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Sábado, 05 de Julho de 2014, 09h:14 | Atualizado:

Adilson Rosa

"Seu" Genézio

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Ao ler o site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, uma notícia me deixou triste. Foi o falecimento do servidor Genézio de Miranda, um amigo que há algum tempo não tinha contato. 

Ele teve um infarto fulminante enquanto trabalhava dentro do próprio Tribunal – morreu trabalhando, aos 54 anos de idade. 

Servidor de carreira há 29 anos, se preparava para aposentar.

No início de minha carreira de repórter policial, contei muito com a ajuda do simpático “Seu Genézio”, como era carinhosamente conhecido pelos repórteres. 

Durante muitos anos, ele foi chefe do cartório da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá e sabia tudo de todos os processos, audiências e principalmente julgamento. 

Sem falar que ele atendia ao telefone a qualquer hora do dia e da noite e sempre na ponta da língua o resultado dos júris, e impreterivelmente de bom humor. 

Com seu Genézio, os repórteres tinham sempre notícias atualizadas. Uma fonte de inesgotáveis informações. 

Fiel escudeiro do juiz Omar Rodrigues, passaram pelas mãos de Seu Genézio importantes julgamentos, como o “Caso Gil” e o “Caso Tijucal”. 

Nos plantões de fins se semana, estava lá o esforçado e competente escrivão. 

Para ter progressão de carreira, ele estudou Direito onde passou por situações engraçadas. 

Ao descobrirem que ele era o “todo poderoso” escrivão da 1ª Vara Criminal, nas aulas de crimes contra a vida, Seu Genézio era chamado para esclarecer os meandros daquele capítulo do Código Penal. 

Em algumas aulas, ele era o professor, reconhecimento de seu trabalho. Uma vez formado, não abandonou a carreira a qual desempenhou de forma exemplar. 

Seu Genézio saiu da Comarca e foi promovido para o Tribunal de Justiça acompanhar o juiz Omar que também foi promovido, só que a desembargador. 

De lá, não saiu mais, mesmo com a aposentadoria do magistrado. 

Casado e pais de vários filhos – confesso que não me lembro quantos – a esposa dele, que eu a chamava de “dona patroa”, também sempre foi simpatia pura. 

Todas as vezes que a gente se encontrava nas ruas, sempre parávamos para um breve papo. 

Seu Genézio deixou por aqui um legado de vida exemplar. 

ADILSON ROSA é repórter do jornal Diário de Cuiabá.

 



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