontraremos dois fenômenos muito claros: a desestruturação familiar e o uso de drogas.

As instituições públicas que deveriam se esmerar nas políticas de prevenção ao uso de drogas não a realizam, infelizmente. E aquelas que não tem a obrigação de promover essa prevenção acabam assumindo tal função. Prova disso é que a Polícia Judiciária Civil (Rede Cidadã, De Cara Limpa Contra as Drogas) e a Polícia Militar (Proerd), cuja finalidade típica é a repressão e o combate ao tráfico e uso de drogas ilícitas, vem fazendo um brilhante trabalho de prevenção, que, em tese, estaria muito mais relacionado às ações de cidadania e promoção social.

Assim, é imperioso que os entes públicos (estado e municípios), assumam suas obrigações de forma efetiva, deixando de investir tanto em publicidade e aplicando recursos, pelo menos um pouco, nas ações de prevenção, porque o que é pouco para a publicidade dita institucional é muito para os órgãos de prevenção às drogas. Logo, nada mais justo do que as imperiosas parcerias com o Proerd e os programas da Polícia Civil.

Investir em prevenção ao uso de drogas ilícitas é uma necessidade de segurança pública e bem estar social, muito mais econômica financeira e emocionalmente, ou seja, é clara política pública característica de gestores que primam pela humanização, pelo planejamento e pela eficiência.

Nestor Fernandes Fidelis (Comissão de Políticas sobre Drogas da OAB/MT).

 

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