08 de Abril de 2020,

Opinião

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Quarta-Feira, 31 de Dezembro de 1969, 20h:00 | Atualizado:

Arlindo Aburad

Os cuidados com tumores disfarçados de inflamação

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Pacientes e dentistas precisam ficar cada vez mais atentos a casos de tumores de maxila e de mandíbula, que muitas vezes são confundidos com lesões inflamatórias. É muito importante que pacientes façam exames preventivos de boca, com seus dentistas, pelos menos uma vez por ano. Mas essa não é a realidade atual. Geralmente, esses tipos de exames não são pedidos por pacientes até mesmo por falta de informação sobre os perigos das doenças da boca.

Há casos de lesões mais sérias na boca em que o paciente precisa fazer até mesmo uma biópsia durante a cirurgia com seu dentista. É nessa hora que surge a angústia de muitos por conta da espera pelo resultado, que pode demorar alguns dias. Entretanto, uma nova técnica que vem sendo aplicada em Mato Grosso possibilita o diagnóstico de tumor de boca no momento da cirurgia. É a chamada biópsia por congelação.

Geralmente, o paciente que opera o tumor de boca está ansioso para receber o resultado. O material retirado da boca para a biópsia tradicional é enviado ao laboratório e pode demorar alguns dias. Com a biópsia por congelação, ocorre o contrário. O paciente é informado imediatamente sobre o diagnóstico. Além do resultado rápido, outra vantagem dessa técnica é que o cirurgião dentista é informado se o tumor foi totalmente removido durante a cirurgia. Caso não tenha sido, ele pode ampliar a cirurgia na hora para este fim. Assim, o paciente não precisa passar por novo procedimento cirúrgico posteriormente.

A biópsia por congelação, utilizada no Hospital de Câncer de Mato Grosso, e em outras clínicas e consultórios de Mato Grosso e outros Estados tem gerado resultados positivos. Tanto que, este mês, a técnica será aplicada pela primeira vez no Paraguai durante uma cirurgia demonstrativa de um tumor de mandíbula na Universidad Hispano Guarani, em Cidade do Leste. A iniciativa para a cirurgia demonstrativa e de palestras sobre o assunto foi dos professores Ricardo Scotton, especialista e mestre em Implantodontia e coordenador do Curso de Cirurgia Avançada In-Surgery no Brasil e no Paraguai (Brasil/Paraguai) e Carlo Console, especialista em Implantodontia e Cirurgia Oral Avançada e coordenador do curso de Ondontologia da na Universidad Hispano Guarani.

É preciso ressaltar que há muitos casos em que os tumores de maxila e de mandíbula podem parecer simples lesões inflamatórias, e não são. Mas o paciente não sabe e é fundamental que o dentista esteja atento. Ele precisa fazer exames preventivos ou até mesmo biópsia no paciente para distinguir lesões mais sérias, que precisam de tratamento mais invasivo, de outras que podem ser tratadas de forma mais simples. Esses procedimentos evitam que tumores sejam diagnosticados tarde demais, o que sempre é pior para o paciente. Somente assim o paciente terá a certeza do diagnóstico correto para o tratamento adequado.

Os exames preventivos de boca são necessários para pacientes quando percebem quaisquer alterações internas ou nos lábios. Muitas pessoas ainda têm receio de fazer exames preventivos de boca por conta do diagnóstico. O temor muitas vezes é pior do que a própria lesão, já que afasta o diagnóstico precoce e o tratamento adequado para maiores chances de cura. Muitas vezes, essas alterações são benignas e não provocam danos mais sérios. Mas isso apenas pode ser verificado após a realização desses exames preventivos.

*Arlindo Aburad, doutor em Patologia Bucal pela USP e responsável pelo Laboratório de Patologia Bucal do Hospital de Câncer de Mato Grosso.

 

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