10 de Dezembro de 2019,

Opinião

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Terça-Feira, 03 de Dezembro de 2019, 13h:01 | Atualizado:

Wilson Pires

Rasqueado: de várzea-grandense a cuiabano

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No ano de 1870 acaba a Guerra do Paraguai e, na região de Várzea Grande, onde estavam confinados os refugiados da Guerra e os prisioneiros da retomada de Corumbá, começaram a se integrar junto com os ribeirinhos mato-grossenses para o convívio do dia-a-dia.

Nessa interação de simbioses práticas, a viola-de-cocho e o violão paraguaio começaram a tocar uma nova música e, assim, nasceu o rasqueado (mistura de siriri mato-grossense e polca paraguaia).

O novo ritmo surgiu para a exaltação da volta à vida e para sepultar as lágrimas do grande conflito que determinou o rumo da história latino-americana.

Por ser uma música de origem humilde, ficou discriminada até a proclamação da República, quando se começou a perceber o seu jeito contagiante e envolvente, já chamando, na época, de “limpa banco” e começaram a tomá-la emprestada para a eleição e festas de santos.

O rasqueado ganhou dianteira, pois envolveu os músicos e a elite governamental ao mesmo tempo. Assim, a música começou a aparecer nos “tchá-co-bolo” dos saraus, ao lado de Beethoven, Mozart, Chopin e outros.

Na década de vinte do século passado, o negro Mestre Ignácio, do Bairro Baú, começa a executar o Rasqueado na sua Banda Marcial própria, ao lado do Jazz, Blues, Chorinho, Valsa, Maxixe, Fox-trote e outras expressões em voga na época.

A música começa a receber influência forte da música brasileira da capital do Rio de Janeiro, e os trovadores de verso vão dando lugar ao solista das orquestras típicas.

O rasqueado toma a sua forma de música instrumental e o naipe sax, trombone e trompete, tornam-se instrumento padrão de Banda de Rasqueado, assim como acontecia com o chorinho, samba, dobrado, etc, que ficaram marcados com tais instrumentos.

Uma outra modalidade de Rasqueado se desenvolve também na Baixada Cuiabana, apoiado na sanfona de quatro e oito baixos. Conhecido como “pé-de-bode”, e, por ter desenvoltura nos seus teclados (chamado ponto) para outras escalas, o Rasqueado aproxima mais da Polca Paraguaia e do Chamamé, criando o estilo chamado “Rasqueado da Fronteira”.

Mais tarde o músico e radialista paulista Mário Zan (compositor da música “Chalana” e “Siriema”) foi beber nessa fonte, assim como o paulista-cuiabano Nardinho, considerado o maior acordeonista do Rasqueado de Fronteira, criou várias composições nesse estilo.

SÍMBOLO DE MATO GROSSO

No final de 2004, foi criada pela Assembleia Legislativa a Lei nº 8.203, que declarou o rasqueado como ritmo musical símbolo de Mato Grosso. De autoria do presidente da Assembleia, deputado José Riva (PSD), a lei, segundo ele, foi pensada como um instrumento para a conscientização cultural.

Wilson Pires de Andrade é jornalista em Mato Grosso.

 

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