30 de Maio de 2020,

Opinião

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Quarta-Feira, 08 de Abril de 2020, 07h:00 | Atualizado:

Eduardo Póvoas

Picolé de groselha

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Cuiabá é mesmo uma cidade diferenciada. Não de agora, mas desde que me entendo por gente, a  cidade verde irradia aconchego,simpatia e sobretudo, calor humano deste povo simples, que como poucos sabe receber a quem aqui chega.Lembro-me dos profissionais de diversas áreas que destacados ou por vontade própria, vinham para exercer suas funções neste longínquo rincão temido por grande parte das populações dos maiores centros urbanos.Ao se aposentarem não queriam nem ver falar de retornar às suas  cidades. Eram funcionários de empresas públicas, empresas privadas, jogadores de futebol, profissionais liberais etc etc. Logo logo todos já freqüentavam o bar do Beto, as domingueiras no Clube Feminino, a maravilhosa Sayonara, o Balneário Santa Rosa, o Bar Internacional, provavam um pacu frito e um picolé de groselha do Sinfrônio.Vários deles casaram com cuiabanas e estão até hoje com seus empreendimentos comerciais, ou aposentados. Estes points faziam de Cuiabá a diferença. Todos tinham suas características que os tornavam locais queridos da cuiabania. O Colégio Estadual de Mato Grosso, foi “fábrica” de grandes vultos da nossa terra. Tivemos ali, um dos maiores corpos docente de todo Centro Oeste, mas, no horário do recreio, não havia quem resistisse a pedir para algum amigo, ou para quem estivesse passando na rua, pois não podíamos sair do colégio, que desse um pulinho no bar do Sinfrônio e comprasse um picolé de groselha ou de coco queimado. Depois de chupar o picolé, e brincar de pegador, com a língua vermelha como sangue, estávamos prontos para retornar à sala de aula. Se não conseguíssemos alguém que nos comprasse o picolé, íamos até o campo de futebol, e através de suas antigas bilheterias acessávamos a Avenida Vargas, onde na esquina que hoje é o Getúlio grill, pedíamos para o “seu” Antonio moer um delicioso caldo de cana com umas gotas de limão. Caso um professor, por algum motivo sério, faltasse, o jipe Toyota azul, do nosso colega Moacir Spinelli esperava-nos do lado de fora do colégio para nos levar a uma das poucas quadras de futebol de salão que existia em Cuiabá, a do Clube Náutico, a beira do nosso querido Rio Cuiabá.Seu jipe era um “quase” ônibus para a gurizada, pois naquela época podia-se andar na carroceria, e o saudoso Toyota ia carregado de amigos, prontos para um belo jogo. Lá jogávamos até ao meio dia, num escaldante sol refrescando-nos depois num mergulho no lendário rio.Hoje, infelizmente não dá mais para se deliciar nessas praias maravilhosas.Ressalta aos olhos de qualquer um, principalmente neste período de cheia, a quantidade de lixo que é despejado nele. Faça sua parte para que seus filhos e netos possam desfrutar dele como eu desfrutei. Não jogue lixo no rio. Quem viveu essa época em Cuiabá e não fez isso e mais um pouco, não sabe o que perdeu. Por isso que quando perguntavam ao meu querido pai, qual a cidade de Mato Grosso que ele gostaria de morar, sua resposta sem hesitar era: “numa que tivesse o clima de Campo Grande, as paisagens de Corumbá, e a vida noturna de Cuiabá”.Imaginem Cuiabá com tudo isso.Você tem dúvidas de que aqui seria o paraíso?

EDUARDO PÓVOAS- Amante de Cuiabá

 

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